Weezer: Com respeito, sem sentido
Resenha - Teal Album - Weezer
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 06 de maio de 2019
O Weezer está na luta desde o longínquo 1992 e seu álbum de estreia saiu, em 1994. Banda já velha e há muito passada de seu pico. Destarte, deve ter sido revigorante, quando a cover que fizeram para o sucesso oitentista Africa, do Toto, lhes angariou a mais alta posição na parada, em anos. Imaginada como cópia quase acorde-por-acorde, se os fãs remanescentes gostaram e exigiam mais, por que não pegar mais canções favoritas e regravá-las? Afinal, esta é a era em que o consumidor (pensa que) decide.
Dia 24 de janeiro, saiu o Teal Album, décimo-segundo do Weezer, com dezena de regravações. O ecletismo do repertório vai de standard sessentista da soul music (Stand By Me) ao pós-Jack Swing latinizado noventista das meninas do TLC (No Scrubs). Não há aparente coerência na escolha do repertório, a não ser satisfazer a voracidade de mais do mesmo de ouvintes casuais.
Esse apreço pela réplica clonada faz com que as regravações tentem reproduzir até detalhes e maneirismos dos originais. Então, no pastiche beatlemaníaco do ELO (Mr. Blue Sky), há transmissão de rádio e em Billie Jean, tentativa de dar gritinhos à Wacko Jacko. Mas, Rivers Cuomo não canta como Michael Jackson. Nem como Morten Harkett, por isso, os altíssimos agudos de Take On Me são alcançados com Auto-Tune. Então, não são alcançados.
O dilema do álbum é esse: jamais atingir o patamar do original. Covers são armadilhas, especialmente do material icônico escolhido pelo Weezer. Escolher imitá-lo nota por nota, geralmente fada à inocuidade, porque as canções tornaram-se standards precisamente por alguma característica de longevidade. Cuomo e amigos imitam (tentam...) direitinho os maneirismos sonoros e vocais do Eurythmics, de Anne Lennox, em Sweet Dreams (Are Made of This). Parece estar tudo lá, mas, não: a atual produção rolo-compressor aplasta a contradição de grande parte do synthpop, a saber, a luta entre a gelidez dos sintetizadores e a paixão quente dos vocais.
Goste-se ou não, versões de artistas como Marilyn Manson ou Nouvelle Vague trouxeram novas possibilidades à canção do duo inglês. A do Weezer replica até as vocalilzações de Lennox, daí abre-se para outra questão: se já temos originais significativos a ponto de serem homenageadas com covers, por que o ouvinte ficaria com o Everybody Wants to Rule The World, do Weezer e não com a do Tears For Fears? As duas parecem idênticas, mas a abordagem mais indie rock do Weezer, tira os espaços de respiro do arranjo original. Ouça com bons fones de ouvido e entenderá.
No final das contas, tudo parece feito com grande respeito pelos originais e isso deve ser louvado. Mas, também no final das contas, é tudo meio sem sentido.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Download Festival anuncia novas atrações e divisão de dias para a edição 2026
A maior dificuldade de Edu Ardanuy ao tocar Angra e Shaman na homenagem a Andre Matos
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
"Burning Ambition", a música que dá título ao documentário de 50 anos do Iron Maiden
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
João Gordo explica o trabalho do Solidariedade Vegan: "Fazemos o que os cristãos deveriam fazer"
AC/DC - um show para os fãs que nunca tiveram chance
Gastão Moreira diz que Phil Anselmo é um ótimo vocalista - apesar de ser um idiota
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
Segurança de Bob Dylan revela hábitos inusitados do cantor nas madrugadas brasileiras
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
O pior solo de guitarra do Angra de todos os tempos, segundo Rafael Bittencourt
O disco que David Gilmour diz que todo guitarrista precisa conhecer
A condição de Rafael Bittencourt para que Edu Falaschi seja convidado no Amplifica
Mike Portnoy: renda de Spotify no ano todo mal paga um jantar; veja valores



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



