Xandria: Repetindo a velha fórmula, mas com boas inovações

Resenha - Theater of Dimensions - Xandria

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Por Gustavo Maiato
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Foi no disco “Neverworld´s End” que o Xandria resolveu querer ser grande e começou a busca pela tão sonhada fórmula do sucesso. Algo que flutue entre não ser uma cópia de suas influências e ter uma sonoridade que o torne instantaneamente reconhecido. E que seja boa para os ouvidos, claro. Em “Sacrificium” veio o trunfo maior com a excepcional soprano Dianne van Giersbergen debutando nos vocais e seus agudos de primeira grandeza, com vibratos cirurgicamente colocados e tendo lindas melodias para emprega-los. Havia uma certa personalidade aí, uma sonoridade particular, distinta, mas ainda em formação. “Theater Of Dimension” se encaixa nos mesmos moldes de seu álbum predecessor, abusando das orquestrações, aquele clima épico e até um peso extra nas guitarras. No difícil equilíbrio entre adicionar novos elementos e utilizar os que outrora deram certo, os holandeses apostaram as fichas em repetir a receita, mas esqueceram do ingrediente principal: As boas melodias. No geral, tanto as linhas de voz quanto de orquestra não foram tão inspiradas. Quando a banda não se apegou ao passado, a coisa funcionou. As músicas Death to the Holy, Forsaken Love e a dançante Ceilí vieram com uma pegada folk bem interessante e o épico que dá nome ao disco é uma obra prima de nada menos que 14 minutos com direito a estrofes inteiras declamadas por Dianne dando uma de atriz.

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Começando o tracklist, o disco abre com Where the Heart is Home, uma música costumeira com uma introdução bastante orquestrada e a caixa à la Boléro de Ravel. Uma linha vocal triste e bonita vem na sequência já mostrando Dianne em plena forma, sempre acompanhada dos corais. Death to the Holy é uma surpresa pelo uso dos pipes estilo Troy Donockley (Nightwish) logo no começo, mas o lado sinfônico fala mais alto e lá vamos de novo com os corais e passagens inteiramente orquestradas. É claro que são justamente essas características que o Xandria vem procurando lapidar ao longo de sua carreira, mas faltou uma criatividade maior aí para não desgastar a própria fórmula. Forsaken Love é uma das melhores do disco, ainda bebendo da fonte folk. O verso vem acompanhado de um piano e do baixo de Steve Wussow fazendo um ótimo contraponto grave. O refrão é um dos melhores do álbum e no final ele é executado com pedal duplo e em uma altura mais aguda.

Call of Destiny ganhou até clipe com direito a Dianne brandindo espada e vestindo armadura. Aqui vemos um ingrediente novo: Um solo de teclado bem rápido, típica coisa trazida do power metal que funcionou bem, afastando um pouco da massa sonora uniforme de orquestrações. O refrão tem uma melodia bem rápida, mas Dianne segura as pontas tranquilamente. We are Murderers (We All) é um estranho no ninho que parece ter sido tirada dos álbuns mais recentes do Epica ou até mesmo de bandas de death metal puro. Quando vemos que o produtor do disco é o mesmo Joost Van Den Broek que assinou os últimos discos do Epica, tudo fica claro. A introdução dessa vez é bem pesada, totalmente baseada na guitarra, e a voz de Dianne soa mais grave que no resto do álbum. Björn Strid, do Soilwork, incrementa a música com suas participações guturais rasgadas e a música promete animar nos shows.

O Xandria vinha de uma excelente balada chamada In Remembrance, do EP “Fire and Ashes” e as expectativas por uma música do mesmo naipe eram altas. Dark Night of the Soul é uma balada que traz uma atmosfera parecida com a de sua irmã mais velha, com melodia dramática, porém não muito inspirada. Uma boa tentativa de direcionar a banda para músicas mais lentas, mas sem encontrar uma boa proposta. A dupla de guitarristas Marco Heubaum e Philip Restemeier teve alguns momentos para brilhar e When the Walls Came Down foi uma dessas ocasiões. A introdução é crua, só com as guitarras, bateria e baixo, mas logo vem uma guinada de tempo acelerando a música. Uma mudança inteligente. Já Ship of Doom tem a participação do vocalista Ross Thompson, do Van Canto, que adicionou um timbre interessante à voz de Dianne e aos coros. Mais uma vez vemos os pipes sendo usados.

O disco vai se encaminhando para o final quando a instrumental Ceilí aparece com uma proposta completamente inovadora lembrando clássicos do Blackmore’s Night. O título da música é referência a um estilo de dança Irlandês e foi uma boa sacada, já que o álbum tem essa pegada folk. Mais uma vez, uma inovação que funcionou muito bem. Outra que veio fora do lugar comum e agradou foi Song for Sorrow and Owe. A música já começa com os vocalizes de Dianne, lembrando muito Deep Silent Complete do Nightwish ou Delirium do Epica. O verso é muito bom e a ideia de fazer o refrão sem letra e só com os vocalizes de Dianne foi bem acertada. Ponto para a banda.

Os convidados especiais trouxeram suas próprias musicalidades para o “Theater of Dimensions”. Em Burn Me temos a participação do vocalista Zaher Zorgati, da banda tunisiana de prog Myrath. Aqui é necessário ter cuidado, pois o convidado precisa se adaptar ao som da banda na mesma medida que a banda tenta trazer elementos que só o convidado pode adicionar. Pareceu que o Xandria forçou usar elementos clássicos do Myrath como as escalas típicas orientais e perdeu sua essência. Algo similar aconteceu quando Arjen Lucassen chamou o mesmo Zaher para participar do Ayreon e acabou transformando sua participação em uma extensão do Myrath. Queen of Hearts Reborn começa com uma guitarra acústica e dessa vez a banda soube dosar os coros com a melodia de Dianne. Fica claro que se a banda almeja crescer para o primeiro escalão do metal sinfônico ela precisa expandir musicalmente e pensar mais inovações.

Para o final, o melhor. A Theater of Dimensions (a música) é uma das melhores canções da história da banda e traz todos os elementos clássicos mesclados com inovações interessantíssimas como o belo dueto entre Dianne e Henning Basse (Firewind) que é dono de uma voz rasgada que lembra muito Jorn Lande. A música começa com um bonito violino e um clima contemplativo que é logo sobreposto por um strings fazendo uma base com a bateria mais tribal. A coisa toda lembra um pouco os melhores momentos do Nightwish da era Anette. Já no refrão, temos um coro ao fundo e Dianne entra fazendo a melodia principal bem aguda. A música segue mudando de atmosfera com direito até a um momento Danny Elfman meio circense e uma ótima passagem em que Dianne declama uma parte da letra. Henning ainda tem um momento de destaque com uma espécie de cânone onde ele canta uma frase e a repete em seguida, fazendo as frases soarem uma em cima da outra. Dianne entra também para embolar ainda mais esse jogo de vozes, tornando tudo um tanto quanto caótico.

A alta expectativa criada com “Sacrificium” não foi superada e “Theater of Dimensions” não é mais que um álbum razoável pontuado por bons momentos. A fórmula criada anteriormente mostrou não ser capaz de ser implantada em outro álbum e justamente as inovações que foram os pontos altos do disco. A bateria sem criatividade de Gerit Lamm não contribuiu nas músicas e Dianne segue na batalha para entrar no hall da fama das melhores vocalistas do metal sinfônico. Ela tem muito potencial, mas não foi dessa vez que a banda conseguiu alçar voos maiores.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, músico e fã. O heavy metal entrou na sua vida há 10 anos e nunca mais saiu. Gosta de estudar o tema e compreender o metal como manifestação cultural.

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