Adrenaline Mob: banda emplaca novidades sem fugir da fórmula

Resenha - We the People - Adrenaline Mob

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Por Victor de Andrade Lopes
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Nota: 8

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Superada a tragédia da morte do baterista A.J. Pero bem no meio de uma turnê com esta banda, além de duas trocas de baixistas, o Adrenaline Mob resolve recorrer a dois músicos menos conhecidos para preencher a ala rítmica do supergrupo e lançar seu terceiro álbum em cinco anos: o baixista David Zablidowsky e o baterista Jordan Cannata.

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Sem surpresas, a obra intitulada We the People entrega mais um pacote de porradas do quarteto estadunidense. Além dos membros novos, contudo, temos outras pequenas novidades. Em particular, um discurso crítico mais afiado, inspirado pelo turbilhão de informações e emoções causado pela eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016 que coroaram o republicano Donald Trump como o 45º presidente dos Estados Unidos.

Além disso, temos em algumas faixas um certo experimentalismo dentro da fórmula do grupo, se é que posso falar assim. Nota-se em "The Killer's Inside", por exemplo, uma roupagem levemente puxada para o progressivo, enquanto que os primeiros 100 segundos de "Lord of Thunder" são dedicados a uma introdução sinfônico-cinematográfica que desemboca em mais um trabalho com aroma progressivo.

A relativamente leve "Raise 'Em Up" consegue o feito de transformar em heavy metal uma letra aparentemente extraída de algum CD pop ou eletrônico, e o interessante cover de "Rebel Yell", do Billy Idol, marca o último registro do baterista A. J., segundo resenha do site Brave Words. As sempre presentes baladas aparecem aqui na forma de "Bleeding Hands" e "Blind Leading the Blind", reafirmando que a banda também é capaz de pegar leve.

O resto das faixas não necessitam de comentários específicos, são apenas trabalhos típicos com a fórmula que o quarteto definiu no início da década, quando nasceu. As faixas, digamos, "diferentonas" evidenciam uma busca por algo de novo para oferecer aos fãs, mas sem abdicar daquilo que os fez o que são hoje.

Sobre os membros isoladamente, temos um Mike Orlando afiadíssimo em seus solos e direto em seus riffs. Russell Allen, como sempre, não decepciona, mas quem quiser conferir sua real capacidade vocal continuará tendo que recorrer a Symphony X, Star One e Ayreon.

Os novatos David e Jordan, por suas vezes, praticamente roubam a cena. Jordan pode nunca ter feito nada relevante na música, mas é egresso da Berklee, o que já dirime qualquer dúvida sobre sua capacidade - se seu desempenho em We the People já não bastasse para tanto. David, mais rodado, agrada por fugir do óbvio e não se limitar a acompanhar a guitarra do primeiro ao último acorde.

Já muito mais uma banda que um mero projeto paralelo, e nitidamente dando mais tesão a Russell do que o Symphony X, o Adrenaline Mob caminha para se tornar o principal trabalho dos seus músicos. Até compreendo quem porventura considerar ridícula uma trupe de quarentões tentando se passar por jovens headbangers, mas negar a qualidade da música feita por eles beira a insanidade.

Abaixo, o vídeo de "King of the Ring":

Track-list:

1. "King of the Ring"
2. "We the People"
3. "The Killer's Inside"
4. "Bleeding Hands"
5. "Chasing Dragons"
6. "Til the Head Explodes"
7. "What You're Made Of"
8. "Raise 'Em Up"
9. "Ignorance & Greed"
10. "Blind Leading the Blind"
11. "Violent State of Mind"
12. "Lords of Thunder"
13. "Rebel Yell"

Fonte:
Sinfonia de Ideias
http://bit.ly/2rpGw9L




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Sobre Victor de Andrade Lopes

Victor de Andrade Lopes é jornalista (Mtb 77507/SP) formado pela PUC-SP com extensões em Introdução à História da Música e Arte Como Interpretação do Brasil, ambas pela FESPSP, e estudante de Sistemas para Internet na FATEC de Carapicuíba, onde mora. É também membro do Grupo de Usuários Wikimedia no Brasil e responsável pelo blog Sinfonia de Ideias. Apaixonado por livros, ciências, cultura pop, games, viagens, ufologia, e, é claro, música: rock, metal, pop, dance, folk, erudito e todos os derivados e misturas. Toca piano e teclado nas horas livres.

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