Coldplay: grupo volta à maturidade sem abandonar experimentações
Resenha - Everyday Life - Coldplay
Por Victor de Andrade Lopes
Postado em 28 de novembro de 2019
Nota: 9 ![]()
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Ao avaliar A Head Full of Dreams (2015), sétimo trabalho de estúdio do quarteto inglês Coldplay, eu disse que o caminho que eles haviam seguido musicalmente era sem volta. Mas parece que me enganei. É o que se conclui após ouvir Everyday Life, sucessor do disco supracitado e objeto desta resenha.
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Dado à luz após uma campanha que envolveu cartazes em cidades pelo mundo todo e cartas batidas à maquina de escrever, o oitavo lançamento de estúdio deste que é um dos nomes mais populares do mundo é duplo e vem dividido em "Sunrise" e "Sunset" - respectivamente, nascer e pôr do sol.
E por que me enganei? Porque a banda mostrou total disposição para retornar a um som mais encorpado e maduro. Mesmo assim, eu reluto em chamá-lo de "volta às raízes", como alguns vêm fazendo. Este trabalho tem incursões demais em terrenos novos ou mais ligados ao som recente deles para ser comparado apenas ao início da carreira dos caras.
Por exemplo, "Broken" é um gospel puro e simples e o encerramento do primeiro disco, "When I Need a Friend", também tem um clima bem religioso, só que desta vez com mais destaque para as vozes que acompanham o vocalista Chris Martin. E temos ainda "WOTW / POTP", com qualidade propositalmente abaixo do normal para indicar algo rústico e, por que não, improvisado.
"Daddy" poderia ter sido lançada no horroroso Ghost Stories por sua grande leveza, com a diferença de que é uma leveza do tipo bom, e não do tipo "fomos convidados a tocar na cerimônia de abertura da Copa do Mundo de Sono" como foi o caso do álbum supramencionado.
"Arabesque" é de uma finesse grande até para o padrão do grupo, mostrando-se efetivamente uma das músicas do ano, pela surpresa, pela riqueza, pelo bom gosto, enfim. Chama a atenção especificamente o ritmo marchante, o baixo pulsante e muito vivo e os providenciais metais, que vêm com um toque de Jerry Martin que nos remete à trilha sonora do jogo SimCity 4.
Já as ligações com o passado recente vêm, por exemplo, na serena e sintética "Church", que contrasta com a belíssima e puramente acústica abertura "Sunrise", levada só nas cordas.
Ou então em "Guns", que lembra "Major Minus" de Mylo Xyloto. Essa conexão com o passado contrasta com o ineditismo de conter mais palavrões por m² que toda a discografia pregressa deles.
Outras canções dignas de nota incluem a boba alegre "Cry Cry Cry" e o quase instrumental "Bani Adam" que desemboca no destaque já mencionado "Champion of the World". Separando os discos, temos um interlúdio de sinos de igrejas que, por algum motivo, veio separado em seis faixas curtíssimas.
Repetindo uma tradição recente, Everyday Life tem diversas participações especiais, mas de músicos bem menos conhecidos que as figurinhas pop com quem o Codlplay estava flertando. Trata-se de um seleto grupo de profissionais de diversos locais do mundo (principalmente de países muçulmanos).
Já faz um tempo que ressalto o fato do Coldplay não ser mais rock. Essa máxima continua válida aqui, mas não digo isso mais de forma pejorativa como antes. Agora, eu digo isso pelo simples motivo de que eles atingiram algo superior a categorizações.
Se eu finalizei a resenha de A Head Full of Dreams dizendo que ele nos dava "uma luz no fim do túnel quanto ao futuro da banda", posso finalizar esta dizendo que a tal luz não desapontou.
Abaixo, o lyric de "Arabesque":
Track-list:
Sunrise (disco 1)
1. "Sunrise"
2. "Church"
3. "Trouble in Town"
4. "BrokEn"
5. "Daddy"
6. "WOTW / POTP"
7. "Arabesque"
8. "When I Need a Friend"
Sunset (disco 2)
1. "Guns"
2. "Orphans"
3. "Èkó"
4. "Cry Cry Cry"
5. "Old Friends"
6. "بنی آدم"
7. "Champion of the World"
8. "Everyday Life"
Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/coldplay2019
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