Megadeth: 15 anos do emblemático "Cryptic Writings"
Resenha - Cryptic Writings - Megadeth
Por Igor Miranda
Fonte: Van do Halen
Postado em 17 de junho de 2012
Posso parecer saudosista com essa afirmação, mas pouquíssimos discos de Heavy Metal realmente bons foram lançados entre 1995 e 2000 ao meu ver. Um deles, com certeza, é o que trago nessa postagem. Lançado há exatos 15 anos pela Capitol Records, "Cryptic Writings" é o último álbum que conta com a formação de ouro da banda, a mesma que também gravou os clássicos "Rust In Peace", "Countdown To Extinction" e "Youthanasia", lançados anteriormente.
Megadeth – "Cryptic Writings"
Lançado em 17 de junho de 1997
O disco de despedida da line-up dourada está praticamente no centro da transição musical que o quarteto vivia na década de 1990 até sua dissolução em meados de 2002. Do Thrash metal insano, veloz, complexo e cheio de solos de guitarra de "Rust In Peace", a banda transitou para um Heavy Metal mais tradicional em "Countdown To Extinction", inseriu alguns elementos Hard Rock em "Youthanasia", que se solidificaram ainda mais em "Cryptic Writings" e tomaram conta do geral nos sucessores "Risk" e "The World Needs A Hero", apesar deste prometer em alguns momentos uma volta às raízes thrashers.
"Cryptic Writings" pode soar um pouco confuso em certos momentos porque o Megadeth estava notavelmente passando por esse momento de transição anteriormente citado. O metal rápido que era marca registrada dos anos 1980 já não brilhavam mais na década seguinte, o que forçou uma mudança até mesmo no som de outras bandas do gênero, como as outras integrantes do Big 4. Elementos inspirados no Hard Rock estavam sendo inseridos nas composições, o que permitia um certo "amansamento" do resultado final. O metrônomo empolgado marcando 200bpm deu espaço para ritmos mais cadenciados, progressões mais grudentas e por aí vai.
Mas é possível afirmar que, da grande maioria dos grupos de metal que modificaram sua sonoridade na década de 1990, o Megadeth teve maior êxito. Tudo isso se deve à genialidade de Dave Mustaine enquanto compositor. O ruivão definiu a essência do conjunto até em suas faixas mais ousadas, como Trust, um Hard/Heavy que acabou virando clássico indispensável em qualquer apresentação da trupe. Ok, nem tudo foram flores nos próximos discos, mas "Cryptic Writings" é salvo pela inspiração de Mustaine e dos outros músicos, que já haviam atestado sua competência nos álbuns anteriores, passando pela criatividade do mestre Marty Friedman até pela solidez da cozinha formada por David Ellefson e Nick Menza e chegando até a voz única e a destreza na guitarra de Mustaine. Além de tudo isso, a química dessa formação permanece inatingível mesmo com as diversas line-ups posteriores.
Um detalhe interessante deste play é que, pela primeira vez, alguém de fora da banda assinou a autoria de uma composição do Megadeth. I’ll Get Even foi composta por Dave Mustaine, Marty Friedman, David Ellefson e Brian Howe, ex-vocalista do Bad Company e da banda de Ted Nugent. Também é curioso notar que seu encarte é o primeiro a não conter Vic Rattlehead em toda a arte. Nem mesmo no booklet, como ocorrido em "Countdown To Extinction" ou "Youthanasia". Este fato, curiosamente, se repetiu em "Risk".
Apesar das críticas dos fãs, "Cryptic Writings" foi bem recebido no geral. Além de Trust e Almost Honest terem alcançado as posições de número 5 e 8, respectivamente, nas paradas norte-americanas, o disco emplacou nos charts de vários países como Finlândia (2° lugar), Suécia (15° lugar), França (14° lugar) e Estados Unidos (10° lugar). Vale citar também que Trust foi indicada em 1998 para o prêmio Grammy de melhor performance na categoria Metal.
Os destaques principais do play estão logo ao fim, ao meu ver. O trio de fechamento She-Wolf, Vortex e FFF já valem toda a audição. Mas há outras ótimas canções, como Almost Honest, The Disintegrators e a já citada Trust. Quinze anos após o seu lançamento, "Cryptic Writings" passa a ser melhor compreendido e muitos fãs do Megadeth que o renegaram em sua época de lançamento, já conseguem ver que é um registro de qualidade – e muito mais inspirado que o sucessor "Risk", ponto mais baixo da trupe de Mustaine.
Dave Mustaine (vocal, guitarra)
Marty Friedman (guitarra)
David Ellefson (baixo)
Nick Menza (bateria)
01. Trust
02. Almost Honest
03. Use the Man
04. Mastermind
05. The Disintegrators
06. I’ll Get Even
07. Sin
08. A Secret Place
09. Have Cool, Will Travel
10. She-Wolf
11. Vortex
12. FFF
Outras resenhas de Cryptic Writings - Megadeth
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O lendário guitarrista que Steve Vai considera "um mestre absoluto"
Copa do Mundo do Rock: uma banda de cada país classificado, dos EUA ao Uzbequistão
A música que David Gilmour usou para fazer o Pink Floyd levantar voo novamente
Os 5 álbuns favoritos de Dave Mustaine de todos os tempos, segundo o próprio
Pearl Jam já tem novo baterista, revela Dave Krusen
Você sabe tudo sobre Iron Maiden? Responda esse desafio de 30 perguntas e descubra
A música pela qual Brian May gostaria que o Queen fosse lembrado
A melhor música que Bruce Dickinson escreveu para o Iron Maiden, segundo a Metal Hammer
O hit "proibido para os dias de hoje" que dominou os anos 80 e voltou sem fazer alarde
Rockstadt Extreme Fest anuncia 81 bandas para maratona de 5 dias de shows
Para ex-guitarrista do Megadeth, álbum com Kiko Loureiro representa essência da banda
O álbum do Black Sabbath que Tony Iommi colocou no topo de sua lista negra
Sérgio Serra teve carreira quase destruida pelo álcool: "Ninguém mais queria tocar comigo"
A música do Rush que é a mais difícil de tocar entre todas, segundo Geddy Lee
O disco que mudou a vida de Ace Frehley, guitarrista do Kiss
A pergunta do Ibagenscast a Dave Mustaine que fez André Barcinski parabenizar o podcast
Qual país venceria uma hipotética Copa do Mundo do metal?
O disco clássico do AC/DC que fisgou David Ellefson pela capa
Será que é tão difícil assim respeitar o gosto musical alheio?
Megadeth, Pepeu Gomes e a mania do internauta achar que sabe de tudo
Dirk Verbeuren aprendeu 9 músicas em um dia para quebrar o galho do At the Gates
Iron Maiden: "The Book Of Souls" é uma obra sem precedentes


