Scars: nasce um clássico do Thrash nacional
Resenha - Predatory - Scars
Por Alexandre Veronesi
Postado em 27 de maio de 2020
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Imagine-se em um bom restaurante. Você pede ao garçom um suculento filé mignon. A carne chega impecável, ao ponto ideal e com uma bela apresentação, mas acompanhada por um inusitado ingrediente extra (maiores detalhes ficam a cargo de sua imaginação). Ao provar, imediatamente nota-se que o tal elemento surpresa aprimorou ainda mais o sabor da refeição, realçando a sua já excelente experiência gastronômica. Pois bem, essa foi a minha sensação ao ouvir "Predatory", novo álbum de estúdio da banda SCARS.
Formado em 1991, o grupo atravessou diversos altos e baixos durante sua carreira: desde o reconhecimento na metade dos anos noventa, com o split "Ultimate Encore"; passando pela ascenção na época do incrível EP "The Nether Hell"; até a queda em "Devilgod Alliance", primeiro full-lenght, que embora seja um bom disco, marcou uma brusca alteração no line-up e posterior encerramento das atividades. Finalmente (e felizmente), no ano de 2018, Régis F. (vocal) e Alex Zeraib (guitarra), integrantes da formação clássica, resolvem reativar o SCARS, após uma massiva campanha online por parte dos fãs. Poucos meses após o anúncio do retorno, duas novas músicas foram disponibilizadas através das plataformas digitais - "Armageddon" e "Silent Force", prontamente aclamadas por público e crítica especializada. 2019 veio com uma série de shows brutais e memoráveis, em divulgação à nova fase da banda. Mas, ainda falta algo para consolidar essa volta, certo? Pois bem, a espera está próxima de terminar. "Predatory", novo álbum de estúdio do quinteto, será lançado mundialmente no dia 07 de Agosto de 2020, pela gravadora Brutal Records. A produção é assinada por Wagner Meirinho, e a arte da capa pelo designer gráfico Luís Dourado.
Além dos já citados Régis e Alex, o line-up atual conta com Marcelo Mitché no baixo e João Gobo na bateria. O posto de segundo guitarrista sofreu algumas alterações ao longo dos meses, mas se estabilizou com a entrada do virtuoso Thiago Oliveira, que, entre outras, foi parte da banda do lendário cantor Warrel Dane (Nevermore, Sanctuary).
Primeiramente, é necessário destacar o conceito central do disco, que como sugere o título, aborda o predatismo infreável do ser-humano, prática esta que é cruelmente aplicada à todas as esferas imagináveis: fauna, flora, corporativismo, âmbito social, etc. Um tema incondicionalmente contemporâneo, que nos faz refletir sobre os porquês de vivermos em um mundo assolado por tristeza, ódio, doenças e corrupção.
A este ponto, provavelmente o primeiro parágrafo da matéria ainda soe desconexo para você, caro leitor, mas irei explicar. Quem conhece o SCARS sabe que o grupo executa um Thrash Metal do mais alto gabarito - a nível internacional - portanto, as minhas expectativas acerca do novo álbum, naturalmente, eram extremamente elevadas. E o resultado final traz sim todo esse poder de fogo esperado, mas com um notável refinamento técnico e a muito bem-vinda inserção de elementos nunca antes explorados pela banda, ao menos não de forma tão acentuada.
A faixa-título, "Predatory", abre os trabalhos. Perfeitamente alocada neste início, possui uma boa introdução atmosférica que precede a pancadaria sonora, apresentando logo de cara ao ouvinte o panorama geral da bolacha: letra forte e pegajosa, poderosos riffs / solos de guitarra, baixo pujante, bateria demolidora e vocais furiosos, para headthrasher nenhum botar defeito. Na sequência, temos a direta e crua "These Bloody Days", um violento soco na boca do estômago, sucedida por "Ancient Power", canção de andamentos variados que, assim como outras que virão a seguir, explora temas ligados ao misticismo e ocultismo (cortesia do frontman Régis, um estudioso da área). "Sad Darkness Of The Soul" aborda um assunto pertinente e bastante em voga: a depressão, que eventualmente culmina no desejo do suicídio. A sonoridade é marcante, densa e sombria, assim como seu conteúdo lírico, além de possuir uma primorosa abordagem instrumental / vocal, com destaque às fantásticas linhas do contrabaixo de Mitché. Dando continuidade ao álbum, temos a instrumental "The Unsung Requiem", com sua belíssima melodia erudita apocalíptica; "Ghostly Shadows", que apesar de evidenciar toda a influência da escola norte-americana do Thrash que a banda possui, traz saborosas pitadas de Death Metal; e "The 72 Faces Of God", música tradicional, robusta e recheada de cadência. O encerramento da vertente inédita da tracklist fica por conta da rica "Beyond The Valley Of Despair", dona de passagens e solos de guitarra memoráveis (o que é uma constante em todo o registro), remetendo a ícones como Testament, Forbidden e Nevermore; e finalmente, "Violent Show", 6 minutos e 36 segundos convertidos em pura brutalidade old school, fazendo assim jus à sua alcunha. Se já não fosse o suficiente, foram ainda incluídos, como faixas bônus, os anteriormente mencionados singles "Armageddon" e "Silent Force", que é justo dizer, podem ser considerados jovens 'hits' do Metal extremo nacional, portanto, dispensam maiores comentários.
Diferenciado e visceral, "Predatory" foi concebido com absoluto esmero por uma equipe de músicos que entende, ama e respeita um dos mais queridos subgêneros do Heavy Metal. Importante marco na carreira do SCARS, que assim como uma fênix, ressurgiu - mais uma vez - triunfante das cinzas. Decerto este irretocável registro será lembrado nas tradicionais listas de melhores do ano.
Tracklist:
01 - Predatory
02 - These Bloody Days
03 - Ancient Power
04 - Sad Darkness Of The Soul
05 - The Unsung Requiem
06 - Ghostly Shadows
07 - The 72 Faces Of God
08 - Beyond The Valley Of Despair
09 - Violent Show
10 - Armageddon (bonus track)
11 - Silent Force (bonus track)
Formação:
Régis F. - vocal
Alex Zeraib - guitarra
Thiago Oliveira - guitarra
Marcelo Mitché - baixo
João Gobo - bateria
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Lemmy Kilmister exigia que ingressos para shows do Motörhead tivessem preços acessíveis
O compositor com "duas das melhores músicas do mundo", segundo Bob Dylan
64 shows internacionais de rock e metal para ver no Brasil agora em abril
Ex e atuais membros da banda de King Diamond lançam novo projeto, Lex Legion
O dia em que guitarrista do Motörhead usou jornais para atrapalhar show do Heaven and Hell
Ritchie Blackmore explica por que saiu do Deep Purple: "Eram só interesses financeiros"
Max Cavalera não foi contactado sobre reunião com Sepultura, afirma Gloria
Judas Priest lançará reedição celebrando 50 anos de "Sad Wings of Destiny"
Os 30 melhores discos de heavy metal lançados nesta década, segundo a Louder
Os 20 maiores riffs de guitarra da história, segundo o Loudwire
Como a mais autêntica banda de rock da América gravou o pior álbum feito por uma grande banda
Silenoz explica significado do próximo disco do Dimmu Borgir
Luis Mariutti se pronuncia sobre pedidos por participação em shows do Angra
O curioso conselho que Phil Campbell recebeu de Lemmy Kilmister quando entrou no Motörhead
King Diamond: 7 coisas que você não sabia sobre "Abigail"


A todo o mundo, a todos meus amigos: Megadeth se despede com seu autointitulado disco
"Old Lions Still Roar", o único álbum solo de Phil Campbell
Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes


