Megadeth: Cryptic Writings representou o fim de uma era
Resenha - Cryptic Writings - Megadeth
Por Mateus Ribeiro
Postado em 24 de abril de 2019
Nota: 8 ![]()
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Quem é fã de música pesada sabe que o Megadeth troca de formação mais do que um ser humano troca de roupa. Porém, por mais incrível que possa parecer, existiu uma formação que perdurou por quatro discos sem nenhuma troca: Dave Mustaine, Marty Friedman, David Ellefson e Nick Menza foram os responsáveis por grande parte dos melhores momentos da banda.
Após a estréia com o clássico "Rust In Peace", o quarteto gravou ainda os clássicos "Countdown To Extinction" e "Youthanasia", cada um com suas características e peculiaridades. O último trabalho gravado pela formação clássica da banda é o convincente "Cryptic Writings", lançado em 1997.
Com mais de dez anos de carreira e o nome consolidado na cena, o Megadeth deu uma pisada no freio, tornando o sétimo disco de estúdio da banda o mais acessível até então. Porém, o peso ainda estava presente, tal qual a técnica que sempre foi a base do trabalho de Dave Mustaine e sua trupe.
O álbum é bem consistente, e apesar de ser mais "leve" que seus antecessores, passa longe de ser um trabalho exclusivamente comercial, tarefa que ficou para o álbum seguinte, "Risk". Seja como for, a banda explorou novos horizontes, e ficou de certa forma mais audível, atingindo fãs de outros estilos musicais.
Outro ponto a se notar é que o som do Megadeth ficou um pouco distante do thrash metal. Porém, algumas faixas são mais rápidas, caso de "She-Wolf" (que tem um solo magnífico), "The Desintegrators", "FFF" (que tem um riff que chega a lembrar punk rock). Outras músicas já são um pouco mais puxadas para o heavy metal, com pitadas de hard rock, como "I´ll Get Even", a viajante "A Secret Place", "Sin", a divertida "Have Cool, Will Travel" e a grandiosa "Almost Honest". Há ainda as músicas um pouco mais intensas, casos de "Use The Man", que aborda o uso de drogas, mais especificamente, a heroína, e o maior sucesso do disco, "Trust", que fala sobre um antigo relacionamento de Dave Mustaine. Aliás, pela quantidade de músicas que falam de traições, mentiras e relacionamentos, a impressão que se tem é que o "patrão" da banda havia tomado um belíssimo de um chapéu de alguma parceira enquanto escrevia as músicas.
Ao final de algumas audições, pode se perceber que o disco não lembra seu antecessor. Mas até aí, tudo bem, já que a banda nunca foi de se copiar (a não ser em um ou outro riff). Mesmo escrevendo um material um pouco menos pesado, e mais experimental, o Megadeth ainda se mostrava uma banda muito séria, comprometida e competente.
Infelizmente, foi o último disco do baterista Nick Menza, e o penúltimo do guitarrista Marty Friedman. Anos depois, a banda anunciaria uma pausa, que duraria pouco tempo, para a alegria dos fãs. Seja como for, os anos com a formação clássica nunca voltarão, e dificilmente o Megadeth voltará a lançar trabalhos tão icônicos quanto os lançados de 1990 até 1997.
Ano de lançamento: 1997
Faixas:
"Trust"
"Almost Honest"
"Use The Man"
"Mastermind"
"The Disintegrators"
"I´ll Get Even"
"Sin"
"A Secret Place"
"Have Cool, Will Travel"
"She - Wolf"
"Vortex"
"FFF"
Formação:
Dave Mustaine: guitarra/vocal
Marty Friedman: guitarra
David Ellefson: baixo/vocais de apoio
Nick Menza: bateria
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