The Hu: a banda que colocou a Mongólia no mapa do metal mundial

Resenha - Gereg - Hu

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Por Victor de Andrade Lopes
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Nota: 8

Heavy metal é o gênero musical mais incrível do planeta. Mesmo não sendo nem de longe o que goza de maior sucesso comercial, é o que mais eficientemente une culturas tão distantes e diferentes uma das outras. E nos conecta com países dos quais não sabemos quase nada. Como a Mongólia.

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É desta imensa e desabitada nação (sua densidade demográfica é a menor do mundo) que vem um dos nomes que mais têm sacudido o universo do metal recente. Fundado em 2016, o The Hu bombou a partir de 2018 com dois clipes no YouTube e logo pipocaram na imprensa especializada - afinal, não é todo dia que se ouve um grupo misturando metal com música do país asiático.

Em The Gereg, álbum de estreia do quarteto, eles entregam basicamente 50 minutos do interessante som que os fez ganhar milhares de fãs numa velocidade estonteante. O que é mais curioso no disco, contudo, é justamente o fato de que ele não tem nada de metal, no sentido estrito.

Mas a banda tem, de fato, uma "levada heavy metal" que nos dá a constante impressão de estar ouvindo uma versão do estilo sem distorção nas guitarras. E por mim, está tudo bem. Inclusive, o termo "Gereg" se refere a um antigo passaporte que conferia amplo direito de circulação a nobres mongóis de séculos atrás - e o metal é um gênero que pode tirar proveito desta mesma mobilidade hoje.

Exceto pelas letras, as faixas do disco não mudam expressivamente de uma para a outra. Não que sejam repetitivas, mas nunca há um grande distanciamento da base musical, que no caso é rock levado no ritmo e nos instrumentos típicos. Enquanto eles ainda surfam na confortável onda do ineditismo, está tudo bem. Daqui a uns três lançamentos, veremos.

Algumas canções chamam mais atenção do que outras, é claro. "The Great Chinggis Khaan", por exemplo, presta homenagem ao conquistador asiático cujo nome é mais comumente grafado como "Genghis Khan". Adorado na Mongólia e condenado por quase todo o resto do mundo, ele só poderia ter recebido uma peça com relativo alto peso.

"Yuve Yuve Yu" é um dos pontos altos e talvez uma das que melhor sintetizam a essência do som do The Hu. Outro destaque é o encerramento relativamente longo "The Song of Women", um ode às mulheres desse país (onde elas sempre tiveram uma imagem mais valorizada do que no resto do continente) que termina dum jeito levemente parecido com "Sheep", do Pink Floyd.

Outros momentos nos brindam com levadas tribais que nos remetem a ninguém menos que Arandu Arakuaa - sim, a magnífica banda brasileira que mistura Thrash com música indígena. Falo de "Wolf Totem", "Shoog Shoog" e "Shireg Shireg", especificamente. Pudera, "Shoog Shoog" faz referência ao chamado de mesmo nome que conecta os xamãs aos espíritos antigos.

Seria imperdoável encerrar o texto sem ressaltar também o extenso uso que os rapazes fazem de uma das manifestações musicais mais marcantes da Mongólia (e regiões próximas): o canto difônico, por meio do qual uma única pessoa é capaz de manipular dois ou mais sons com sua própria voz - um verdadeiro órganon de um homem só.

O grupo que colocou a Mongólia definitivamente no mapa do metal mundial deve ser duplamente louvada por sua façanha. Não apenas pelo ineditismo da coisa, mas simplesmente porque conseguiu realizá-la sem nem usar metal "de verdade".

Abaixo, o vídeo de "The Great Chinggis Khaan":

Track-list:
1. "The Gereg"
2. "Wolf Totem"
3. "The Great Chinggis Khaan"
4. "The Legend of Mother Swan"
5. "Shoog Shoog"
6. "The Same"
7. "Yuve Yuve Yu"
8. "Shireg Shireg"
9. "The Song of Women"

Fonte: Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/thegereg




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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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