Judas Priest: o melhor disco da banda em mais de trinta anos
Resenha - Firepower - Judas Priest
Por Ricardo Seelig
Postado em 09 de julho de 2019
Já vou começar esse review deixando claro a minha posição sobre a carreira do Judas Priest. Pra mim, a banda inglesa não lança um álbum digno de nota há 33 anos, desde o controverso "Turbo". Sendo um pouco mais cabeça dura, dá até pra aumentar esse tempo para 34 anos e considerar "Defenders of the Faith", que chegou às lojas em janeiro de 1984, como o último grande disco do Judas Priest. Uma vida e tanto, né? E sim: na minha opinião, "Painkiller" (1990) é um álbum bem mediano e cuja faixa-título até hoje soa como uma gritaria sem sentido aos meus ouvidos. Daí tivemos a fase com Ripper Owens - que gerou os meia-bocas "Jugulator" (1997) e "Demolition" (2001) - e o posterior retorno de Rob Halford com dois discos apenas medianos - "Angel of Retribution" (2005) e "Redeemer of Souls" (2014) -, além do pior álbum da carreira do quinteto, o horrendo "Nostradamus" (2008).
Agora que vocês já leram o primeiro parágrafo e estão me mandando para os lugares mais criativos possíveis, vamos a "Firepower". O décimo-oitavo disco de uma das maiores instituições do metal britânico é surpreendente. Produzido por Tom Allon (a primeira colaboração entre ambos desde "Ram It Down", de 1988) e Andy Sneap (um dos mais reconhecidos produtores do metal contemporâneo, aqui em sua primeira parceria com a banda), é o segundo a contar com o guitarrista Richie Faulkner e não lembra nada do que o Judas Priest entregou nos últimos tempos. "Firepower" é muito superior a tudo que o Judas criou nas últimas décadas, e com folga. Ótima notícia, né?
São quatorze faixas que mostram na prática porque a banda carrega a alcunha de Metal Gods nas costas. O Judas Priest gravou um álbum moderno, alinhado com o que está sendo produzido no cenário metálico contemporâneo mas sem soar forçado como em "Painkiller". Isso se dá porque a banda conseguiu equilibrar com experiência e sabedoria elementos atuais sem abrir mão dos ingredientes que compõe a sua sonoridade clássica. Estão aqui os belos riffs, os duetos inspirados de guitarra, a voz rascante de Rob Halford, a batida contagiante e a energia pulsante. E tudo feito com a mais alta qualidade.
Tem gente que acha que quem escreve sobre música sente prazer em criticar e detonar discos ruins. É divertido, admito, escrever sobre os problemas evidentes de álbuns como "Nostradamus", "Virtual XI" ou "St. Anger", mas é muito mais gratificante ser surpreendido faixa após faixa por um trabalho como "Firepower". A sensação de estar ouvindo um clássico moderno do estilo é onipresente, e esse sentimento não tem preço que pague.
De modo geral, o que o Judas Priest fez foi olhar muito mais para os álbuns solo de Halford do que para os seus trabalhos mais recentes na hora de compor "Firepower". As influências de "Resurrection" (2000) e "Crucible" (2002) são evidentes, como se o vocalista finalmente estivesse livre, pela primeira vez após o seu retorno em 2003, para aplicar o seu modo de ver as coisas na banda que o consagrou.
Rob Halford está cantando de maneira incrível em "Firepower", em nada aparentando os quase 70 anos de vida. As guitarras, como sempre, são um destaque, com a juventude de Faulkner energizando Glenn Tipton como há tempos não se via. E a cozinha, com a dupla Ian Hill e Scott Travis, é de uma solidez arrepiante.
Não há destaques entre as faixas. Todas são fortes e consistentes e passeiam por características da sonoridade do grupo, indo de composições mais rápidas a momentos mais épicos. A inspiração é a protagonista em todas elas, e isso é tão evidente que soa até mesmo surpreendente, pois não é algo que se esperaria de uma banda como o Judas Priest após quase cinquenta anos de carreira. É como se ao quinteto atingisse outro ápice criativo em sua maturidade, algo bastante raro de presenciar no heavy metal, onde um dos poucos exemplos similares está em "13" (2013), o canto do cisne do Black Sabbath.
"Firepower" pode não ser o último disco da carreira do Judas Priest, mas se a banda resolvesse encerrar as atividades após a sua turnê de divulgação seria um fechamento perfeito para um dos nomes mais emblemáticos e influentes da história do metal.
Um disco surpreendentemente excelente, como há décadas o Judas Priest não gravava. Ouça já!
Outras resenhas de Firepower - Judas Priest
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Lenda do thrash metal alemão será o novo guitarrista do The Troops of Doom
As melhores bandas que Lars Ulrich, do Metallica, assistiu ao vivo
O disco ao vivo que define o heavy metal, segundo Max Cavalera
A lendária banda inglesa de rock que fez mais de 70 shows no Brasil
Sharon Osbourne confirma Ozzfest em 2027 e quer "novos talentos" no festival
Se Dave Murray sente tanta saudade da família, não seria lógico deixar o Iron Maiden?
As músicas que o Iron Maiden tocou em mais de mil shows
Baixista conta como cantora brasileira se tornou vocalista do Battle Beast
Mr. Big anuncia reedição de 30 anos do álbum "Hey Man"
O "pior músico" que Paul McCartney disse que os Beatles já tiveram
"Enter Sandman", do Metallica, completa 800 semanas em parada britânica
A pior faixa de encerramento de um disco do Metallica, segundo o Loudwire
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
Rafael Bittencourt diz que estava se reaproximando de Andre Matos antes da morte do vocalista
As cinco piores músicas do Iron Maiden, segundo o Loudwire

Judas Priest: Banda mostra vigor e plena forma com novo álbum
A faixa definitiva do Motorhead não é "Ace of Spades" nem "Overkill", de acordo com Rob Halford
O álbum do Judas Priest que Mikael Åkerfeldt considera subestimado
O melhor álbum do Judas Priest, de acordo com o Loudwire
O álbum que define o heavy metal, na opinião do vocalista do Opeth
O pior disco do Judas Priest, segundo o Loudwire
A banda britânica que ensinou Andreas Kisser a tocar guitarra
Dez clássicos do rock que viraram problema devido a alguma polêmica
Rob Halford e Tom Morello deixam claro que o Judas Priest é, sim, uma banda política
As 20 melhores músicas dos anos 2020, de acordo com o Ultimate Classic Rock
O disco "odiado por 99,999% dos roquistas do metal" que Regis Tadeu adora
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal


