Coldplay: Acertaram ou erraram em novo álbum?
Resenha - Coldplay - Everyday Life
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 22 de novembro de 2019
Nota: 8 ![]()
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A banda britânica Coldplay nunca escondeu o objetivo de levar o seu rock intimista a ares cada vez mais grandiosos e universais. Chris Martin e sua trupe usaram o melhor das influências de U2 e britpop no início dos anos 2000, e então mergulharam no pop quase eletrônico em seus trabalhos recentes. Agora, o quarteto entrega seu oitavo álbum "Everyday Life" (2019), o qual retoma uma sonoridade orgânica e retrô, mas sem deixar de ir além...
Aqui, temos as partes "Sunrise" e "Sunset", indo do rock alternativo eletroacústico ao experimentalismo, e amarrando diversidade de voz e arranjos a um grande acervo de temáticas: humanidade, união, pluralidade espiritual, e críticas ácidas à guerra e às políticas excludentes. A velha melancolia também voltou em parte, ainda que a esperança fale mais alto.
A razoável faixa "Church" é um dream pop que já abre o disco com espaço para influências culturais do oriente médio. Esse sutil fundo de ‘world music’ também está presente na ótima "Orphans", um pop/rock alegre e tribal com pitadinhas de Paul Simon, porém corajoso em sua séria letra sobre refugiados da Síria. A ousadia sônica atinge o ápice na excelente, densa e cinemática "Arabesque", uma espécie de fusion exótico que abusa de um arranjo de metais enquanto dispara uma mensagem política que deixaria o Roger Waters orgulhoso.
Voltando ao lado ocidental, destaco o gospel "BrokEn", de uma rusticidade bastante simpática. Já "Daddy" é uma balada lúdica ao piano com capacidade de nos arrancar algumas lágrimas, o que a torna uma das melhores do álbum! A quase progressiva "Trouble in Town" aborda o racismo, com uma construção que vai da serenidade soturna a um arrepiante ponto de tensão. E no folk ¨Guns¨, Martin soa como um Dave Matthews irritado, ao criticar o armamentismo.
Como nem tudo são flores, devo citar a leve inconstância da parte "Sunset", pois cai às vezes no mero exercício de ecletismo. E ainda temos faixas fracas como "When I Need a Friend", que parece um coral no culto de uma religião picareta, enquanto que a balada básica "Champion of the World" usa uma ‘vibe’ meio Echo and the Bunnymen para ser apenas campeã da sonolência.
Pode-se sintetizar o álbum "Everyday Life" através de sua boa faixa-título, uma canção sinfônica que não apenas indica a volta do Coldplay ao universo do rock alternativo diversificado, como também faz ligação com "Everybody Hurts" (do R.E.M.) e com todo o conceito de empatia estabelecido no disco. E assim se encerra uma jornada que, mesmo tendo imperfeições, lembra a essência artística do "Viva La Vida" (2008), e supera as obras lançadas pelos caras desde então. Aqui, há um sentimento sincero e realista: todo dia é incrível, e todo dia é terrível.
Músicas:
1. Sunrise
2. Church
3. Trouble in Town
4. BrokEn
5. Daddy
6. WOTW / POTP
7. Arabesque
8. When I Need a Friend
9. Guns
10. Orphans
11. Èkó
12. Cry Cry Cry
13. Old Friends
14. (Son Of Adam)
15. Champion of the World
16. Everyday Life
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