ZZ Top: Os bandoleiros do Rock setentista
Resenha - Fandango! - ZZ Top
Por Vitor Sobreira
Postado em 10 de janeiro de 2020
Não fosse um baterista visualmente meio hippie ao fundo, qualquer um diria se tratar de algo relacionado ao Country, com dois sujeitos que mais me lembraram um Sérgio Reis, com caricatos chapelões. Pois é, mas estamos diante do quarto álbum do trio estadunidense ZZ Top! Lançado em abril de 1975 pela London – um dos selos da Universal Group – o trabalho foi um dos responsáveis por fazer com que a banda atingisse cada vez melhores resultados nas vendagens e com o público.
A respeito do curioso título, em uma pesquisa básica, concluí-se que se trata de um estilo musical fortemente marcado por uma dança com muito movimento e exibicionismo, conhecida na Espanha e em Portugal desde o período Barroco (entre o final do século XVI e meados do XVIII). Ou seja, não tem nada a ver com aquele salgadinho que você consumia com voracidade na infância.
Ainda sem as características "barbonas bíblicas", Billy Gibbons (guitarra e vocal) e Dusty Hill (baixo e vocal), além de Frank Beard (bateria) entregaram um disco meio maluco, que mesclou faixas ao vivo e de estúdio e um som que é classificado por muitos como Southern Rock, por outros como Blues Rock e por alguns como Hard Rock ou ainda simplesmente Rock’n’Roll.
A interessante trinca inicial é composta pelas energéticas faixas ao vivo "Thunderbird", "Jailhouse Rock" (música composta por Jerry Leiber e Mike Stoller, que ficou mundialmente famosa na voz de Elvis Presley) e "Backdoor Medley" (com as quatro "partes": "Backdoor Love Affair", "Mellow Down Easy", "Backdoor Love Affair N. 2" e "Long Distance Boogie"). Enquanto que o lado de estúdio se inicia a partir da funkeada, breve e intensa "Nasty Dogs and Funky Kings", mostrando que o track list será diversificado e bem temperado.
Se "Blue Jeans Blues" não fizesse jus ao título, seria sacanagem e o ouvinte poderia pedir seu dinheiro de volta. Mas, se tiver a fim de se afundar em um Blues carregado, não se esqueça dos cigarros, muito menos do uísque barato. Nada contra o estilo, mas definitivamente não faz tanto o meu gosto musical. Sem mais aborrecimentos "Balinese" puxa o alto astral setentista novamente com um bom Rock pra se cantar junto no refrão.
Quem entende que qualidade não depende da quantidade, sabe que três sujeitos invocados podem fazer uma barulheira dos infernos (vide o saudoso Motörhead) e aqui o ZZ Top já deixava o recado que tinha algo a mais a oferecer. Basta observar a guitarra do Reverendo Billy, que faz mais do que muitos metidões das seis cordas por aí. Claro, que guarnecido com as firmes linhas de baixo do seu – futuro – irmão de barba Dusty, e claro, sem nos esquecermos das baquetas de Frank. Ok, você pode não ser lá um apreciador dos "hombres", mas deve respeito! E vamos ser sinceros: uma boa produção faz toda a diferença também.
Com uma levada suave, quase Country (parece que os chapelões, como brinquei lá em cima, têm realmente algum significado!) "Mexican Blackbird" deve ter tocado muito por aqueles bares de beira de estrada, como vemos nos filmes enlatados "made in USA". Mas, não chega aos pés de "Heard It on the X", que em poucas palavras, fará com que se sacuda o esqueleto, e ainda acrescento que é um dos pontos altos da audição, ao lado da maliciosa "Tush" – facilmente uma das músicas mais famosas do trio. Sim, parece que o melhor foi deixado para o final… Mas enfim, é disso que o papai gosta, meu chapa!!
Lá se vão quase 45 anos de seu lançamento, e o disco permanece forte. Quem ainda não ouviu, que o faça logo!
Formação:
Billy Gibbons: guitarra e vocal
Dusty Hill: vocal e baixo
Frank Beard: bateria
Faixas:
01. Thunderbird (Live)
02. Jaihouse Rock (Live)
03. Backdoor Medley (Live)
04. Nasty Dogs And Funky Kings
05. Blue Jeans Blues
06. Balinese
07. Mexican Blackbird
08. Heard It On The X
09. Tush.
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