Carcass: Perversidade e um tipo de beleza desfigurada
Resenha - Heatwork - Carcass
Por Ricardo Cunha
Postado em 30 de agosto de 2019
Nota: 10 ![]()
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Fundada na segunda metade dos anos 80, em Liverpool – cidade conhecida por ser a terra natal dos Beatles – a banda era adepta de um estilo ultra-brutal e por isso são considerados um dos pais do chamado "Goregrind", uma linha que mescla Death Metal com Grindcore e, cujas bandas adotam uma temática "gore", ou seja, letras que falam explicitamente de doença e de violência. No entanto, eles abandonaram completamente essa forma de fazer música e, a partir daí, criaram um som inovador dentro de uma vertente absolutamente radical.
Necroticism - Descanting the Insalubrious (1991) é o disco que assinala essa mudança, mas foi no álbum seguinte que a banda meteu o pé na jaca.
Heartwork é um apanhado de dez músicas executadas em pouco menos de quarenta e dois minutos e é considerado por muitos como o melhor trabalho da banda, bem como um dos melhores álbuns do gênero. Os responsáveis diretos pela mudança de orientação foram os guitarristas Bill Steer (Napalm Death) e Michael Amott (Arch Enemy), que escreveram quase todo o material em questão. Na bateria, Ken Owen (bateria) e Jeff Walker (vocal/baixo) completam a banda.
Ao contrário dos anteriores, neste disco, o foco não era tocar à velocidade da luz, mas criar melodias marcantes e desafiadoras. Em 1) Buried Dreams, a narrativa é sobre o processo criativo do álbum. 2) Carnal Forge, é pesada apesar da tentativa de fazer algo com mais apelo ao emocional. 3) No Love Lost, é mais um tema em que exploram a dor através de elementos sonoros com significados particulares que podem causar uma sensação de ansiedade ou angústia. 4) Heartwork, faixa que dá nome ao disco, soa um pouco semelhante ao álbum anterior, só que mais polida e clara.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
5) Embodiment é um exemplo de que os guitarristas parecem NÃO se importar em tocar o mais super rápido, eles se alternam nos solos de um modo simples e cooperativo. 6) This Mortal Coil, começa com blastbeats no estilo grindcore, mas logo muda para algo NWOBHM. 7) Arbeit Macht Fleisch, começa de uma forma a quebrar o padrão musical do álbum, mas mesmo tentado soar diferente, ao longo da faixa é possível identificar elementos repetidos em momentos anteriores. 8) Blind Bleeding The Blind começa como um dos momentos mais instigantes do disco (aquele em que o banger corre para o moshpit cheio de felicidade), mas novamente, muda de andamento e parte para algo mais lento e técnico. 9) Doctrinal Expletives, ao contrário, talvez seja o menos instigante no sentido de bater cabeça, mas está na estrutura do álbum como um elemento fundamental, visto que o foco aqui é energia e não velocidade. 10) Death Certificate, esta sim, é (para este que vos escreve), o melhor momento do álbum. Uma música empolgante, pesada e a mais rápida do disco.
Destaque para o trabalho de Jeff que pode ser definido literalmente como um registro regular de grunhidos, urros e gritos, sempre mantendo uma sensação consistentemente e intensa de maldade. Ele parece cuspir ranço em cada música e isso soa tão perverso que pode provocar asco até em Satanás. Heartwork deu a Jeff a oportunidade de fazer uma performance vocal para se orgulhar e creio que seja seu melhor desempenho na banda. Mas, de um modo geral, cada músico pode se considerar importante no seu papel para o resultado final do álbum, pois juntos, fizeram um trabalho sólido onde há espaço para a maldade plena e um tipo de beleza desfigurada
A produção, que ficou a cargo de Colin Richardson, que já trabalhou em mais de 100 álbuns (Behemoth, Kreator e Napalm Death, entre outros) é clara e precisa. Apenas o baixo não é notado (a não ser com algum esforço) o bastante, mas creio que nenhum produtor no mundo tenha conseguido fazer o milagre de destacar o baixo em qualquer álbum de música extrema.
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