Newsonic: Um dos melhores álbuns de metal já lançados no Brasil
Resenha - Vorax - Newsonic
Por Fernando Sousa
Postado em 05 de julho de 2019
Antes da resenha, uma reflexão e um desabafo.
Desde o precoce falecimento do grandioso Andre Matos, no último dia 8 de junho, algo tem me preocupado. A indústria do rock e do metal vem se comportando de uma maneira muito peculiar nos últimos anos. Por um lado, temos cada vez mais acesso aos grandes artistas de nossos gêneros prediletos, seja através das tours, internet ou outros meios. Por outro lado, pouca novidade nos é oferecida. Raríssimos são os casos de bandas novas que recebem apoio de uma gravadora ou algo do tipo.
Onde os dois assuntos se ligam? Bem, estamos testemunhando as partidas dos nossos grandes ícones e referências, o que enfraquece nossa cena tão amada. Dio, Lemmy Kilmister, Vinnie Paul, Dimebag, o próprio Andre Matos, entre muitos outros. Uma vez que o "pouco" que temos (em termos quantitativos apenas) partem, ou aposentam, o cenário apresenta apenas perda. Não há renovação devido ao supracitado comportamento da indústria. Muita gente crê ser um problema específico do Brasil, devido à sua cultura e senso comum, mas quantas novas bandas internacionais você conheceu nos últimos anos? É possível mensurar quanto espaço ou atenção essa banda tem recebido? Ela merece mais?
E eis que ontem, 27 de junho, deparei-me com um lançamento singelo e sem estardalhaço, de uma banda do Rio de Janeiro. A banda se chama Newsonic e a capa de seu álbum "Vorax" chamou muito a minha atenção! O assunto aqui é metal dos bons, meio difícil de rotular devido às inúmeras influências que captei, particularmente. Tem algo de Evergrey, de Symphony X, de Angra, de Soilwork, de Killswitch Engage...
Decidi dar uma chance e busquei no Spotify. Não me arrependi e vou te explicar as razões abaixo.
TORNADO: O álbum começa com a música Tornado. Não sei explicar exatamente o motivo, mas sua introdução me remeteu diretamente ao Angra (Era Matos). Talvez, pelo meu saudosismo, ou pelo fato de ambas as bandas serem brasileiras. Mas logo a introdução inicial, a música engata um riff incrível onde as duas guitarras e o teclado fazem as honras. Nesse momento, percebi que não se tratava de mais uma tentativa barata de copiar o Angra. Fiquei curioso sobre a voz, e que voz! Potente, com drives, mas com melodia (que refrão doce e agradável!). Em um momento mais lento e cadenciado, a banda nos oferece um belíssimo solo de baixo, que contrasta com a porradaria inicial. Após, vem o tradicional solo de guitarra e, que solo emocionante!
I’M ALIVE: Eu só consigo definir essa música com um termo: soco na cara. Direta, com um arranjo de bateria técnico e agressivo. A interpretação vocal me lembrou muito vocalistas como Russel Allen, Jorn Lande e demais mestres da escola do drive.
NEMESIS: Descobri que essa música já havia sido lançada um ano antes do álbum e ainda não tinha ouvido. Trata-se de uma música bem rápida e variada. Há momentos de Kamelot, Dimmu Borgir, metal melódico, metal moderno... Confuso? Apenas ouça a música.
KING OF ICE: Hora da balada do álbum. Bonita canção, que ganhou um clipe bem no dia do lançamento do álbum. Algo aqui me remete a músicas como Believe In Nothing do Nevermore, End Of Heartache do Killswitch Engage e alguma balada do In Flames.
TERMINAL: Aqui, as coisas ficam mais sérias e beiram o prog metal. Todos os instrumentos, além da voz, tem destaque. Música rápida e muito técnica! Interpretação vocal incrível, mas a atuação do baixo me impressionou.
MAVETH: Confesso não ter entendido o motivo de incluir uma música instrumental no meio do álbum. Tendo ouvido as cinco anteriores, esperava uma canção mais exibicionista, mas essa não é a questão aqui. A música funciona mais como uma introdução para a música seguinte.
TRANSCENDENTAL: Um riff insano abre a música, seguido por uma bateria forte e os demais instrumentos. A voz começa limpa, mas não se apegue a isso por muito tempo. Logo que entra o pré-refrão, voltam os drives. Que interpretação vocal! Essa música me lembrou um pouco o Five Finger Death Punch.
LOBO: O teclado abre a música, mas é logo seguido por toda a banda numa porradaria quebrada. Música rápida, forte e pesada, com um refrão muito forte! Tenho a impressão de ter ouvido algo em português no gutural do refrão, mas como não encontrei as letras, não tenho certeza.
VULGAR: Música mais cadenciada que se aproxima muito do metal mais moderno. Me lembrou algo de Evergrey.
ICEBERGS: Música de entrada muito forte! Mais um soco direto na cara, como os suecos do Soilwork costumam fazer.
OFFLINE: Essa canção encerra o álbum de forma violenta e grosseira. Pesada, grosseira, com aquele teclado que remete a algo de Dimmu Borgir.
Resumindo, "Vorax" é um dos melhores álbuns que tive o prazer de ouvir nos últimos anos! É de se admirar a variedade de influências que a banda apresenta e de forma coesa, não deixando nada destoar. Embora as bandas influenciadoras sejam tão diferentes entre si, a Newsonic consegue fazer funcionar.
É possível perceber a força e a vontade desse quinteto através das suas músicas. Essa banda merece ser grande e se mostra capaz de preencher as lacunas deixadas (muito infelizmente) por nossos ídolos. A melhor parte é que a Newsonic é "coisa nossa", "made in Brazil", "tupiniquim"!
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