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Rival Sons: de revelação independente a clássico do Rock

Resenha - Pressure and Time - Rival Sons

Por Hugo Alves
Em 13/06/22

O ano era 2011 e os Rival Sons haviam finalmente chegado onde a maioria das bandas passa a vida inteira sonhando: um contrato com uma gravadora. As portas se abriam para mais investimento em seu trabalho, maior alcance de sua obra e turnês maiores e melhores. E, definitivamente, os caras não estavam pra brincadeira. Era o ano do "tudo-ou-nada", e podemos dizer que eles fizeram por merecer estar onde estavam ali. A resposta é o segundo disco de estúdio (terceiro, se contarmos o EP auto-intitulado, lançado no ano anterior), "Pressure and Time", primeiro trabalho lançado pela Earache Records, famosa pelo seu cast de bandas de Metal extremo (o que torna a contratação dos Sons pelo selo ainda mais notável). A título de curiosidade: este foi o primeiro trabalho do grupo lançado simultaneamente no Brasil, e chama muito a atenção que o álbum tenha saído pela Som Livre, a gravadora da Rede Globo, por assim dizer. Foi o único trabalho da banda lançado por esse grupo, por sinal – o que é uma pena, visto que o alcance de tudo que a Globo põe a mão é absurdo e poderia fazer a banda ser enorme em nosso país. Enfim, vamos ao disco.

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A bolachinha abre com "All Over the Road", um Rock rápido, direto, sem firulas e com letrinha e clipe bem bobos, mas que faz a vez de ótimo cartão de visitas. A segunda, "Young Love", é bem melhor, levada mid-tempo, belos solos de guitarra e um Jay Buchanan não menos que visceral, além da belíssima cozinha formada pelo ótimo Robin Everhart no baixo e pelo insano Michael Miley na bateria (o que esse cara toca é um absurdo, sério!). Mas é na faixa-título que a verdadeira mágica desse disco começa a acontecer.

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Sem sombra de dúvidas, existe um Rival Sons antes e outro depois da canção que batizou esse disco: "Pressure and Time" tem todos os elementos que construíram grandes clássicos do Rock, partindo de um riff de guitarra simples, poderoso e grudento que conduz a canção quase que inteira, uma cozinha gingada, dançante e raivosa ao mesmo tempo e uma linha vocal desesperada e violenta, mas igualmente apaixonada. Aqui, os Rival Sons decididamente deixaram para trás o status de revelação e tornaram-se uma realidade. Eu costumo dizer que eles são a banda certa no momento errado da História (com "H" maiúsculo mesmo). Se esses caras tivessem surgido ali nos anos 1960 ou (principalmente) 1970, nós não teríamos um triunvirato, mas um quarteto pré-Heavy Metal, formado por eles, Led Zeppelin (banda cuja fonte foi essencial para o som desses primeiros anos dos Sons), Deep Purple e Black Sabbath. Se você acha que estou exagerando, certamente ainda não escutou esses caras, ou não o fez com os ouvidos certos. Uma das maiores provas disso é essa faixa-título, à qual acabei dedicando este parágrafo inteiro.

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O disco diminui o peso e a velocidade com "Only One", canção que bebe diretamente da fonte de canções radiofônicas do fim dos anos 1970. Tem uma pegada Blues no instrumental e a fortíssima veia Soul na voz sempre irretocável de Jay Buchanan, que entrega uma performance digna de trilha sonora de filme romântico, dada sua entrega e delicadeza na aplicação das notas. Mas é claro que essa leveza toda não duraria muito tempo e os caras voltam a pisar fundo no acelerador com "Get Mine", um Rockão de garagem ardido até no baixo, sem respirar, do jeito que todo bom Rock setentista é, apresentando também um dos melhores refrãos do disco. Certamente quem os viu tocar essa ao vivo se divertiu demais! Essa segunda trinca finaliza com "Burn Down Los Angeles", que ganhou status de clássico dos primórdios do grupo. Mike Miley dita os rumos com uma batida seca e decidida que conduz a canção até o fim. Certamente outro dos grandes momentos da banda até aqui!

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Toda vez que uma canção tem a palavra "save" no título, a gente já lembra de canções arrebatadoras, super cheias de atmosferas, lindas melodias e até pensa em casais apaixonados se beijando e sendo embalados pelas singelas obras. Em "Save Me", os Rival Sons te convidam a se despir totalmente dessa ideia e viajar naquela que é provavelmente a canção do disco que mais vai te deixar sem ar, principalmente se você tentar acompanhar a letra junto à voz de Jay Buchanan. Os caras estão livres nessa aqui, fazendo o que querem e passeando à vontade. Por sinal, esse é um dos melhores momentos de Scott Holiday em sua Gibson Firebird VII azul e dourada (Jesus, um dia eu quero ter uma igual). O jeito dele tocar é interessantíssimo, ele não faz o tipo "guitar hero" e justamente por isso acaba acidentalmente se tornando um. Líder indiscutível da banda, sabe como fazer a música do grupo "chegar lá" e sempre joga pelo time. Cada segundo de música transpirado por esses quatro caras agradece.

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Chegamos à trinca final, a começar por "Gypsy Heart" – e é incrível como bandas com sonzão setentista, sejam as que realmente viveram os anos 1970 ou aquelas que, como os Sons, reproduzem esse tipo de som atualmente, necessitam tocar no tema "gypsy" em algum momento. Que delícia de som, os Sons sempre entregam um ou dois sons por disco, fazendo o que querem como se não devessem nada a absolutamente ninguém (embora se saiba que bandas em início de carreira devem, sim, e muito, pois precisam provar seu valor). Com o perdão do trocadilho, "White Noise" faz juz ao barulho em seu título. Não é a melhor do disco, mas mantém o alto nível sonoro e qualitativo. Pra finalizar, "Face of Light" é a primeira balada dos Rival Sons que ganhou status de clássico e preciso dizer que, se em "Pressure and Time" (a canção) a banda cresce e ganha status pra além de revelação, nesta belíssima canção é indispensável elogiar Scott Holiday como compositor e Jay Buchanan como intérprete. Por favor, feche os olhos e se permita viajar ao som dessa canção. Quando terminar, tente demorar mais uns vinte segundos curtindo o silêncio e então, finalmente, abra devagar os olhos. Eu garanto que você nunca mais vai esquecer a sensação.

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O trabalho de arte visual do disco foi feito por ninguém menos que Storm Thorgerson, o mesmo cara que criou capas de discos clássicos de pesos-pesados como Genesis, Pink Floyd, Led Zeppelin e, mais recentemente, Muse. A capa já é um ícone da cultura Pop, o cara é um gênio. A produção ficou novamente a cargo de Dave Cobb que, a essa altura, já era considerado – inclusive pela própria banda – como um "quinto membro honorário", já que foi responsável por direcionar o som dos caras sem mexer na essência do grupo.

O ano de 2011 ainda trouxe alguns fatos marcantes na carreira deles. Por terem chamado a atenção de ninguém menos que Gene Simmons (baixista e vocalista do Kiss, se é que preciso dizer isso), tocaram em sua festa particular do Super Bowl chamada "Aces & Angels". Abriram as portas para The Vintage Trouble como sua banda de abertura, tocaram em diversos festivais europeus, viram a canção "Torture" (do EP lançado no ano anterior) virar parte da trilha sonora do filme "Gigantes de Aço" – estrelado por Hugh Jackman –, foram banda de abertura de Lady Starlight, Evanescence (a pedido da vocalista Amy Lee), Queensryche e Judas Priest, foram escolhidos por votação popular como melhor banda nova pelos ouvintes da Planet Rock Radio e foram nomeados na mesma categoria pela Classic Rock Roll Honour of Awards. Para uma banda que acabara de lançar seu primeiro disco por uma gravadora renomada, foram muitos frutos a serem colhidos, merecidamente. O disco "Pressure and Time" colocou os Rival Sons no radar de uma galera que ainda não os conhecia e renovou o Rock (sem essa de salvação do Rock, claro), num momento em que o estilo andava meio plastificado com tanta banda genérica e, especialmente no Brasil, terem saído pela Som Livre deu ar novo a quem já não aguentava mais as bandas de caras baixinhos e barbudos vestindo ternos de brechó, tocando suas Fender Telecaster ou Jaguar e seus trompetes e achando que eram gente só por soar como pastiches dos Los Hermanos (banda que eu adoro, por sinal, mas que inventou uma moda terrível com um séquito de horrorosos seguidores). Uma banda como os Rival Sons era extremamente necessária naquele momento, e ainda é hoje em dia. Vai lá escutar. Duvido que você discorde de mim.

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Sobre Hugo Alves

Hugo Alves é formado em Letras (Português and Inglês) pela UNISO - Universidade de Sorocaba e futuro mestrando em Literatura ou Semiótica. Começou a escutar Rock aos 11 anos com "Bring Me to Life" do Evanescence, mas o que o tomou para sempre para o Rock and Roll foi "Fear of the Dark" (versão ao vivo no Rock in Rio), do Iron Maiden, banda que, ao lado de The Beatles, considera como favorita, amando quase que igualmente os sons de Viper, Angra, Shaman, Andre Matos, Rush, Black Sabbath, Metallica, etc. Foi vocalista das bandas Holygator e Bad Trip, iniciantes em Sorocaba/ SP, e também toca guitarra e baixo. Outra de suas paixões é a Literatura, pela qual desenvolveu o gosto pela escrita e comunicação.

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