Havok: uma das bandas mais consistentes do thrash metal atual
Resenha - Conformicide - Havok
Por Jefferson Alexandre da Silva
Postado em 26 de abril de 2017
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
O quarto trabalho do quarteto de Denver (Colorado, EUA), lançado no mês passado, demonstra a qualidade, versatilidade e domínio dos thrashers, inserindo a banda como uma das mais consistentes na cena do moderno thrash metal atual.
Com uma formação diferente da que gravou o antecessor Unnatural Selection (2013 – Candelight) e também em um novo selo (Century Media Records), Conformicide possui uma diferença em relação aos outros discos da banda, sendo bem presente o seu caráter experimental principalmente pela inclusão de vários elementos (marcha militar, trechos de noticiário) e estilos (soul, funk, acústico). Além disso, vemos em Ingsoc características progressivas, com longa introdução e riffs mais cadenciados e prolongados, bem como um solo extenso sobre uma base expansiva típica dos trabalhos desse estilo. No entanto, se pensarmos a evolução do estilo como um todo e a presente cena, não temos a adição de nenhuma transformação significativa que redefina a maneira de fazer thrash metal.
Isso não significa que o disco seja ruim, muito pelo contrário, o álbum é muito complexo e preciso em sua execução, apresentando criatividade e domínio técnico dos instrumentos por parte dos integrantes em cada passagem e riff. Assim, podemos elencar esse trabalho como um excelente sucessor do já clássico Time is Up (2011 – Candelight) que apresentou a banda ao mundo.
Pessoalmente, a principal contribuição de Conformicide é a sua parte lírica. Como é comum em quase todos os discos de thrash há uma marcante presença da discussão dos problemas sociais e políticos do mundo atual, focando sempre nos temas como guerras, violência, religião, etc.
Todavia, nesse disco a banda não se utiliza de "meios termos" ou analogias para tecer suas críticas. É possível ver isso nas faixas Hang ’Em High e Peace in Pieces, nas quais falam diretamente para a indústria armamentista americana que pressiona e suborna o governo para tomar atitudes belicosas visando aumentar seus ganhos as custas da morte, destruição e sofrimento alheio. Não há nenhum receio de afirmar que os verdadeiros inimigos não estão "além do oceano", mas são domésticos, são eles as "cobras da américa".
Trabalhando em um plano mais conceitual, as faixas F.P.C, Intention to Deceive e Ingsoc discutem sobre dominação, principalmente o controle das mentes. A crítica é clara aos veículos de comunicação ao iniciar uma das músicas com um noticiário no qual somente informa notícias sem importância, desviando a atenção para os reais problemas da sociedade. Dessa forma a opinião é massificada e o controle é facilitado pelos governos.
Outro tópico que recebe "homenagens" no disco é, como não poderia ser diferente, a religião/religiosidade. São 3 músicas dedicadas ao tema (Dogmaniacal, Masterplan e Claiming Certainty) nas quais encontramos letras que questionam a vontade divina na crença de um plano melhor criado sobre um mundo de miséria e caos, bem como aos manipuladores que se utilizam da religião para controlar seus membros e determinar como deve ser a vida e atitudes deles.
Finalizando o disco, Circling the Drain vai na contramão do restante das faixas, incorporando uma mensagem positiva de que, mesmo diante do "colapso total" a humanidade vive um momento crucial, no qual é possível, a longo prazo, fazer renascer a sociedade. No entanto é preciso que seja feito algo nesse exato momento, caso contrário seremos sugados pela "descarga".
Após os 57 minutos em que demos play no cd a impressão final é que estamos diante de um trabalho conciso e extremamente bem executado, seja pensando o estilo como um todo ou nos elementos que a banda insere em cada música, sem, contudo, revolucionar a fórmula estabelecida do thrash metal.
Obs.: nas edições em digipack e vinil, ambas ainda sem lançamento nacional, há 3 faixas bônus: uma faixa extra, uma ao vivo e outra cover do Pantera.
Ficha técnica
País: Estados Unidos
Lançamento: 31 de março de 2017
Gravadora: Century Media Records
Produção: Steve Evetts
Banda
David Sanchez – vocais e guitarra
Nick Schendzielos – baixo
Pete Webber – bateria
Reece Scruggs – guitarra
Faixas
1. F.P.C. 5:20
2. Hang 'Em High 4:49
3. Dogmaniacal 5:55
4. Intention to Deceive 5:42
5. Ingsoc 7:41
6. Masterplan 6:25
7. Peace Is in Pieces 5:17
8. Claiming Certainty 3:42
9. Wake Up 5:41
10. Circling the Drain 7:17
11. String Break 0:43 (Digipack e Vinil bonus)
12. Slaughtered (Pantera cover) 3:55 (Digipack e Vinil bonus)
13. Claiming Certainty (Live) 3:42 (Vinil bonus)
Texto publicado originalmente em thethrashpi.blogspot.com.br.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Nem Robert Plant se atreve: a música que ele diz não conseguir cantar de jeito nenhum
O melhor baixista da história do heavy metal, segundo o Loudwire
O melhor guitarrista de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
A música que Brian Johnson chamou de uma das melhores do rock: "Tão bonita e honesta"
Pink Floyd é homenageado em nova espécie de peixe raro descoberta por pesquisadores brasileiros
A melhor banda de rock progressivo para cada letra do alfabeto, segundo a Loudwire
Ex-Arch Enemy, Alissa White-Gluz anuncia sua nova banda, Blue Medusa
A missão de treinar a nova cantora da Nervosa: o trabalho de Mayara Puertas com Prika
A melhor música do primeiro disco do Iron Maiden, segundo o Loudwire
O filme de guerra que inspirou uma das maiores músicas do Metallica de todos os tempos
10 álbuns essenciais do metal dos anos 70 que valem ter em vinil
O clássico do Metallica que fez James Hetfield se encolher: "Aquilo foi ruim"
A atração do Rock in Rio que "as pessoas já viram 500 vezes"
O melhor disco de heavy metal de cada ano da década de 1970, segundo o Loudwire
Stray Cats anuncia volta à estrada após recuperação de Brian Setzer


Virgo um dos álbuns mais importantes da carreira de Andre Matos
Em "Attitude Adjustment", Buzzcocks segue firme como referência de punk rock com melodia
"Ritual" e o espetáculo sensorial que marcou a história do metal nacional
Iron Maiden: uma análise sincera de "Senjutsu"


