Desolation Angels: Uma das bandas desconhecidas dos anos 80

Resenha - Desolation Angels - Desolation Angels

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Por Ivison Poleto dos Santos
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Escrevo mais uma vez sobre uma banda desconhecida, ou quase, as famosas bandas “cult”, aquelas que os poucos que conhecem as acham maravilhosas e, geralmente atribuem a falta de sucesso à má sorte, ao pouco conhecimento do público sobre a proposta da banda, às forças ocultas da qual o Jânio Quadros se referia e dezenas de outras explicações. Muitos se referem a elas como “injustiçadas”. Algumas realmente são, outras são na verdade muito ruins mesmo e o fracasso se autoexplica!
Eu já escrevi sobre o Cirith Ungol, uma banda realmente injustiçada, e agora escrevo sobre uma banda ainda mais obscura e desconhecida: o Desolation Angels!

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Para quem curte metal há mais tempo, o nome deve fazer soar aquele sininho de “Acho que já ouvi!”, “Hum, conheço de algum lugar!”, “Vou olhar nas minhas revistas velhas!”. Na realidade a banda é uma ilustre desconhecida. O ilustre desconhecida aqui fica para as bandas que “quase” chegaram no “quase”... Explico. Há bandas que quase chegaram ao topo, que poderiam ter chegado lá. São bandas que conseguiram lançar um bom número de álbuns, fizeram muitos shows, foram até capas de revista e assuntos de várias reportagens, deixaram um legado e muitos fãs, mas que no final das contas não conseguiram chegar ao estrelato. É o caso do meu amado Saxon, do Lizzy Borden, do Anvil e outras. Estas são as que chegaram no “quase”. Existem também as que quase chegaram no “quase”! É o caso do Desolation Angels. São bandas que conseguiram gravar mais de um álbum, que tiveram alguma repercussão, shows e fãs fiéis, mas que não chegaram nem próximo do reconhecimento comercial. Muitas vezes a razão disso é o tempo diminuto que elas sobreviveram. Muitas trocas de integrantes, brigas e conflitos e outras coisas. A lista destas bandas é enorme Tokyo Blade, Tank, Cirith Ungol, LeatherWolf e outras.

Atualmente as ferramentas digitais como o Youtube ajudam bastante a descobrir se as bandas sobreviveram ao crivo do tempo. Se você digita o nome da banda e alguns vídeos pipocam na tela, isso é sinal de a banda de alguma maneira sobreviveu. O Desolation passa por este crivo. Feito isso deve-se ver se há comentários nos vídeos postados e a quantidade deles. Nenhum ou poucos comentários significam que a banda era quase que completamente desconhecida. É o caso deles.

Mas vamos ao primeiro da banda que como regra se chama Desolation Angels que foi lançado por aqui em vinil pela Rock Brigade Records em 1987 e eu tenho! Bom, a capa já indica bastante do que será o álbum. Crua, chega até a ser mal desenhada com uma caveira da morte desproporcional em cima de um cavalo sobrevoando um cemitério. Tosca, como se fala hoje, mas bem típica das bandas da época. A contracapa é interessante. Mostra os músicos vestidos com hábitos de monge e os túmulos com os nomes deles, porém na mesma qualidade da capa! É interessante que não há os créditos para o baterista e quem ver os vídeos feitos na época verá que a banda esconde o baterista. Na revista foi feito o comentário de que seria uma bateria eletrônica, mas não pode ser verdade, pois muitas dos andamentos, timbres e levadas não poderiam ser feitos pelas baterias eletrônicas da época que tinham som chocho e artificial. Uma outra versão que ouvi, e mais real, é que ocorreram problemas com o baterista e a banda remanescente resolveu tirar os créditos do rapaz. Uma pena, pois é quem toca melhor!

Bom, e as músicas que é o que interessa!

Antes de responder vou adiantar que eu gosto deste álbum! Ele me atrai. Comprei-o logo depois do lançamento depois de ter lido uma resenha na falecida revista Metal que falava bem do disco. Devo dizer que não me decepcionei. Porém, mesmo na época algumas coisas já chamavam a atenção: a qualidade da gravação não era lá essas coisas ainda mais levando em conta que é uma banda inglesa onde mesmo os piores estúdios possuem equipamentos com boa qualidade e os músicos têm acesso a bons instrumentos, o contrário do que ocorria aqui na mesma época, quando nem estúdios eram bem equipados nem os instrumentos disponíveis eram bons, e somente quem tinha muita grana, ou muita influência tinha acesso; os músicos não eram lá essas coisas, eram corretos, sim; não perdiam o tempo, não eram desafinados, porém, faltava algo; as composições, porém são boas! As músicas mesmo com as limitações dos músicos, principalmente dos guitarristas, eram bem compostas! Tinham ideias interessantes, andamentos variados e o vocalista até era razoável. Mas na hora dos solos a coisa pegava! Eram decepcionantes! Faltava qualidade! Coisa que foi razoavelmente resolvida no segundo álbum. Para os aficionados em filmes seria um bom filme ruim, se é vocês me entendem.

Sinceramente eu gosto de todas as músicas e é difícil destacar apenas uma. É um álbum para quem gosta realmente de Metal, principalmente da NWOBHM, movimento a qual a banda pertence.

Segundo a Encyclopaedia Metallum, a banda ainda está em atividade com uma longa pausa de 1991 a 2008. Uma trajetória também comum às bandas da época que comeram grama nos anos noventa, muitas acabaram e voltaram em 2014 quando poucas receberam o reconhecido valor, entretanto não foi com certeza o caso do Desolation. Eles chegaram até a se mudar da Inglaterra para Los Angeles em 1987-1988, porém voltaram à terra da Rainha no começo dos anos 90, com certeza pela falta de sucesso, para finalmente terminar em 1994. Na Home Page oficial da banda o tom é bastante melancólico. Idas e vindas, fracassos, tentativas entusiasmadas e mais fracassos. Comovente, principalmente para alguém como eu que teve banda e sabe como é difícil se firmar em um cenário musical hostil à sua arte. Endosso Keith Sharp quando escreveu na história da banda: “Despite all these twists and knock-backs, these years remain the best of my life. There is no better buzz than the sound of a crowd singing along to a song you have written.” É bem por aí. Quem teve banda sabe do que estamos falando.

Enfim, é um álbum que apesar das falhas agrada, porém é para iniciados!

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