Vandroya: banda nacional merece o rótulo de prog power metal
Resenha - Beyond the Human Mind - Vandroya
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 11 de maio de 2017
Nota: 8 ![]()
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O Brasil não tem uma safra de bons nomes de power metal que seja proporcional à popularidade do gênero por aqui. É verdade que nos garantimos bem com o Angra, hoje uma das maiores do mundo, e que temos algumas "potências emergentes" como o Rygel e o Hibria, mas pelo tamanho do país e da comunidade de fãs, esperava-se mais.
Para ajudar a engrossar esse caldo, temos hoje uma ótima banda em atividade: o quinteto paulista Vandroya. Diretamente de Bariri, no coração do estado, o grupo lançou em abril Beyond the Human Mind, sucessor de sua boa estreia "One".
Ele segue a estrutura típica de um bom disco de power metal, a "começar pelo começo", se me permitem: uma introdução com elementos sinfônicos ("Columns of Illusion") que emenda na explosiva "The Path to the Endless Fall" (nome que parece retirado do catálogo do Rhapsody of Fire). Conquanto essencialmente uma faixa de power metal, a segunda metade dela mostra uma sequência de andamentos não ortodoxos e riffs intrincados que evidenciam a faceta progressiva da banda.
Mas essa faceta é apenas, bem, uma faceta. A essência do som do Vandroya continua sendo o power metal, e isso podemos constatar em "Maya", "Time After Time" e nas ótimas "I'm Alive", que remete a Labyrinth (que também lançou um bom álbum mês passado); e "You'll Know My Name", que é mais puxado para os trabalhos mais alucinados do Edguy, do Angra e do Galneryus.
Ainda seguindo as regras do manual do power metal, Beyond the Human Mind vem não só com uma, mas duas baladas: "Last Breath" e "If I Forgive Myself". Seus primeiros minutos poderiam se passar facilmente por hits radiofônicos de alguma diva atual do pop/R&B (o que não torna as faixas necessariamente ruins), mas algumas guitarras logo chegam para nos lembrar que se trata de uma banda de metal. E o que mais ajuda essas canções a darem certo é a agradável voz de Daísa Munhoz, que já apareceu também na metal opera nacional Soulspell.
O álbum se encerra com aquela faixa épica que todo trabalho de power metal que se preze precisa ter. E a boa notícia é que o quinteto aproveitou os quase 11 minutos da canção para explorar mais aquela faceta progressiva, presente aqui na forma de riffs mais sofisticados, solos fritados e mudanças abruptas de andamento. Honestamente uma das melhores peças de metal progressivo nacional que já ouvi. O Vandroya é um exemplo de banda para a qual o termo "progressive power metal" não seria aplicado levianamente como acontece com o Stratovarius ou o Sonata Arctica, por exemplo.
Já direcionei elogios a Daísa, e agora endereço alguns eles ao baterista Otávio Nuñez. Suas viradas e linhas que fogem da mesmice chamam a atenção e demonstram uma busca por identidade própria. E a cozinha fecha com excelência nos dedos dos guitarristas Marco Lambert e Rodolfo Pagotto, além do baixista Gee Perlati.
O Vandroya definitivamente integra o seleto grupo de bandas nacionais de power metal que são verdadeiramente interessantes e sabem investir num som marcante e bem executado. Beyond the Human Mind merece toda a sua atenção - e seu dinheiro também. Vamos ajudar o metal nacional?
Abaixo, o lyric video da faixa "I'm Alive":
Track-list:
1. "Columns of Illusion" - 2:41
2. "The Path to the Endless Fall" - 6:09
3. "Maya" - 6:38
4. "Time After Time" - 4:18
5. "Last Breath" - 4:33
6. "I'm Alive" - 4:37
7. "You'll Know My Name" - 5:59
8. "If I Forgive Myself" 6:25
9. "Beyond the Human Mind" - 10:48
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