Axel Rudi Pell: Acertando a mão no quesito "vocalista"
Resenha - Oceans of Time - Axel Rudi Pell
Por Vitor Sobreira
Postado em 07 de novembro de 2019
Com uma carreira bastante produtiva que já atingiu a marca das três décadas, dezessete álbuns de estúdio e algumas dúzias de outros lançamentos, o guitarrista alemão Axel Rudi Pell se mantém bem firme com a banda que leva o seu nome, e promete ainda ter muita lenha pra queimar. Do início solo com ‘Wild Obsession’ (1989) até ‘Oceans of Time’ (1998), a formação sofreria algumas mudanças, em especial no que se refere a vocalistas, que foram três (Charlie Huhn, Rob Rock e Jeff Scott Soto) antes do estadunidense Johnny Gioeli (Hardline) finalmente ser a escolha acertada – tanto, que permanece até os dias atuais.
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Lançado pela Steamhammer em 21 de agosto de 1998, o sétimo álbum do Axel Rudi Pell, ‘Oceans of Time’, marcou tanto a estréia de Gioeli nos vocais e do tecladista Ferdy Doernberg, quanto a despedida de Jörg Michael nas baquetas – que já estava envolvido com outras bandas na época, como Stratovarius e Running Wild. Completando a formação, não poderíamos nos esquecer no baixista Volker Krawczak. Apenas como curiosidade todos os álbuns de estúdio da banda, foram lançados ininterruptamente pela gravadora supracitada, sendo praticamente um recorde!
Após a sombria instrumental "Slaves of the Twilight", riffs rasgantes e uma batida veloz trazem "Pay the Price", um típico e empolgante exemplo de Heavy/Power Metal, que também logo de cara emplacou ótimos solos da guitarra do alemão. Para quem conhece ao menos superficialmente o Hardline, certamente ainda hoje pode ficar curioso com Johnny Gioeli cantando esse tipo de som, mas é claro que o cara mostrou que dava conta do recado, com sua voz forte e que aparenta não demonstrar qualquer tipo de esforço para atingir o nível que as composições pediram.
Apesar de ainda estar no começo, o álbum permanece muito bem com "Carousel", que apresenta algumas doses de Hard, além de melodias e refrão sensacionais. Criar músicas longas nunca foi um constrangimento para Axel, muito menos posicionar-las uma seguida de outra, e assim é com "Ashes from the Oath" e seus quase 10 minutos – sendo que a anterior conta com 08:00. No entanto, a faixa cresce de uma entrada com voz e piano até o peso surgir, mas sem deixar o aspecto dramático, melodioso e cadenciado de lado… Até que um gigantesco solo de guitarra vira o prelúdio (e dá continuidade) para uma empolgante mudança brusca – tão brusca que ganha velocidade e ainda tem direito a solos de teclado. Antes que você pense em perder o fôlego, respire fundo pois "Ride the Rainbow" é mais uma ótima composição que vem na seqüencia, ainda que sem tantas surpresas.
Um título como "The Gates of the Seven Seals" entrega mais uma longa empreitada que passa dos 10 minutos, começando e permanecendo mais contida, transitando por passagens onde o instrumental deixa apenas o teclado fazendo companhia ao vocal, mas retornando logo em seguida, cadenciada. Sempre fico curioso em relação às faixas títulos, pois creio que devam ser um dos destaques do álbum, mas colocar uma balada após uma faixa mais contida, não gerou um resultado muito positivo, em termos de seqüencia, mas sem dúvidas é uma ótima composição, com o lado emocional bem forte nas interpretações.
"Prelude to the Moon (Opus #3, Menuetto Prelugio)" é a segunda instrumental do álbum, desta vez sendo uma peça voltada à guitarra. Sendo bem franco, pra quem é amante do instrumento é um prato cheio, mas pra quem não tem saco pra esse tipo de "exibição", pule. O título "Living on the Wildside" empolga e promete aquecer a reta final do álbum, que fica discretamente morno nos momentos citados acima. E realmente os ouvidos agradecem, pois traz aquela pegada forte e espetacular do Metal novamente!!
"Holy Creatures" encerra muito bem ‘Oceans of Time’, não deixando o clima querer esfriar novamente, se permitindo seções rítmicas mais aceleradas no refrão e em outros momentos após a metadade da música. Alguns vocais mais falados chamam a atenção, quase que narrativos. O longo solo, acompanhado por uma cama de teclado e uma bateria veloz, pessoalmente falando, soou muito melhor do que a supracitada instrumental.
Vinte e um anos já se passaram, o álbum ainda soa muito bem e – mais uma vez exaltando – Johnny Gioeli foi aquela escolha que já estava traçada no mapa da vida. Uma audição extensa, é verdade, mas os bons momentos fazem valer a pena. E como fazem!
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