Several: um disco estupendo numa ode ao bom gosto

Resenha - Carma - Several

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Por Mário Orestes Silva
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

A banda manauense Several começou suas atividades, com letras em inglês, usando o nome "Several Skin", com o qual lançou seu debut no ano de 1999 (veja resenha aqui) nomeado "Beyond the Scenes". Chegou a fazer muitos shows em sua terra natal, alguns pontuais fora do Estado do Amazonas e até mesmo na terra do tio Sam. A alta qualidade sempre foi o forte do grupo que chamava atenção pelas ótimas composições, perfeccionismo dos músicos e excelente produção de gravação.

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Infelizmente a banda já encerrou suas atividades, mas ainda brindou o seu público com um segundo álbum, chamado simplesmente de "Carma", todo com letras em português e no mesmo nível de qualidade de seu antecessor, talvez até melhor. É sobre esse segundo trabalho, lançado apenas no ano 2008, que esta resenha se propõe.

A faixa título abre o disco de uma forma bem raivosa, evidenciando contra tempos. Grande trabalho nos arranjos e ótimo refrão. Uma quebrada para entrada do último refrão desacelera a música, mas sem perder o peso.

A segunda é "Hiroshima" que já traz uma levada mais simples, até a chegada do segundo estrofe, quando voltam os contra tempos. Vocais mais trabalhados e ótima letra (a propósito, todas as letras são muito boas) marcam a canção, que também tem quebrada e mudança de levada. Em terceira posição vem "Ruínas de Cartago" que atesta com propriedade tudo já dito sobre as canções anteriores. A melodia é muito marcante, mas o peso não é esquecido, mesmo quando o vocal suaviza. Um certo destaque para o contrabaixo, mas todo instrumental é límpido e discernível. "Clímax" está como a quarta faixa e não tem enrolação. Já começa com grande energia e introduzindo o primeiro estrofe. Remete muito ao primeiro CD da banda. A quebrada desta música leva o ouvinte a um dedilhado e canção quase romântica, mas apenas para introduzir um estrofe, que termina retomando o rockão marcante. Grande final. Na sequência vem "Esperanto" que mostra a forte influência de Red Hot Chilli Peppers. A balada do disco que vai ganhando distorção e excelente arranjo nas guitarras, conforme sua execução. Em seguida "Mosaico" confirma a excelência dos músicos. Incrível suas competências performáticas e como estes não deixam nada a dever para bandas gringas. Aqui o equilíbrio entre o sublime e o nervoso fica bem nítido na composição, principalmente na percepção de teclados. Talvez esta seja a canção de melhor desempenho vocal. Depois a que possui o maior título "Subversivo (a Inauguração de um Novo Bar)", por causa do sub-título, se inicia com um ótimo riff. A letra notívaga dá uma aparência simplista, mas ainda assim, mais uma música trabalhada e complexa. A oitava faixa possui o melhor título. "Lágrima de Chorume" tem vocais principais diferenciados (não creditados no encarte) e é outra que se inicia como balada, mas ganha distorções e peso no decorrer. "Spectrum" é a anti penúltima e levanta a seguinte questão: Porque a Several não deu certo, com tanta qualidade e excelência? "Tormenta" continua o play como uma cacetada no ouvido. Uma faixa um tanto diferenciada das restantes, mas com todas as boas características de um hit. Fechando o disco "Estação Solidão" resume bem as virtudes das composições com toque de obra prima.

A arte gráfica traz mais uma capa enigmática, tendo encarte com fotos da banda ao vivo, letras de todas as músicas e uma bem sucinta ficha técnica. Em suma "Carma" é um disco estupendo numa ode ao bom gosto, que dá a sensação de "quero mais". Uma grande pena esta pérola do rock amazonense não ter vingado.

Pra quem deseja conferir, basta dar uma procurada rápida. No Youtube é possível se encontrar tudo da Several.

Vale constatar.




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Sobre Mário Orestes Silva

Deuses voavam pela Terra numa nave. Tiveram a idéia de aproveitar um coito humano e gerar uma vida experimental. Enquanto olhavam, invisíveis ao coito, divagavam: - Vamos dar-lhe senso crítico apurado pra detratar toda sua espécie. Também daremos dons artísticos. Terá sex appeal e humor sarcástico. Ficará interessante. Não pode ser perfeito. O último assim, tivemos de levar à inquisição. Será maníaco depressivo e solitário. Daremos alguns vícios que perderá com a idade pra não ter de morrer por eles. Perderá seu tempo com trabalho voluntário e consumindo arte. Voltaremos numas décadas pra ver como estará. Assim foi gerado Mário Orestes. Décadas depois, olharam como estava aquela espécie experimental: - O que há de errado? Porque ele ficou assim? Criamos um monstro! É anti social. Acumula material obsoleto que chamam de música analógica. Renega o título de artista pelo egocentrismo em seus semelhantes. Matamos? - Não. Ele já tentou isso sem sucesso. O Deixaremos assim mesmo. Na loucura que criamos pra vermos no que dará, se não matarem ele. Já tentaram isso, também sem sucesso. Então ficará nesse carma mesmo. Em algumas décadas, voltaremos a olhar o resultado. Que se dane.

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