John Frusciante: Experimentalismo ao extremo é o que temos no seu novo álbum
Resenha - : I . - John Frusciante
Por Frederico Di Lullo
Postado em 17 de fevereiro de 2023
Poucas pessoas detêm crédito positivo em quase todas suas ações. E quando falamos de música, um desses indivíduos é, sem dúvida, o John Frusciante. Desde que voltou ao Red Hot Chili Peppers mais uma vez em 2019, ele esteve bastante envolvido nos dois últimos álbuns da banda (ambos lançados em 2022). No seu tempo livre, ele adentrava em cheio na música eletrônica como artista solo seja em outros projetos ou na fudanção da Evar Records. Mas isso é papo para outra hora.

Por isso, Vamos focar no peculiar : I ., seu último lançamento. Ele ficou disponível nas plataformas digitais no começo do mês e tem muitos drones, experimentalismo e sintetizadores analógicos ao longo de 10 composições. São músicas que se desenvolvem lenta e pacientemente e que foram gravadas ao vivão, direto de uma ou duas máquinas, para um gravador de cd.

O trabalho abre com "Golpin" e apresenta oscilações agudas, misturada a uma chuva de perturbações alienígenas e efeitos distorcidos. Outra faixa que me marcou foi "Pyn", onde toda a música me deu a impressão de parar no tempo e que nada saía do lugar enquanto escutava ela no meu singelo fone de ouvido. Já "Blesub Dot" parece um exercício de controle da mente, colocando o ouvinte em um sono antes de atacar com frequências agudas e penetrantes e depois enlouquecer com varreduras de ruído branco. Já "Frantay" apresentou, pra mim, 16 minutos de pânico silencioso, como se eu estivesse preso em uma nave espacial que pode ou não estar com defeito.
Sensacional ou uma loucura incompreensível? Eu ainda não decidi. Este tipo de música é uma música eletrônica experimental muito desafiadora e até indecifrável, sem nenhum tipo de relação a formas mais comerciais. E também não espere que tocar na balada ou coisa do gênero. Talvez em algum porão podre, com pessoas estranhas, alteradas e interessantes apenas. Contudo, o trabalho contém alguns experimentos visionários e, vindo de um artista que faz música há tanto tempo, certamente parece estar abordando esse tipo de trabalho abstrato sob uma nova perspectiva.
Vá em frente e escute de cabeça e coração aberto. Se você espera aqueles riffs presentes no RCHP ou a melodia cativante da voz do John, passe longe. É só isso mesmo.
Escute ": II .":
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