Nervosa: Mostrando ao mundo a que veio
Resenha - Agony - Nervosa
Por Jefferson Alexandre da Silva
Fonte: thethrashpit.blogspot.com.br
Postado em 21 de março de 2017
Nota: 8 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Qualidade técnica e lírica não falta ao trio paulistano desde o lançamento em 2014 do seu primeiro álbum Victim of yourself (NAPALM RECORDS, 2014). Nesse disco o mundo conheceu a força e agressividade da banda, proporcionando a mesma grande notoriedade na cena mundial do thrash metal e uma grande turnê pela Europa, EUA e América Latina.
Nesse segundo disco estão mantidos os parâmetros anteriores: agressividade, técnica e composição, bem como a temática de discussão dos problemas sociais, políticos, etc.
No entanto, as temáticas em Agony são voltadas mais para conceitos como igualdade, intolerância, liberdade, corrupção, ódio, tecnologia. Enquanto os temas abordados no disco anterior eram mais diretos e pontuais: violência, desordem social, miséria.
Nas letras são apresentadas mensagens marcantes, muitas delas utilizando inteligentes jogos, algumas vezes antagônicos, entre as palavras:
"Is it right to think what you think is right?"
Arrogance
"A naked truth
Or a well-dressed lie?
An honest fool
Or a clever liar?"
Deception
"Dialogue is freedom
Intolerance is war"
Intolerance Means War
"Ignorância não é ser diferente
Ignorância é ser indiferente"
Guerra Santa
Embora várias músicas trabalhem os conceitos abstratos acima detalhados, temos também algumas que são diretas em seu objeto de crítica. Nesse caso destaco Hostagens e Guerra Santa. A primeira discute a forma como as pessoas são prisioneiras/reféns de um sistema de saúde público falido e negligente, ao qual, segundo a música, não há remédio para o sofrimento e a tortura. Na segunda, cantada em português, a temática é clara já em seu nome: crítica a manipulação e intolerância religiosa.
Diante de todo esse cenário abordado pelo disco, há um ponto um pouco contraditório quando a frase "The truth's unclear but the truth is only one" é entoada na música Hypocrisy. Enquanto a diferença e pluralidade é afirmada como algo positivo nas outras músicas, e que a opinião é unicamente um ponto de vista, não a verdade, nesse refrão há exatamente o oposto, pois é cantado que existe somente uma verdade. Talvez a ideia da frase seja afirmar que essa única verdade é que somos hipócritas, pois esse é o "refrão" tocado logo após.
O importante a ser frisado é que há uma grande carga crítica em todo o álbum que está em sintonia com as discussões vivenciadas no mundo (imigração por guerra, intolerância religiosa, de gênero, etc.). Essa, aliás, é uma característica da nova geração do thrash metal que está conectada diretamente com os dilemas do mundo moderno.
Analisando a parte musical, temos um thrash metal clássico: velocidade, riffs, aceleração/desaceleração, tudo muito bem casado com o vocal gutural rasgado e a linha de bateria e baixo. Esse, aliás, segue, em quase todas as músicas, os riffs da guitarra, preenchendo o som e acrescentando os grooves, embora algumas vezes seja difícil distinguir claramente suas notas no meio das músicas.
Pensando nos riffs destaco as músicas "Failed System", "Hostages", "Surrounded by Serpents" e "CiberWar". Essa última apresenta uma abertura muito diferente das outras, sendo feita com um riff "alegre" no baixo, para depois cair em um estrondo de guitarra e bateria. Nas outras faixas a mudança de tempo e das frases da guitarra demonstram a influência da escola clássica do thrash metal, que estabelecem os limites nos quais a banda demonstra sua criatividade, originalidade e técnica.
Focando na guitarra, é preciso frisar que a base é muito bem construída e executada, sendo tocada com muita técnica e precisão em cada detalhe, muitos deles difíceis de serem aplicados, principalmente quando tratamos desse gênero que emprega muita velocidade nos arranjos.
Todavia, os solos, que também é outra característica praticamente implícita a esse estilo musical, deixaram um pouco a desejar, na minha opinião, por 2 motivos principais:
1 – Volume/Nitidez: os solos não estão nítidos e audíveis em primeiro plano, ficando misturado com o restante dos instrumentos e da guitarra base em overdub;
2 – Frases/Escalas: o que pude notar é que, embora a guitarra seja excepcional na base, o solo é simples e um pouco repetitivo, muito preocupado com a velocidade do andamento da música do que com a sonoridade advinda das escalas e construção de arpejos.
No aspecto geral, esse álbum é excelente, possuindo todos os elementos de um disco clássico de thrash metal, mas cheio de características modernas de criação e sonoridade. É um grande degrau na evolução da banda como referência mundial no gênero.
Ficha Técnica
Lançamento - 3 de junho de 2016
Gravadora - Napalm Records Handels GMBH
Lançamento Brasil - Shinigami Records
Produtor - Brendan Duffey
Mixagem e Masterização - Andy Classen
Banda
Fernanda Lira - Vocal e Baixo
Prika Amaral - Guitarra
Pitchu Ferraz - Bateria
Track-list
1 - Arrogance
2 - Theory of Conspiracy
3 - Deception
4 - Intolerance Means War
5 - Guerra Santa
6 - Failed System
7 - Hostages
8 - Surrounded by Serpents
9 - Cyberwar
10 - Hypocrisy
11 - Devastation
12 - Wayfarer
Originalmente publicado em
http://thethrashpit.blogspot.com.br/
Outras resenhas de Agony - Nervosa
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Bangers Open Air divulga as primeiras atrações da edição 2027
Os 25 melhores discos de gothic metal de todos tempos, segundo a Louder
As 25 melhores bandas de todos os tempos, segundo a Classic Rock
A origem de "Por Quem os Sinos Dobram", que une Raul Seixas e Metallica
Anika Nilles conta como aprendeu partes de Neil Peart para turnê com o Rush
Show do Kiss deu origem a uma das maiores bandas da história do thrash metal
Vocalista do Moonspell sobre tradução literária: "É mal pago, mas adoro"
As bandas clássicas e nem tanto que estarão no novo game dos criadores do Guitar Hero
Copenhell vem aí com 76 bandas em 4 dias de shows; veja o line-up aqui
Iron Maiden e tietagem: Steve Harris posa com membros de três bandas de metal sinfônico
Mikkey Dee conta como conheceu e passou a tocar com King Diamond
Após revelar primeiras atrações, Bangers Open Air abre venda de ingressos; veja os preços
O ícone dos anos 1990 que Bob Dylan admirava: "Eu adoraria fazer um disco como o dele"
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
Como Max Cavalera aprendeu inglês tendo abandonado a escola aos 12 anos de idade
Jimmy Page explica por que cada membro do Led Zeppelin tinha um símbolo
Gordo revela valor do cachê que recusou da Pepsi: "Queriam que eu fosse Papai Noel azul"


Prika Amaral (Nervosa) cita o disco mais difícil que já gravou
Prika Amaral explica por que a Nervosa precisou sair do Brasil
Quinze bandas brasileiras de Rock e Metal com mulheres na formação que merecem sua atenção
O Big Four do heavy metal brasileiro, de acordo com Mateus Ribeiro
A curiosa reação de Prika Amaral ao ouvir a voz de Lemmy Kilmister pela primeira vez



