Yes: entendendo o álbum Relayer
Resenha - Relayer - Yes
Por Ivan da Luz
Fonte: Fanpage Memórias do Rock
Postado em 25 de maio de 2019
Quando alguém pergunta qual minha música preferida, se eu raciocinar um pouquinho, vou ser capaz de dizer várias. Mas, uma sempre vem primeiro à mente. "É The Gate Of Delirium", do álbum Relayer, lançado em 1974. Relayer é o sétimo álbum do Yes.
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A capa do álbum foi desenhada por Roger Dean, parceiro gráfico de várias bandas da época e de várias capas do Yes. Na ilustração, vemos aventureiros montados em cavalos num ambiente habitado por cobras. Significa a jornada (nossa busca) por um caminho desconhecido (nosso inconsciente) com a finalidade de encontrar a canção da luz (o autoconhecimento).
Com saída de Rick Wakeman, após a turnê do álbum anterior, para sua bem sucedida carreira solo (embora ele tenha voltado algumas vezes), Vangelis chegou a ensaiar alguns dias com a banda, não se adaptando à ela (mais tarde faria vários trabalhos com Jon Anderson). Keith Emerson não aceitou o convite porque preferiu se aproveitar do auge do Emerson, Lake And Palmer. Patrick Moraz, suíço que havia gravado o (único) álbum da banda (de rock progressivo) Refugee aceitou o convite e assumiu os teclados. Moraz fez um ano de turnê com a banda e resolveu sair por não suportar os conflitos entre os membros.
Uma curiosidade sobre Moraz é que depois do Yes, veio para o Brasil e fez parte do Vímana, banda de rock progressivo que tinha Lobão na bateria, Lulu Santos nas guitarras e Richie nos vocais.
Moraz havia conseguido um protótipo de sintetizador de última geração que ainda estava em estágio de desenvolvimento, conseguido diretamente um com o fabricante. Isso deu às músicas sons mais modernos e efeitos até então inexistentes ou pouco explorados em sintetizadores, como barulhos de pessoas (como se estivessem num show) e vento (ambos efeitos usados na primeira música).
O álbum tem três músicas. Todas obras primas para mim. A primeira ocupava um lado inteiro do disco. A seguir falarei um pouco de cada uma, para melhor entendimento da complexa obra.
The Gates Of Delirium (versão original)
The Gates Of Delirum (verrsão ao vivo gravada em 1975)
Dois terços de "The Gates Of Delirium" é enérgica e/ou pesada. Difícil de ser executada, mas tocada pela banda na turnê de divulgação do álbum e, mais tarde, em outras oportunidades, inclusive com Orquestra!
A letra se refere justamente à guerra, como metáfora para nossas guerras internas em busca da luz. É dividida em três partes.
Na primeira parte, a jornada dos aventureiros em terras hostis é descrita. Os obstáculos surgem e eliminam grande parte dos aventureiros. Mas os sobreviventes resolvem prosseguir.
Na segunda parte, a banda interpreta instrumentalmente a batalha mais difícil dos aventureiros.
Por fim, os portões do delírio se abrem, mas o caminho adiante é sombrio. Resta aos aventureiros uma prece para que a haja luz em seus caminhos, já que ela é a razão pela qual estão lutando. Somente a luz será capaz de mostrar-lhes o caminho da verdade.
Em tempo: a última parte é que foi lançada como single com o nome de "Soon" para tocar nas rádios da época, incluindo no Brasil, se tornando uma das mais conhecidas músicas da banda.
Sound Chaser (original)
Sound Chaser (ao vivo em 1975)
Atravessando os portões, os aventureiros escutam inúmeros sons em diferentes tonalidades. O desafio dessa vez é encontrar o som da canção da luz. Um dos aventureiros sente um dos sons falando diretamente com sua alma. Ele vai em busca desse som (sound chaser).
"Sound Chaser" contém alguns improvisos por parte dos membros da banda onde todos tocam um solo, tornando a música muito difícil de ser executada. Ela foi toda inspiração no Jazz Rock, estilo em alta naquela época.
To Be Over (original)
To Be Over (ao vivo)
A canção da luz é finalmente encontrada. A letra de "To Be Over" reflete a busca pelo não sofrer pelos dissabores da vida, pois o tempo
nos ensina a controlar os nossos medos e virará nossas feridas. Ainda conclui que devemos equilibrar os pensamentos interiores para assim abrirmos os caminhos da verdade.
A música é a mais calma e melódica do disco, que conta com suaves arranjos. Enfim... Sugiro que reserve um tempinho para ouvir com atenção essa obra prima do Rock.
Assista outras curiosidades sobre outras canções do Rock no recém criado Canal Memórias do Rock.
Ivan Da Luz, com Jayro Teles, é criador do canal Memórias do Rock e editor da fanpage deste canal.
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