Renaissance: Impressionante jornada sinfônica ao vivo
Resenha - A Symphonic Journey - Renaissance
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 06 de novembro de 2018
Nota: 10 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Dá para contar nos dedos as bandas de rock progressivo que cravaram álbuns em posições top nas paradas de sucesso. Genesis, Yes, Jethro Tull, Pink Floyd, Emerson, Lake and Palmer; alguma mais? Vários grupos do subgênero são lembrados até hoje, mas seu sucesso comercial não passou do circuito cult.
O britânico Renaissance encaixa-se nessa categoria. Tiveram seus álbuns lançados no Brasil nos anos 70, eram conhecidos por fãs de prog ou música mais sofisticada, mas, sucesso comercial nunca tiveram. Nos EUA ainda atraiam multidões na superpovoada região industrializada do nordeste, mas na nativa Inglaterra passaram quase batido a não ser por um modesto número 10 na parada de singles, com Northern Lights, em 1978.
A luxuriante mistura de folk, música erudita, rock e jazz, os vocais agudos de Annie Haslam produziram grandes discos: Prologue (1972), Ashes Are Burning (1973) e Scheherazade and Other Stories (1975). A guinada New Wave e brigas internas desmancharam o frágil Renaissance, que passou anos na geladeira ou fraturado em dois.
Desde que Annie Haslam e Michael Dunford revitalizaram o Renaissance, em 2009, a banda não parou mais de fazer shows. O falecimento de Dunford não deteve a veterAnnie, que até lançou material inédito de estúdio, em 2014.
Ano passado, os britânicos excursionaram pelo norte dos EUA e em diversos espetáculos tocaram com a Renaissance Chamber Orchestra. Mediante crowdfunding (vaquinha) entre fãs, conseguiram verba para financiar que uma das performances fosse filmada e lançada em CD duplo e DVD.
Assim, há algumas semanas saiu A Symphonic Journey, registro da apresentação no Keswick Theater, na cidade de Glenside, na Pennsylvania, dia 27 de outubro, de 2017. Este texto trata do CD duplo apenas.
Com carreira de décadas e repertório imenso, ficam lacunas, como a ausência de Northern Lights. Talvez pudesse estar no lugar de Island.
O Renaissance é o protótipo da banda de rock progressivo, que serve de alvo perfeito para detratores que sempre se queixaram da ausência de rock na fórmula. De fato, o único momento mais roqueirinho é a derradeira Ashes Are Burning e mesmo assim, porque é a hora em que cada músico tem seus segundos de brilho individual, então, há uma guitarra mais proeminente. Mas, o piano é jazz e o predomínio, claro, é orquestral.
Fãs do lado estritamente sinfônico não terão do que reclamar. A instrumentação é suiçamente precisa e a voz da setentona Annie Haslam impressiona pelo alcance e cristalinidade. A folky At The Harbour, com seu delicado arranjo, destaca à perfeição essa voz. Para quem gosta de virtuosismo aqui e acolá, Haslam ainda tem fôlego, como no apoteótico final de Mother Russia. Essas canções foram feitas com pretensões orquestrais, então os oboés e cordas caem perfeitamente. Mother está imperial, assim como A Song For All Seasons, Prologue e A Trip To The Fair, esta última também alvo perfeito para os acusadores das letras do prog sinfônico não passarem de desculpa para variações instrumentais. Que seja, mas é lindo.
Felizmente, foram incluídas faixas do renascimento desse milênio e que se encaixam muito bem aos clássicos sinfônicos dos 70’s. A longa e variada Symphony Of Light e a maviosa Grandine Il Vento demonstram que o Renaissance deveria lançar mais material inédito de estúdio. Sem se preocupar em ser "acessível". Os fãs que restaram esperam outro Scheherazade & Other Stories.
Até porque já tentaram ser mais concisamente pop e de nada adiantou em termos de vendagens e paradas de sucesso. Há quarenta anos, um par de álbuns trouxe umas coisas mais tocáveis em rádio, tentativas que A Symphonic Journey não esquece, porque produziu gostosuras folk como Carpet Of The Sun e Kalynda, delicada balada pescada do desnorteado Azure d’Or (1979), no qual o Renaissance buscava em vão um novo rumo, após o terremoto disco music e o tsunami punk.
Ainda é muito prazeroso jornadear com o Renaissance.
Tracklist:
CD 1 (49:19)
1. Prologue (7:25)
2. Trip To The Fair (10:54)
3. Carpet Of The Sun (3:45)
4. At The Harbour (7:42)
5. Grandine Il Vento (6:48)
6. Symphony Of Light (12:45)
CD 2 (47:00)
7. Kalynda (3:55)
8. Island (5:57)
9. Mother Russia (9:55)
10. Song For All Seasons (10:58)
11. Ashes Are Burning (16:15)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O maior disco do metal para James Hetfield; "Nada se comparava a ele"
O hit do Angra que é difícil para o Shamangra cantar: "Nossa, Andre, precisava desse final?"
A música dos Beatles que tem o "melhor riff já escrito", segundo guitarrista do Sting
As únicas três músicas do Sepultura que tocaram na rádio, segundo Andreas Kisser
Baterista Eric Morotti deixa o Suffocation e sai disparando contra ex-colegas
David Lee Roth faz aparição no Coachella e canta "Jump", do Van Halen
Evanescence lança música inédita e anuncia novo disco, que será lançado em junho
5 bandas dos anos 70 que mereciam ter sido bem maiores, de acordo com a Ultimate Classic Rock
Dave Mustaine afirma que setlists dos shows do Megadeth são decididos em equipe
O país em que Axl Rose queria tocar com o Guns N' Roses após ver Judas Priest brilhar lá
O maior álbum grunge para muitos, e que é o preferido de Eddie Vedder
Filho de Rick Wakeman, Adam declara seu amor pelo Marillion e Mark Kelly
A melhor banda ao vivo que Dave Grohl viu na vida; "nunca vi alguém fazer algo sequer próximo"
AC/DC nos anos 70 impressionou Joe Perry e Eddie Van Halen: "Destruíam o lugar"
As três bandas de prog que mudaram para sobreviver ao punk, segundo o Ultimate Guitar
Lista: hinos do rockeiro sapatênis
As dez piores capas do metal, em uma lista sem Manowar e Pantera
A reação do Sepultura quando até cantores sertanejos tentaram a sorte para substituir Max

26 mortes de figuras ligadas ao rock/metal ocorridas em janeiro de 2026
Morre Terry Sullivan, baterista da formação clássica do Renaissance
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos



