Phil Collins: Superação e terapia de regressão num álbum só

Resenha - Going Back - Phil Collins

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Por Roberto Rillo Bíscaro
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Em 2010, artistas tão diversos quanto Peter Gabriel, The Bird and The Bee, Djavan e Pato Fu lançaram álbuns de regravações de velhas canções. Em comum, todos reinterpretam o material trazendo algo de novo, ainda que de maneiras distintas, dependendo do estilo e do approach de cada um.

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Philip David Charles Collins, ex-vocalista/baterista do Genesis, também decidiu lançou álbum de covers naquele ano. Quem conhece mais de perto a carreira do inglês, está careca de saber que ele sempre gostou mais de música negra norte-americana dos anos 60 do que dos devaneios progressivos de sua ex-banda. Tanto é que, com ele no comando, o Genesis guinou para a popice desenfreada. Claro que não sem a anuência de Banks e Rutherford.

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Então, não muito longe de virar sessentão, após três casamentos fracassados, relação complicada com os filhos do primeiro casamento e com sérios problemas de saúde, o baixinho deliberadamente virou os olhos para suas raízes anos 60 e gravou Going Back (Voltando), tentando recriar a atmosfera de seus tempos de adolescente em Londres.

Mergulhou fundo no catálogo da lendária Motwon e concebeu um álbum que não trouxesse nada de novo às regravações. "Minha intenção foi criar um álbum ‘velho’, não um ‘novo’", declarou.

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Conseguiu, na maior parte do tempo. Utilizando músicos remanescentes da banda de apoio que tocava nos estúdios da Motown, inclusive para alguns dos artistas regravados, Collins mimetizou à perfeição clássicos das Supremes (Love is Here), Dusty Springfield (Going Back), Steve Wonder (Uptight), The Temptations (Girl), Martha & the Vandellas (Heatwave) e outros. O baixo está gordo à beira da distorção em algumas faixas, as canções têm os tamborinzinhos, enfim, é quase tudo idêntico.

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Louvável o aspecto de superação de Going Back. Collins perdera a sensibilidade nas mãos e apenas tocava bateria com as baquetas amarradas aos pulsos. Também é perceptível a reverência que o músico tem pelo material e a energia com que ele interpreta canções, como Jimmy Mack. Difícil não estalar os dedos.

A voz perdeu um pouco do vigor e está anasalada demais em certas faixas. Depois de um par de audições, a gente se reacostuma, porém.

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A pergunta que fica, no entanto, é: pra que tudo isso se já há os originais, tão bons a ponto de Collins nem querer mexer neles? Embora bem produzido, o álbum dá a sensação de não passar de terapia de regressão para um homem maduro e deprimido, em busca de um tempo que não pode voltar.

Para Collins, Going Back funcionou como ferramenta terapêutica. Resta saber se os ouvintes necessitam desse tratamento.

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Sobre Roberto Rillo Bíscaro

Roberto Rillo Bíscaro é professor universitário e edita o Blog do Albino Incoerente desde 2009.

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