Resenha - Dwellers Of The Deep - Wobbler
Por Luis Rios
Fonte: The Rock Life
Postado em 16 de novembro de 2020
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Digo, preliminarmente, que o Wobbler conseguiu ir um pouco além e mostrar mais elementos e mais autenticidade nas canções. Estão muito mais coesos como banda e intrincados, no bom sentido. Ao mesmo tempo que o álbum tem um som complicado, agrada aos ouvidos e não requer duzentas e cinquenta ouvidas pra entender.
Gravadora: Karisma Records
Data de lançamento: 23/10/2020
Gênero: Rock Progressivo
País: Noruega
Não resta a menor dúvida de que o Wobbler é uma banda que cultua algumas das mais emblemáticas entidades do Rock Progressivo setentista. Sua sonoridade é baseada nas timbragens de guitarras e teclados dessas bandas e suas vocalizações lembram bem certos vocalistas daquela geração. Eles são uma expressão da música progressiva clássica dos anos de 1969 até mais ou menos 1974. É fato, também, que encontramos nas bandas de Progressivo que surgiram a partir da década de 1990, muitas semelhanças musicais com o "Prog setentista" e é escasso o número de bandas que realmente apresentam um som genuíno e particular. As influências sempre serão benéficas, mas o que incomoda são as cópias descaradas que vemos muito por aí. Não penso que seja o caso do Wobbler. Sua música traz muito de bandas como Yes, King Crimson, Genesis, Van Der Graff Generator e Gentle Giant, além de toques leves de Kansas e Camel.
Porém, sentimos de primeira, uma autenticidade na mescla que possuem seus arranjos com a música folclórica norueguesa e uma pegada clássica em suas harmonias. É muito bom ouvir seus antigos belos trabalhos e, principalmente, seu mais novo álbum. Perceber que eles vem melhorando mais e mais na construção de seus arranjos é inevitável. Usam instrumentos puramente da década de 1970 e carregam sua música com timbres simplesmente encantadores. É um rock sinfônico espetacularmente bem composto e produzido. Flauta, Hammond organ, saxofone, mandolim, cravo, guitarras, um contra baixo pulsante e a bateria técnica e com algum rebuscamento, são os elementos que caracterizam este excelente novo álbum chamado Dwellers of the Deep.
A banda da cidade de Honefoss na Noruega iniciou sua estória em 1999, porém ficou conhecida do grande público a partir de 2005 com o lindíssimo debut Hinterland. Percebe-se facilmente um vento soprando da Escandinávia em suas canções. Há momentos exuberantes, elaborados com as harmonizações das guitarras elétricas e acústicas com os Hammonds. A flauta e o sax aparecem pra dar mais complexidade e refinamento. Eles conseguem muito equilíbrio e a elegância sonora desse novo disco é uma marca evidente. Seu mais aclamado disco, From Silence To Somewhere (2017), sedimentou de vez sua reputação como uma das mais grandiosas bandas Prog da atualidade. Algo que começou a acontecer com Rites At Dawn (2011). Esses dois álbuns os elevaram de forma cabal e definitiva.
Outro detalhe que vale nota é o álbum lançado em 2009. Afterglow foi composto nos primórdios de 1999. Entretanto, só foi gravado entre 2007 e 2008. As composições são o retrato do que marcou o início da banda de fato. É um disco imperdível, porque tem aquela aura de pureza de uma excelente banda que começa a encontrar seu caminho sonoro. Tem muitos teclados e flautas. É menos Yes e mais Gentle Giant e Van Der Graff Generator, podemos dizer. Com toda esta prefação, podemos adentrar mais profundamente na análise do novo álbum.
Digo preliminarmente que o Wobbler conseguiu ir um pouco além e mostram mais elementos e mais autenticidade nas canções. Estão muito mais coesos como banda e intrincados no bom sentido. Ao mesmo tempo que o álbum tem um som complicado, agrada aos ouvidos e não requer duzentas e cinquenta ouvidas pra entender. É a união de elementos dos dois trabalhos antecessores com a adição de mais inspiração, criatividade e alma. Apesar de manterem o mesmo estilo de composições, com uma grande "suite" que ultrapassa os 19 minutos e outras canções que não são pequenas (exceção para Naiad Dreams, uma linda canção acústica), os músicos criaram verdadeiras grandes obras do Prog, características deste gênero. Aliás, um adendo. Por quê o Prog sofre tanto com rótulos pejorativos? São injustos a meu ver. Claro que ninguém vai descobrira a pólvora novamente, mas a má vontade em conhecer e reconhecer o talento de algumas bandas da nova geração me intrigam. Será que ouvem atentamente os novos sons? Será que há realmente interesse por parte de todos da comunidade do Rock para apreciar novas tentativas ou a preguiça impera? Evidentemente que não é uma música fácil de digerir.
Há muito em que se concentrar e assimilar na audição de Dwellers of the Deep. Mas após atentas passadas e reouvidas, você vai se deleitar com o que eles fizeram. As descobertas precisam de mais audições e a música classica e progressiva necessita deste esmero. Fazendo isso, o som do álbum vai ficando bem mais interessante e inteligível. Gosto muito de ouvir o som de bandas atuais e alternar a audição com músicas das bandas tradicionais do Prog. É um exercício para os ouvidos e para a sensibilidade musical. É muito interessante. Procurar as texturas de teclados – são os Moogs agora ou só tem o órgão? Entender como eles se harmonizam com as linhas de guitarras e diferenciar quando um está fazendo a base e o outro solando e vice versa… Os vocais se harmonizam com os teclados, que são de fato preponderantes no arcabouço sonoro do Wobbler.
É muito divertido também sentir o baixo e a bateria segurando a cadência ou variando essa, enquanto os teclados e guitarras revezam o protagonismo em grandes passagens viajantes. Isso é o Rock Progressivo e para um amante como eu, esse disco e essa banda são imperdíveis. O produto final está impecável. Essas características estão expostas claramente na sonoridade de Dwellers of the Deep. O álbum é composto por 4 músicas. Uma "suite" enorme, o primeiro single da banda, Five Rooms que é muito melódico e momentos etéreos e experimentais. O fechamento com chave de ouro, pode ser a meu ver, a melhor música criada pela banda até então, Merry Macabre de 19 minutos, cria uma atmosfera em nossos pavilhões auriculares, cérebro e nervos de crescente tensão. O piano marca a música incrivelmente, porque as notas são dramáticas e fazem um contraponto com o melódico e o sinfônico, de forma muito individual e equilibrada. A composição é algo como uma sonata. O piano faz você voltar atrás na música e ao mesmo tempo, te faz ir a frente como se estivéssemos ouvindo sempre algo que se desenvolve ou se reestrutura sem perder a essência básica da criação em que foi estruturada. Esse é o poder do Prog Rock, com a base da música que foi ensinada tão bem por Emerson Lake & Palmer, Renaissance e outros precursores.
Aqui, nesse álbum, essa receita é replicada lindamente e com personalidade. Isso torna as músicas únicas e capazes de mexer com a sensibilidade de forma intensa. E o álbum em si, é algo de extrema qualidade e de diferentes retalhos melódicos. Espero realmente que essas linhas possam atrair mais audiófilos para o Prog atual e que de fato o Wobbler, cada vez mais, se consolide como um dos grandes da cena Progressiva no mundo. Recomendo ainda que ouçam o álbum e durante a empreitada, analisem a capa. Várias vezes. A experiência é extremamente aprazível!
FONTE: The Rock Life
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A reação de George Israel ao retorno do Kid Abelha
A resposta sincera de Aquiles Priester para quem diz que ele é "chato"
Rage anuncia cancelamento de turnê pela América do Sul
Os dois álbuns do Metallica que Andreas Kisser não curte: "Ouvi apenas uma vez na vida"
Por que Leoni ficou de fora da reunião do Kid Abelha com Paula Toller? Lembre as brigas
Jay Weinberg fala pela primeira vez à imprensa sobre demissão do Slipknot
A sincera opinião de James Hetfield sobre "Master of Puppets", clássico do Metallica
O maior disco do metal para James Hetfield; "Nada se comparava a ele"
Quais são as 4 maiores bandas do heavy metal, segundo a Ultimate Classic Rock
O músico que Roger Waters não queria que subisse ao palco por não ser famoso
A melhor faixa de "The Number of the Beast", do Iron Maiden, segundo o Loudwire
A música épica de 23 minutos que o Dream Theater tocará em seus próximos shows no Brasil
A melhor banda que Dave Grohl já viu: "Vontade de beber cem cervejas e quebrar janelas"
Bill Ward homenageia Cozy Powell em programa de rádio: "um anjo"
A profunda letra do Metallica que Bruce Dickinson pediu para James Hetfield explicar
Os 10 melhores discos do rock dos anos 70, segundo o RYM
Por que Casagrande precisou de escolta de psicóloga para participar de programa de Gordo?
A banda grunge que nunca saiu dos ouvidos de Jimmy Page do Led Zeppelin

"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme


