Green Day: novo disco é, basicamente, um peido
Resenha - Father of All Motherfuckers - Green Day
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 17 de março de 2020
Nota: 4 ![]()
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Em 2014, Taylor Hawkins, baterista do então quinteto de rock alternativo Foo Fighters, usou em entrevista ao site The Music uma forma bastante peculiar e direta para se referir ao então novo álbum do U2, Songs of Innocence: "um peido".
O que todos esses artistas têm a ver com Father of All Motherfuckers, novo trabalho de estúdio do trio estadunidense de "punk" Green Day? Bem, sem receios de publicar o que pode ser uma das resenhas mais polêmicas da história do Sinfonia de Ideias, eu pego emprestada a terminologia de Taylor e atribuo-a à obra em questão.
A definição "peido" que eu uso aqui se deve primeiramente ao fato de ser um lançamento extremamente curto - um verdadeiro EP disfarçado. Posso mencionar dezenas de músicas de rock progressivo mais longas que essas dez faixas somadas.
Mas há mais semelhanças com a flatulência. Peidar é um ato divertidíssimo pra quem o comete. Mas pra quem está do lado, é desagradável. Você fica lá, rindo sozinho, e as pessoas em volta só têm olhares de julgamento e reprovação.
Foi mais ou menos a mesma cena quando eles foram lançando seus singles pouco a pouco e os fãs e a crítica apenas se entreolhavam, perguntando-se o que havia acontecido com os rapazes.
A direção musical vem ao encontro de uma das propostas do álbum, que é "o estilo de vida de cagar pra tudo". Claramente, o trio cagou para crítica, fãs, sua própria história, enfim. Exemplo disso é o fato de terem reaproveitado parcialmente a capa do clássico American Idiot (2004). Chega a ser ofensivo...
Outro problema do disco é que quando uma banda como o Green Day - historicamente associada ao gênero punk, quer queira quer não - anuncia algo com um título tão "agressivo" como "Father of All Motherfuckers" (Pai de Todos os Filhos da Puta, em tradução livre), você espera no mínimo algo crítico, ácido, agressivo, enfim, com algum tipo de atitude.
Mas o que vemos é um mar de canções (ou não - já falei da extrema brevidade?) nas quais Billie Joe Armstrong tenta acenar para um público jovem - do alto dos seus nem um pouco aparentes quase 50 anos de idade. Há críticas de sobra nas letras, é verdade, mas todas ganham tom de caricatura ante a instrumentação "moderninha".
No final das contas, só três momentos empolgam: o rock and roll cinquentista "Stab You in the Heart" e as relativamente densas e maduras "Meet You on the Roof" e "Junkies on a High". O resto? Bem, como todo peido, dissipa-se e é esquecido. E é só isto que tenho a dizer sobre esta peça.
Abaixo, o clipe de "Father of All...":
Track-list:
1. "Father of All..."
2. "Fire, Ready, Aim"
3. "Oh Yeah!"
4. "Meet Me on the Roof"
5. "I Was a Teenage Teenager"
6. "Stab You in the Heart"
7. "Sugar Youth"
8. "Junkies on a High"
9. "Take the Money and Crawl"
10. "Graffitia"
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