Several: um disco estupendo numa ode ao bom gosto
Resenha - Carma - Several
Por Mário Orestes Silva
Postado em 05 de junho de 2019
A banda manauense Several começou suas atividades, com letras em inglês, usando o nome "Several Skin", com o qual lançou seu debut no ano de 1999 (veja resenha aqui) nomeado "Beyond the Scenes". Chegou a fazer muitos shows em sua terra natal, alguns pontuais fora do Estado do Amazonas e até mesmo na terra do tio Sam. A alta qualidade sempre foi o forte do grupo que chamava atenção pelas ótimas composições, perfeccionismo dos músicos e excelente produção de gravação.

Infelizmente a banda já encerrou suas atividades, mas ainda brindou o seu público com um segundo álbum, chamado simplesmente de "Carma", todo com letras em português e no mesmo nível de qualidade de seu antecessor, talvez até melhor. É sobre esse segundo trabalho, lançado apenas no ano 2008, que esta resenha se propõe.
A faixa título abre o disco de uma forma bem raivosa, evidenciando contra tempos. Grande trabalho nos arranjos e ótimo refrão. Uma quebrada para entrada do último refrão desacelera a música, mas sem perder o peso.
A segunda é "Hiroshima" que já traz uma levada mais simples, até a chegada do segundo estrofe, quando voltam os contra tempos. Vocais mais trabalhados e ótima letra (a propósito, todas as letras são muito boas) marcam a canção, que também tem quebrada e mudança de levada. Em terceira posição vem "Ruínas de Cartago" que atesta com propriedade tudo já dito sobre as canções anteriores. A melodia é muito marcante, mas o peso não é esquecido, mesmo quando o vocal suaviza. Um certo destaque para o contrabaixo, mas todo instrumental é límpido e discernível. "Clímax" está como a quarta faixa e não tem enrolação. Já começa com grande energia e introduzindo o primeiro estrofe. Remete muito ao primeiro CD da banda. A quebrada desta música leva o ouvinte a um dedilhado e canção quase romântica, mas apenas para introduzir um estrofe, que termina retomando o rockão marcante. Grande final. Na sequência vem "Esperanto" que mostra a forte influência de Red Hot Chilli Peppers. A balada do disco que vai ganhando distorção e excelente arranjo nas guitarras, conforme sua execução. Em seguida "Mosaico" confirma a excelência dos músicos. Incrível suas competências performáticas e como estes não deixam nada a dever para bandas gringas. Aqui o equilíbrio entre o sublime e o nervoso fica bem nítido na composição, principalmente na percepção de teclados. Talvez esta seja a canção de melhor desempenho vocal. Depois a que possui o maior título "Subversivo (a Inauguração de um Novo Bar)", por causa do sub-título, se inicia com um ótimo riff. A letra notívaga dá uma aparência simplista, mas ainda assim, mais uma música trabalhada e complexa. A oitava faixa possui o melhor título. "Lágrima de Chorume" tem vocais principais diferenciados (não creditados no encarte) e é outra que se inicia como balada, mas ganha distorções e peso no decorrer. "Spectrum" é a anti penúltima e levanta a seguinte questão: Porque a Several não deu certo, com tanta qualidade e excelência? "Tormenta" continua o play como uma cacetada no ouvido. Uma faixa um tanto diferenciada das restantes, mas com todas as boas características de um hit. Fechando o disco "Estação Solidão" resume bem as virtudes das composições com toque de obra prima.
A arte gráfica traz mais uma capa enigmática, tendo encarte com fotos da banda ao vivo, letras de todas as músicas e uma bem sucinta ficha técnica. Em suma "Carma" é um disco estupendo numa ode ao bom gosto, que dá a sensação de "quero mais". Uma grande pena esta pérola do rock amazonense não ter vingado.
Pra quem deseja conferir, basta dar uma procurada rápida. No Youtube é possível se encontrar tudo da Several.
Vale constatar.
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