Ayreon: Um dos melhores trabalhos do projeto de Arjen Lucassen
Resenha - Source - Ayreon
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collector's Room
Postado em 26 de abril de 2017
São dezessete músicas, distribuídas em um álbum duplo com 90 minutos de duração. Ou seja: se você não é fã de rock progressivo, de canções longas, de alternância de climas e de refinamento técnico (seja instrumental ou vocal), esse disco não é para você. No entanto, caso você seja apenas um apreciador de boa música, daqueles que não se prendem a rótulos ou gêneros específicos, o novo disco do Ayreon tem tudo para chegar e ficar na sua vida.
"The Source" é o nono álbum do projeto concebido e encabeçado pelo compositor, vocalista, guitarrista e multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen. Sucessor de "The Theory of Everything" (2013), o disco traz uma seleção de músicos em participações especiais: James LaBrie (Dream Theater), Simone Simons (Epica), Floor Jansen (Nightwish), Hansi Kürsh (Blind Guardian), Tobias Sammet (Avantasia, Edguy), Tommy Kaverik (Kamelot), Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob) e Tommy Rogers (Between the Buried and Me), entre outros, revezam-se nos vocais. Na parte instrumental, Paul Gibert (Mr. Big) encabeça uma também estrelada lista de convidados que conta com nomes como Joost van den Broek (piano e piano elétrico, ex-After Forever), Mark Kelly (sintetizador, Marillion), Guthrie Govan (guitarra, The Aristocrats e ex-Asia), entre outros.
Seguindo a tradição da banda, "The Source" é um álbum conceitual, com cada vocalista interpretando o papel de um personagem. A banda volta a explorar uma história de ficção científica no novo disco, e na cronologia do grupo "The Source" se encaixa como o prequel de "01011001", sétimo trabalho da banda, lançado em 2008. Ou seja, a história contada em "01011001" tem o seu início em "The Source". O álbum marca a estreia do Ayreon em sua nova gravadora, a holandesa Mascot Label Group.
Liricamente, "The Source" conta a origem dos Forever, raça alienígena recorrente no universo criado por Lucassen para o Ayreon. O disco é dividido em quatro partes, quatro capítulos, quatro movimentos: The Frame, The Aligning of the Ten, The Transmigration e The Rebirth, cada um deles com pouco mais de 20 minutos de duração. No encarte do álbum, cada capítulo conta com um texto introdutório escrito pelo personagem The Historian, interpretado por James LaBrie.
Com exceção da faixa de abertura, "The Day That the World Breaks Down", que passa dos 12 minutos, o restante das composições varia entre três e sete minutos, característica que deixa o disco mais dinâmico, facilitando a assimilação de uma obra pretensiosa sim, mas que em nenhum momento almeja ser inalcançável para ouvintes não iniciados.
A mixagem e masterização do trabalho também merecem destaque, entregando uma sonoridade atual, é claro, mas com timbres que não escondem a inspiração nos melhores momentos da história do prog, um gênero que sempre primou pela excelência técnica nos mais variados aspectos.
"The Day That the World Breaks Down", música que abre o disco, é facilmente um dos melhores momentos de toda a carreira do Ayreon. Orgânica, fluída e dinâmica, transforma os seus mais de 12 minutos em uma sensação bem menos extensa, porém não menos intensa. Com participação de todo o time de vocalistas, é um presente recompensador para quem acompanha o trabalho da banda há tempos. E, na parte final, conta com uma mudança de clima a partir de uma passagem conduzida pelo baixo que é sensacional - só ouvindo para entender.
Aliás, "The Day That the World Breaks Down" apresenta a proposta musical pela qual as demais faixas irão se desenvolver, trazendo influências diretas do rock progressivo setentista e também algumas coisas da cena prog da década de 1980, e adornando essa base com toques de heavy metal, hard rock e AOR. A canção que inicia o disco, e que é o seu principal alicerce, vai da cena da Canterbury até o prog AOR do Kansas, por exemplo, em uma amplitude sonora que comprova, mais uma vez, a excelente gama de influências de Lucassen. E, como é habitual nos álbuns do Ayreon, pelo menos aos meus ouvidos, o desenvolvimento da proposta apresentada se desenrola como o enredo de uma ópera, como o roteiro de uma peça de teatro, em uma abordagem musical que é sempre bastante visual.
Por todos esses motivos, a parcela de leitores que espera encontrar em um texto como esse uma lista faixa a faixa, com as características de cada canção, ou uma seleção dos momentos preferidos do autor, poderá se sentir frustrado. Pois, no meu entendimento, "The Source", assim como todo bom disco de rock progressivo, não pode ser avaliado através de enxertos, de faixas isoladas, mas sim como um todo. E, nesse sentido, Arjen Anthony Lucassen segue sendo, com justiça, um dos nomes mais celebrados do prog, do prog metal ou seja lá de qual maneira você prefira chamar a sua música.
Um disco excelente e que, certamente, será uma bela companhia durante todo o ano.
Comente: Concorda com o autor?
Outras resenhas de Source - Ayreon
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música do Metallica que foi inspirada em "Run to the Hills" (e virou um "patinho feio")
Andi Deris lembra estreia do Helloween no Brasil em 1996
Cinco versões "diferentonas" gravadas por bandas de heavy metal
O único membro do "Angraverso" que tem uma boa gestão de imagem e carreira
"Não somos um cover, somos a banda real", diz guitarrista do Lynyrd Skynyrd
Essa música do Lynyrd Skynyrd é uma das mais polêmicas da história
Dave Mustaine explica por que Megadeth não participou do último show do Black Sabbath
A regra não escrita que o Iron Maiden impõe nos solos de guitarra, segundo Adrian Smith
"Deveríamos nos chamar o que, Iron Maiden?": Geddy Lee explica manutenção do nome Rush
A banda dos anos 80 que Pete Townshend trocaria por 150 Def Leppards
Fabio Lione afirma que show do Angra no Bangers Open Air será legal
Rick Rubin descartou uma das maiores bandas do grunge; "Não acho que sejam muito bons"
A música apocalíptica do Metallica lançada há mais de 40 anos que ainda faz sentido
As 11 bandas de rock progressivo cujo primeiro álbum é o melhor, segundo a Loudwire
Como o Rush vai homenagear Neil Peart em cada show da turnê de volta
Ayreon: "The Source" é para ser escutado do começo ao fim
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos


