Pain of Salvation: Bacana, mas longe de ser um clássico
Resenha - In the Passing Light of Day - Pain of Salvation
Por Ricardo Pagliaro Thomaz
Postado em 26 de janeiro de 2017
Nota: 7 ![]()
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O Pain Of Salvation é, faz muito tempo, uma de minhas bandas favoritas de metal progressivo. Descobri o grupo sueco com uma coletânea de metal, e ela me levou para um disco da banda chamado Remedy Lane (2002) o qual me apaixonei loucamente.
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Algum tempo depois, vi a produção anterior deles e curti mais ainda. Depois de Remedy Lane, o grupo me surpreenderia com o sensacional BE (2004). E foi este, para mim, o último trabalho realmente relevante do grupo em muito tempo. Agora, a banda volta, inclusive com uma nova formação.
Muito bem, feitos os devidos elogios, vamos às críticas, antes de eu entrar na resenha do novo disco. Ultimamente, o Pain of Salvation não vinha tendo uma fase muito boa, não depois que muita coisa mudou a partir do álbum Scarsick (2007), incluindo a formação do grupo, que já mudou mais do que roupa íntima. Pois é, faz pelo menos uns 12 anos que a gente não ouve um disco do grupo sueco que se diga "caramba, esse novo disco é sensacional, desafiador, espetacular!"
Scarsick teve bons momentos, mas foi um tanto inferior ao seu antecessor, o BE; Road Salt One (2010) e Road Salt Two (2011) também não impressionaram; tinham, assim como Scarsick, alguns bons momentos, mas foi uma fase bem fraca, muito aquém do que aquilo que a banda apresentou no passado; por fim, Falling Home (2014), que já conta com a mesma formação deste novo disco, foi um álbum de versões acústicas em estúdio, ou seja, nada de novo. Eu ficava me perguntando a razão de terem feito um disco só de reinterpretações acústicas, sendo que Daniel Gildenlöw já havia lançado o ótimo 12:5 em 2004, que era um ao vivo e acústico.
Enfim, o grupo tem estado tão longe de ser eles mesmos nesses últimos tempos, que pouco a pouco começaram a sair do meu radar. As constantes mudanças de membros na formação também não ajudavam a causa do grupo; se você pegar as formações de álbuns clássicos deles como Remedy Lane ou BE, vai ver que se trata de uma outra banda diferente, cuja única constante ainda é seu chefe máximo, Gildenlöw. Desta forma, como podemos avaliar este disco novo do Pain of Salvation, In the Passing Light of Day, lançado agora, dia 20 de Janeiro, com esta formação mais recente? Bom; aliás, uma retomada de caminho, se considerarmos os últimos discos. E é só, nada de extraordinariamente marcante, mas Gildenlöw já aponta, bem de leve, um retorno às origens sonoras lá do Entropia (1997), mesmo ainda tendo alguns vícios de discos anteriores que não foram lá muito bons.
A primeira faixa por exemplo, "On A Tuesday", já tem aquela quebradeira pesada que a gente ouve, e reconhece como Pain Of Salvation, além da letra filosófica que Gildenlöw gosta de usar para reclamar das mentiras que ele acha que as pessoas vivem todo dia. "Tongue Of God" é outra que me chamou a atenção instrumentalmente, enquanto que na letra, Gildenlöw reclama desta vez de Deus.
Em um dos singles do disco, "Meaningless", ele começa como se fosse algo saído dos Road Salt, ou seja, bem chatinho, mas se desenvolve bem e me captura a atenção; o outro single,"Reasons", já é bem mais interessante, inclusive ritmicamente, e foi uma das ótimas surpresas do novo disco.
"Full Throttle Tribe" é outra boa adição, porque me lembrou algo saído do segundo álbum da banda, One Hour By The Concrete Lake (1998), com toda aquela quebradeira e melodias soturnas, um momento extremamente digno de ser chamado de vintage e positivamente bom. "Angels of Broken Things" também me remeteu ao Pain of Salvation mais clássico, com aquela bateria tão quebrada no ritmo, mas sutilmente combinando com o andamento da voz e da melodia; tão fora de padrão, mas mesmo assim bem agradável de ouvir, e com um clima bem soturno.
Das lentas e atmosféricas, "Silent Gold" me pareceu muito bacana; as outras, incluindo a faixa de fechamento, não me pegaram de surpresa, aliás, achei elas bem fracas. "If This Is the End", por exemplo, a primeira metade é bem sonolenta, já a segunda, é boa, forte, mas falta aquele tempero do Pain of Salvation mais desafiador de discos mais clássicos.
E entenda, amigo, não estou querendo que o grupo repita fórmulas quando me refiro aos outros discos do grupo. Gildenlöw conseguiu juntar uma nova banda fantástica, com músicos excelentes, todos altamente capazes de reproduzir as músicas antigas e completamente eficientes em executar qualquer coisa que o Gildenlöw escreva; porém, falta aquele elemento que faz tudo convergir, que cria toda aquela mágica que víamos em discos como BE, ou Remedy Lane.
De forma geral, eu achei um novo lançamento até bacana, mas longe de ser um clássico. Em muitos momentos, a gente ouve aquele Pain of Salvation mais vintage que curtíamos, dá pra ver que a nova banda está se esforçando ao lado de Gildenlöw. Porém, falta o amadurecimento que vem com o passar dos anos e com a convivência. Acredito que o grupo tem toda capacidade do mundo de se reencontrar e nos trazer um disco verdadeiramente memorável desta fase atual, e achei o resultado aqui neste disco bacana, já aponta para um início de retomada, mas ainda não chegou lá, mas eu torço para que chegue. Para os fãs antigos, eu recomendo, é um disco que você com certeza vai querer ouvir, e para os iniciantes, recorram ao material mais clássico do grupo. É isso.
In The Passing Light Of Day (2017)
(Pain Of Salvation)
Tracklist:
01. On a Tuesday
02. Tongue of God
03. Meaningless
04. Silent Gold
05. Full Throttle Tribe
06. Reasons
07. Angels of Broken Things
08. The Taming of a Beast
09. If This Is the End
10. The Passing Light of Day
Selo: InsideOut
Pain of Salvation é:
Daniel Gildenlöw: voz, guitarra
Ragnar Zolberg: guitarra rítmica, back vocal
Gustaf Hielm: baixo, back vocal
Daniel Karlsson: teclados, back vocal
Léo Margarit: bateria, back vocal
Discografia anterior:
- Falling Home (2014)
- Road Salt Two (2011)
- Road Salt One (2010)
- Scarsick (2007)
- BE (2004)
- Remedy Lane (2002)
- The Perfect Element, Part I (2000)
- One Hour by the Concrete Lake (1998)
- Entropia (1997)
Site: www.painofsalvation.com
Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog: acienciadaopiniao.blogspot.com.br
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