Regis Tadeu e a música do Iron Maiden que serviu pra encher linguiça mas se tornou clássico
Por Bruce William
Postado em 14 de setembro de 2022
O jornalista e crítico musical Regis Tadeu comenta algumas curiosidades sobre o "Powerslave", quinto álbum de estúdio do Iron Maiden, lançado em 1984, em um vídeo que pode ser conferido a seguir.
Logo no começo, Regis explica que o "Powerslave" foi gravado sob condições muito ruins pois Marcus Cowe, técnico de guitarra do Adrian Smith e membro da equipe que era muito querido por eles, havia morrido num acidente de carro nas Bahamas, que era exatamente onde a banda estava gravando um disco, e aquilo deixou todos muito arrasados. E pra complicar mais as coisas, a turnê do novo disco - que sequer estava pronto - já havia sido agendada pelo Rod Smalwood, empresário e "dono" da banda junto com Steve Harris. "Havia uma pressão muito grande, e essa pressão foi um dos fatores que fez com que começassem a acontecer alguns conflitos internos", relata Regis.
Foi então, conforme Regis, que Steve Harris tomou uma decisão que mudaria a história da banda. "Eles não tinham um número de composições suficientes pra preencher um álbum, e o relógio correndo", diz o jornalista, comentando ainda que Steve Harris acabou tendo que escolher algumas decisões, e uma delas é considerada por Regis e todos os fãs do Iron Maiden uma decisão "extremamente acertada" que foi tomada pelo baixista: "Estender ao máximo possível uma canção que hoje é antológica dentro da história do Iron Maiden, que é 'Rime of the Ancient Mariner'", revela.
"Por isso que essa música é muito extensa, tem aquela parte no meio da canção que fica só o baixo do Steve Harris fazendo aquele clima", explica o jornalista. "Porque essa música foi composta inteiramente pelo Steve, e tem aquela parte de contrabaixo no meio que ele fica tocando sozinho, que é DEMAIS", se empolga Regis, que também sorri ao explicar: "mas aquilo foi uma encheção de linguiça. Sem contar que tem várias passagens da letra que foram praticamente copiadas do poema do Samuel Taylor Coleridge. Mas elas puderam ser copiadas pois, neste caso, como é uma obra muito antiga, não há mais questões de direitos autorais. E essa música inteira foi montada com trechos de outras ideias do Steve Harris que não tinham sido aproveitadas até então. Ou seja, essa música foi esticada propositalmente para poder ocupar um espaço que teria que ser ocupado por duas ou três músicas, e não haviam essas músicas", explica Regis.

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