Resenha - Voyager - Manilla Road
Por Diogo Muniz
Postado em 16 de dezembro de 2020
O que acontece quando Mark Shelton decide gravar um disco inteiro com temática viking? A resposta para essa pergunta é "Voyager", o décimo quarto álbum de estúdio do Manilla Road. Infelizmente durante a época das gravações desse álbum a banda sofreu alguns revezes. Primeiro foi o vocalista Bryan Patrick que por problemas pessoais teve que afastar das gravações do disco, ou seja, em "Voyager" os vocais foram feitos inteiramente por Mark Shelton. Felizmente os problemas de Bryan foram resolvidos a tempo dele assumir os vocais para a turnê de divulgação do disco. Por outro lado, o baixista Harvey Patrick teve que sair da banda após as gravações, e para assumir as quatro cordas na turnê foi recrutado Vince Goleman. Apesar de ter sido um período turbulento nada foi grave o suficiente para atrapalhar ou afetar negativamente o vindouro disco; e "Voyager" se mostrou ser mais um ponto forte na carreira da banda.
Como já dito anteriormente, "Voyager" é um disco inteiramente voltado para a temática viking, e a capa mostra uma belíssima arte que mostra três vikings navegando em um uma embarcação cuja proa é ornada em forma de dragão. Uma capa que realmente chama a atenção.
O disco abre com "Tomb of the Serpent King (Butchers of the Sea)", uma canção de abertura totalmente diferente de tudo que o Manilla Road já havia feito até então, pois conta com uma introdução de quatro minutos narrada por Mark Shelton, preparando terreno para o que viria a seguir. Quando a música começa temos uma pedrada que apresenta apropriadamente os vikings. Aqui podemos ouvir Mark Shelton arriscando uns vocais guturais, que saíram muito bem executados, diga-se de passagem.
Em seguida temos "Frost and Fire", uma música mais cadenciada, mas que ainda mantém o peso e o clima da faixa de abertura. A letra retrata a resistência viking contra a conversão cristã.
A terceira faixa do disco é uma belíssima canção acústica. "Tree of Life", assim como o título sugere é sobre a Yggdrasil, a colossal arvore que na mitologia nórdica servia como o eixo dos nove mundos. Essa é uma canção que possui toda uma aura mística e um clima de magia, começando introspectiva e crescendo gradativamente culminando em um emocionante e inspiradíssimo solo de guitarra cuja base é altamente hipnotizante. É o tipo de canção que pega o ouvinte de jeito e o deixa viciado.
"Blood Eagle" possui uma introdução bem interessante feita ao som de órgãos, mostrando que Mark Shelton não estava com medo de experimentar novidades em suas composições. Após essa breve introdução temos mais uma pedrada. Facilmente uma das músicas mais pesadas, com riffs certeiros e novamente Mark Shelton investindo em vocais guturais.
Como não poderia deixar de ser, a fórmula (infalível) do Manilla Road - introdução lenta e introspectiva e refrão épico e grandioso – se faz presente em "Voyager", a faixa título. Entretanto aqui essa fórmula foi elevada a novos patamares, pois a intodução é de fato bem misteriosa e vai crescendo até chegar num refrão altamente épico e grandioso, digno de se escutar com os deuses em Valhalla. Um belo refrão feito para bater cabeça ou ficar apenas boquiaberto, tamanha é a sua grandiosidade. Facilmente um dos grandes destaques do disco, a ponto de deixar o ouvinte com as energias renovadas.
Mantendo aceso o espírito nórdico, temos uma contagem de um, dois, três, quatro em alemão. Essa contagem serve para nos guiar direto para "Eye of the Storm", mais uma canção acústica, no melhor estilo voz e violão. Outra canção introspectiva que ganha mais brilho na voz do velho bardo Mark Shelton. Uma canção que causa arrepios de tão fantástica.
Assim como um violento ataque viking, "Return of the Serpent King" já começa pesada e violenta, mostrando a que veio. É uma música que flerta bastante com o death metal devido a sua sonoridade mais agressiva. Vale a pena destacar os guturais de Mark Shelton e principalmente a bateria forte e marcante de Cory Christner. O rapaz parece espancar a bateria com vontade ao longo de todo o disco, mas nessa música parece que ele bate com mais vontade ainda.
Com uma introdução que lembra bastante "Masque of the Red Death" (canção do álbum "Mystification", de 1987), "Conquest" mantém o peso e agressividade. Alíás, ela chega a ser até mais pesada que a música anterior, com uma sonoridade ainda mais próxima de um poderoso death metalo, com Mark Shelton cantando inteiramente com vocais guturais.
Após esse ataque sonoro, somos conduzidos ao som de violões para a faixa de encerramento. "Totentantz (The Dance of Death)" também segue a fórmula clássica do Manilla Road com bastante elegância, inspiração e riffs cortantes. Aqui a voz envelhecida de Mark Shelton dá um clima ainda mais interessante para a música, dando a ela o clima épico que ela merece, principalmente em seu refrão que é daqueles grudentos. Uma faixa que encerra o disco da maneira que ele merece.
Desde que a banda retomou as atividades nos anos 2000, manter a estabilidade no line-up tem se mostrado um verdadeiro desafio. Entretanto Mark Shelton se manteve sempre focado em sua missão com o Manilla Road, enfrentando como um verdadeiro guerreiro viking todos os percalços que encontra. Além disso, toda a experiência com as gravações dos discos anteriores deram o know how necessário para que a banda continuasse produzindo discos de grande qualidade, tanto do ponto de vista técnico das composições quanto no quesito produção, e "Voyager" é mais uma prova da qualidade e valor do Manilla Road.
Tracklist:
Tomb of the Serpent King (Butchers of the Sea)
Frost and Fire
Tree of Life
Blood Eagle
Voyager
Eye of the Storm
Return of the Serpent King
Conquest
Totentantz (The Dance of Death)
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