Soul Enema: jornada épica através dos elementos do rock progressivo
Resenha - Of Clans and Clones and Clowns - Soul Enema
Por Tiago Meneses
Postado em 15 de setembro de 2017
Fundado em 2001, este excelente projeto israelense encabeçado pelo músico, CONSTANTIN GLANTZ está de volta depois de sete anos desde o seu álbum de estreia e com formação completamente nova. GLANTZ continua perfeccionista quando se trata de criar sua música e, assim como no álbum de estreia, o ouvinte é levado a um passeio sonoro eclético e igualmente atraente, com cada elemento aumentando a qualidade geral com alguns detalhes. Além dos cinco músicos integrais da banda, o álbum conta com mais oito convidados que inclui ARJEN LUCASSEN, famoso por idealizar o projeto AYREON e que aqui deixa sua marca solando na faixa "Eternal Child". Devido a toda a atenção prestada a cada pequeno detalhe, Of Clans and Clones and Clowns vem como um projeto liso e sério, onde toda ideia e composição são cuidadosamente criadas e colocadas no lugar apropriado para dar ao álbum o fluxo musical perfeito de ideias e energias.
Muita atenção é dada à produção também e apesar de ser bastante complexa e multicamadas, o álbum mantém uma sensação orgânica espontânea que, surpreendentemente, não soa sobre produzida e não contém excesso. A partir do início da música "Omon Ra", a banda exibe uma fusão eclética de vários gêneros, toda costurada perfeitamente em uma boa colagem musical de estilos e sons. Os riffs de guitarra de heavy metal se sobrepõem com outras polirritmias, incluindo sons do Oriente Médio e ataques de teclado ao melhor estilo progressivo sinfônico. A diversidade das faixas mantém o álbum interessante com os vocais de NOA GRUMAN, acrescentando um alcance de muita diversidade.
Tantos elementos acontecem que é impossível descrevê-los todos ou falar faixa por faixa. O fio comum é que é dada muita atenção aos ganchos melódicos cativantes que assumem possibilidades de progressivo e cruzamentos com outros gêneros, pesos das músicas se alternam entre o rufio de metal progressivo de pleno direito para um rock melódico mais calmo para faixas de piano simplistas. Existem muitas influências étnicas também com faixas como "The Age of Cosmic Baboon", que soa completamente exóticas com ritmos do Oriente Médio e percussão com o toque místico adicionado pela sitar. A mistura dos elementos rítmicos com a atmosférica é absolutamente fascinante à medida que eles se entrelaçam em perfeita união. As peças de guitarra pesadas podem se mudar abruptamente para um segmento de prog mais sinfônico com flautas alimentadas com folk. O ritmo está perfeitamente definido para cada parte se conectar ao que já ocorreu e o que está por vir. Enquanto a maioria das faixas tem uma sensação de metal ou rock na natureza, algumas como "Last Days Of Rome" trazem o bom rock antiquado para a mente, fazendo lembrar de artistas como Carole King, embora com um monte de outros elementos da moda prog, digamos assim. "Dear Bollock (Was a Sensivite Man) é outra faixa de sonoridade exótica com GLANTZ mostrando suas habilidades como tocador de shamisen japonês.
Apesar do desfile de grandes ideias em qualquer faixa, a suíte de três partes "Aral Sea" é o momento mais progressivo do álbum, contando com uma sonoridade diversificada de humor a história do famoso mar que passou de um dos maiores do mundo a um processo hoje basicamente de desertificação por puro descuido humano. A primeira faixa é "Aral Sea I – Feeding Hand" que conta o conto da vida fértil, com guitarras pesadas, pianos melódicos e sinfônicos além de Noa fornecer uma das suas entregas mais dramáticas. "Aral II – Dustbin of History" começa em um ritmo que nos dá uma sensação de sonoridade do Oriente Médio, mas rapidamente a atmosfera fica de tristeza com efeitos eletrônicos dinâmicos de metais pesados mais ou menos como uma ideia de simular o mar que um dia já foi produtivo sendo desvanecido. Essa faixa também tem uma vibração única do Extremo Oriente devido a presença de YOSSI SASSI oferecendo o som exclusivo da sua bouzoukitara, dando um toque verdadeiramente exótico. "Aral Sea III – Epilogo" tem o fim esperado da morte, mas realizado com uma interessante introdução de piano e percussão discordantes. Os vocais são bastante emotivos. A faixa também tem como convidado SERGEY KALUGIN da banda russa de progressivo, ORGIYA PRAVEDNIKOV, na guitarra acústica. A faixa cresce em sua instrumentação tendo no seu final um solo de guitarra e uma sonoridade orquestral belíssima.
CONSTANTIN GANTZ tem uma mente brilhante, consegue explorar vastos territórios melódicos e ritmos que vão facilmente de dois extremos que poucos se aventurariam fazer. Consegue oferecer uma jornada épica através dos melhores elementos encontrados no rock progressivo. Impressionante e aventureiro sem que se torne também estranho e sem sentido, demonstra que as possibilidades de misturas musicais quando bem cuidadas nos seus detalhes, sempre são válidas e agregam na singularidade do resultado sinal.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Iron Maiden anuncia reta final da "Run for Your Lives" e confirma que não fará shows em 2027
Mikael Åkerfeldt (Opeth) não conseguiria nem ser amigo de quem gosta de Offspring
Sepultura lança "The Place", primeira balada da carreira, com presença de vocal limpo
Rock and Roll Hall of Fame anuncia indicados para edição 2026
Indireta? Fabio Lione fala em "ninho de cobras" e "banda de palhaços" após show do AC/DC
O músico que Sammy Hagar queria dar um soco na cara: "O que acha que vou fazer?"
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Segurança de Bob Dylan revela hábitos inusitados do cantor nas madrugadas brasileiras
Bruce Dickinson, do Iron Maiden, já desceu a mamona do Rock and Roll Hall of Fame
Alex Skolnick entende por que Testament não faz parte do Big Four do thrash metal
A melhor faixa de "Senjutsu", segundo o Heavy Consequence
Folha cita "barriga enorme" de Brian Johnson em resenha sobre show do AC/DC em SP
O ator que estragou uma canção de rock clássico, de acordo com Jack Black; "hedionda"
O pior solo de guitarra do Angra de todos os tempos, segundo Rafael Bittencourt
Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
Bono explica o real significado da canção mais mal compreendida da história do U2
As bandas brasileiras que aqui são underground e lá fora são sucesso, segundo Bruno Sutter
Ronnie James Dio: por que ele odiava a música "Rainbow In The Dark"?



"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Blasfemador entrega speed/black agressivo e rápido no bom "Malleus Maleficarum"
Tierramystica - Um panegírico a "Trinity"
GaiaBeta - uma grata revelação da cena nacional
Before The Dawn retorna com muito death metal melódico em "Cold Flare Eternal"
CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda
Clássicos imortais: os 30 anos de Rust In Peace, uma das poucas unanimidades do metal



