Judas Priest: banda soa atualizada e intensa em "Firepower"
Resenha - Firepower - Judas Priest
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 09 de março de 2018
Nota: 8 ![]()
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Admito: nunca fui grande fã de Judas Priest. Poderia selecionar apenas alguns de discos da extensa discografia da banda - 18 álbuns no total - como grandes destaques aos meus ouvidos, como os clássicos "British Steel" (1980) e "Screaming For Vengeance" (1982), os pesados "Painkiller" (1990) e "Jugulator" (1997) e os registros iniciais "Sad Wings of Destiny" (1976) e "Stained Class" (1978). Não significa, de forma alguma, que seja uma banda ruim: apenas não sou admirador de carteirinha.
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Dito isso, já posso destacar que "Firepower" entra para a galeria dos meus discos preferidos do Judas Priest. É, ainda, o melhor trabalho lançado pela banda neste século. "Demolition" (2001), ainda com Tim "Ripper" Owens, não tem fôlego; "Angel of Retribution" (2005), que marca o retorno de Rob Halford, não mostra a que veio; "Nostradamus" (2008), exagera no épico e é cansativo; e "Redeemer of Souls" (2014) soa como um registro de banda de garagem - até os membros do Priest já revelaram, pelas entrelinhas, que não gostaram de como o disco soou.
Demorou um bom tempo para o Judas Priest voltar a acertar a mão. Todavia, antes tarde do que nunca: "Firepower" é um registro de qualidade e mostra não só uma banda pouco disposta a se aposentar, como, também, um grupo que está buscando atualizar sua sonoridade sem esquecer de sua história.
Alguns destaques entre as músicas de "Firepower":
- A faixa título, que abre o disco, é, sem exageros, uma das melhores da carreira do Judas Priest. O adjetivo "feroz" é perfeito para descrevê-la, pois é pesada e veloz além da conta. As bases de guitarra bem construídas por Glenn Tipton e Richie Faulkner e a bateria intensa de Scott Travis são os destaques.
- "Children Of The Sun" também aposta na cadência, mas de uma forma mais pulsante. O peso da cozinha, formada por Travis e pelo baixista Ian Hill, é uma verdadeira aula para quem quer praticar heavy metal bem tocado.
- "Rising From Ruins", muito melódica, tem passagens instrumentais que grudam na cabeça. É incrivelmente bem composta, uma música completa.
- "Flame Thrower", quase hard rock, conta com riffs incríveis e um groove que sai do lugar comum. É performática e deve agradar nos shows, caso seja tocada.
- "Spectre", que aposta no heavy tradicional, tem batida mais cadenciada e riffs bem puristas - Halford chega a incorporar King Diamond no meio da canção.
- "Lone Wolf" impressiona por sua influência doom. É uma das canções mais pesadas do disco e, provavelmente, dos últimos álbuns do Priest.
Comentários sobre todas as 14 faixas do disco estão no texto integral, disponível no link abaixo.
http://www.igormiranda.com.br/2018/03/resenha-judas-priest-firepower-review.html
No geral, além de ser o melhor disco do Judas Priest em 20 anos, "Firepower" mostra que a banda não está disposta a repetir fórmulas - muitas delas, criadas pelo próprio grupo e repetidas por sucessores no heavy metal. Aqui, o Priest explora diversos momentos de sua carreira - o speed metal de "Painkiller", o heavy clássico de "British Steel" e até o hard n' heavy dos anos 1970 - e inclui até referências externas, como passagens típicas de doom metal e insights semelhantes aos de álbuns da carreira solo de Rob Halford.
As composições soam renovadas, a produção de Tom Allen e Andy Sneap - que será guitarrista da turnê de divulgação após o Mal de Parkinson de Glenn Tipton ter avançado - tem muitos méritos e a performance técnica de cada integrante, incluindo o jovem Richie Faulkner, é digna de aplausos.
Com exceção de uma ou duas faixas, lá para o meio do disco, que não convenceram tanto e de algumas letras que poderiam ir além do ficcional, "Firepower" é consistente por completo. Tem cara de clássico. Quem gosta de heavy metal não pode deixar esse disco passar.
Rob Halford (vocal)
Glenn Tipton (guitarra)
Richie Faulkner (guitarra)
Ian Hill (baixo)
Scott Travis (bateria)
1. Firepower
2. Lightning Strike
3. Evil Never Dies
4. Never the Heroes
5. Necromancer
6. Children of the Sun
7. Guardians
8. Rising from Ruins
9. Flame Thrower
10. Spectre
11. Traitors Gate
12. No Surrender
13. Lone Wolf
14. Sea of Red
Outras resenhas de Firepower - Judas Priest
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