Scalene: Um álbum meio broxante de MPB?
Resenha - Respiro - Scalene
Por Fábio Cavalcanti
Postado em 27 de julho de 2019
Nota: 5 ![]()
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Scalene é uma banda de rock alternativo formada em Brasília, capitaneada por Gustavo e Tomas Bertoni, e que fez alguma fama por ter se destacado no programa Superstar (Rede Globo). Em plenos "anos 2010’s", essa migalha de visibilidade foi o bastante para o quarteto se tornar um dos poucos exemplares ‘mainstream’ do nosso maltratado gênero. E após três álbuns focados numa mistura elegante de rocks, baladas, peso e melancolia, o grupo entrega um disco que, para o bem e para o mal, é o mais ousado e introspectivo da sua carreira: "Respiro" (2019).
Aqui, o Scalene investe em uma sonoridade de tons meditativos, seja em voz, timbres, entrelaces acústicos e eletrônicos, e numa produção "moderninha" que joga as guitarras e baterias para escanteio. As letras consistem de devaneios existencialistas, descobertas de novas perspectivas de vida, e algumas pontuais críticas sociais – provando mais uma vez que o rock, em maior parte, continua avesso a ideologias retrógradas. Porém, essa mistura resulta em uma quantidade considerável de canções pouco inspiradas, além de certo sentimento letárgico...
"Vai Ver" e "Ilha no Céu" são ‘sambas-rock’ soníferos, com violões meio picaretas de bossa nova, e que caem no lugar-comum daquilo em que se transformou o rock nacional após o auge do Los Hermanos. "Tabuleiro" se perde na sua poesia labiríntica, e também distrai o ouvinte que poderia se deixar levar pelo suingue e cadência peculiares da canção. E a quase sinistra "Esse Berro" consegue trazer resultados cômicos, em especial por causa da participação de um Ney Matogrosso que parece recém-chegado de uma abdução alienígena.
José Ricardo Peret | Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Já "Ciclo Senil" é um petardo hipnotizante de tensão crescente, e que se beneficia também de uma espertíssima letra ácida. E "Furta-Cor" é um pop/rock com temperos R&B – intensificados pela boa participação vocal de Xênia França -, e que nos faz flutuar com o seu refrão etéreo e comovente. As lindas e singelas "Casa Aberta" e "Assombra" parecem algo que o Coldplay faria após passar um tempo no Brasil... E num extremo mais soturno, a dissonante e esquizofrênica "Percevejo" soa como um Radiohead rústico que resolveu compor dentro de um calabouço.
Beneficiado pela coragem de usar influências que vão da MPB ao trip hop, o álbum "Respiro" faz valer o seu próprio título: é um relaxamento em um novo ambiente sônico. Pena que, à parte de algumas boas faixas, o Scalene teve aqui seus primeiros momentos de "afogamento" em suas próprias pretensões. O talento do quarteto havia sido constante até então - desde os tempos em que suas influências iam de Muse a Queens Of The Stone Age -, e isso ainda pode nos render grandes discos no futuro... sejam estes de ‘stoner rock’, brega erudito, ou arrocha progressivo...
Músicas:
1. Vai Ver
2. Tabuleiro
3. Casa Aberta
4. II
5. Esse Berro
6. Percevejo
7. Ciclo Senil
8. Sabe O Que Foi?
9. Furta-Cor
10. Ilha No Céu
11. Assombra
12. III
13. O Que É Será
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