Spirit Adrift: quando o doom metal encontra o classic rock
Resenha - Divided by Darkness - Spirit Adrift
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 21 de junho de 2019
O Spirit Adrift foi formado em 2015 no Arizona e, sem seus primeiros dois discos – "Chained to Oblivion" (2016) e "Curse of Conception" (2017) – foi praticamente um projeto de um homem só, personificado na figura do vocalista e guitarrista Nate Garrett. Isso mudou em "Divided by Darkness", terceiro trabalho da banda, lançado no início de maio.

No novo álbum, Garrett ganhou a companhia de Jeff Owens (guitarra), Chase Mason (baixo) e Marcus Bryant (bateria), e isso fez bem ao som do quarteto. O Spirit Adrift, com o perdão do clichê óbvio e conclusivo, está soando como uma banda em "Divided by Darkness", apresentando uma amplitude até então inédita.
Musicalmente, dá pra explicar a música do grupo com a expressão "o doom metal encontra o classic rock", mas há outros aspectos na jogada. Percebe-se uma certa influência progressiva em alguns momentos, somos surpreendidos por uma quebra de andamento que leva a faixa-título para um caminho que se assemelha ao jazz, e algumas passagens de guitarra não escondem a sua inspiração no thrash metal. Em termos de influência, dá pra identificar referências como Metallica, Trouble, Mastodon e Baroness na mistura, além de uma afinidade de timbres com o que o The Sword mostrou em "Apocryphon" (2012).
O uso de arranjos ascendentes é uma constante, assim como de estruturas vocais que exploram uma esfera criativa similar ao Baroness. Outro ponto essencial na sonoridade do Spirit Adrift é a presença de harmonias de guitarras em todas as faixas, entregando melodias que cativam o ouvinte e surgem em grandes trechos instrumentais.
Entre as músicas, destaque para o início arrebatador com "We Will Not Die", a ótima música que batiza o disco, a cadenciada e pesada "Born Into Fire", o sentimento à flor de pele de "Angel & Abyss", a variedade desconcertante de "Torture by Time" e a sensacional sinfonia doom instrumental que fecha o disco, "The Way of Return".
"Divided by Darkness" é o meu tipo de CD. Pesado, cheio de melodia e com músicas que emocionam. Adorei o trabalho e recomendo fortemente que você também o ouça.
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