A banda punk que Billy Corgan disse ser "maior que os Ramones"
Por Bruce William
Postado em 29 de janeiro de 2026
Os Ramones viraram referência por um motivo bem simples de explicar e difícil de repetir: músicas curtas, diretas, com aquele motor ligado o tempo todo. Patti Smith resumiu isso numa entrevista de 1978: "toda banda new wave deve metade do coração aos Ramones". E, goste você ou não de rótulos, dá pra entender o que ela queria dizer: muita gente aprendeu a tocar e a compor olhando para aquele modelo básico.
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Só que Billy Corgan resolveu mexer nesse altar. Ele contou que teve um estalo ao ver o Green Day recebendo a estrela deles na Hollywood Walk of Fame e pensou: "Meu Deus... eles são maiores que os Ramones". A frase, publicada na Far Out, já é uma granada, mas o Corgan não parou nela.
Ele explicou o que estava chamando de "maior". Na leitura dele, os Ramones foram "número um" no mundo em que ele cresceu e "sempre vão ser número um" porque "vieram primeiro". Só que, com o tempo, ele diz que percebeu outra coisa: "Green Day realmente conseguiu. Eles são maiores que os Ramones. A influência deles é maior, o alcance é maior e, certamente, o sucesso é maior." E aí ele admite que demorou pra cair a ficha: "Eu cheguei tarde nessa festa aos 58 anos... mas até eu tenho que olhar e dizer: 'uau, eles conseguiram'."
Tem um detalhe que ajuda a entender por que ele falou com tanta propriedade: Corgan conhece os caras faz tempo. Ele diz que encontrou o Green Day lá atrás, no Lollapalooza de 1994, e guarda uma lembrança bem típica da época: "Eles costumavam rir de mim quando eu jogava basquete contra os monges, e davam risada, como os punks que eles são.". Billy está se referindo aos monges tibetanos (os Namgyal Monks) que viajavam com a turnê e até apareciam no palco - e rolava jogo de basquete nos bastidores com a galera.
A "pegadinha" aqui é que muita gente vai ler "maior" como "melhor". Ele não está dizendo isso. O que ele está dizendo, do jeito dele, é sobre tamanho de alcance e presença cultural: quantas gerações foram atingidas, até onde isso foi, e por quanto tempo se sustentou. Dá pra discordar - e provavelmente vão discordar mesmo - mas o argumento dele não é técnico, é simplesmente uma mensuração de escala que inclusive pode ser imprecisa.
E aí a conversa fica interessante porque ela não diminui os Ramones. Na verdade, ela joga luz no paradoxo: uma banda pode ter sido o ponto de partida e continuar sendo o "número um" emocional de muita gente, enquanto outra vira a banda punk mais "universal" em termos de público, rádio, arenas e reconhecimento mainstream. Corgan só colocou isso em voz alta com a delicadeza de um tijolo.
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