Led Zeppelin: os 45 anos do clássico Led Zeppelin IV

Resenha - Led Zeppelin IV - Led Zeppelin

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Por Ricardo Seelig, Fonte: Collectors Room
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Poucos discos são tão importantes, emblemáticos e fundamentais para a história de um gênero musical quanto o quarto álbum do Led Zeppelin. Lançado em 8 de novembro de 1971, "Led Zeppelin IV" transformou o quarteto inglês em uma mega banda, erguendo o grupo ao paraíso através de uma escadaria construída com cada uma de suas oito faixas.

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O Led Zeppelin fez uma aposta arriscada em seu quarto disco. Desafiando a gravadora, a banda decidiu lançar o LP sem nenhuma menção ao seu nome na capa. Nada. Nenhum caracter, nenhuma frase, nenhuma pista. Apenas a imagem de um ancião carregando galhos em uma paisagem rural, enquanto a contracapa trazia uma cidade ao fundo. No encarte, a letra da música que fechava o lado A do vinil, “Stairway to Heaven”, e quatro símbolos enigmáticos identificando cada um dos músicos.

Os símbolos utilizados por John Paul Jones e John Bonham foram retirados do livro The Book of Signs, de Rudolph Koch. O de Jones, um círculo invadido por três formas iguais, representa uma pessoa que possui, ao mesmo tempo, confiança e competência. Os três círculos do símbolo de John Bonham representam a tríade formada por pai, mãe e filho.

O de Robert Plant foi, ao que parece, desenhado pelo próprio vocalista, inspirado em um símbolo que Plant viu no livro The Sacred Symbols of Mu, de Colonel James Churchward. A pena dentro do círculo representa a pena de Ma'at, a deusa egípcia da justiça, e é o emblema de um escritor. “A pena é um símbolo presente em todas as formas de filosofia. Ela representa, por exemplo, as tribos de Caras Vermelhas dos Estados Unidos”, explica o próprio Plant.

O símbolo de Page, o enigmático ZoSo, tem várias teorias sobre a sua origem. Estudiosos dizem que ele surgiu em 1557 em representação ao planeta Saturno. Também se observou de que ele é constituído pelos símbolos astrológicos de Saturno, Júpiter e, talvez, Marte e Mercúrio. O mesmo desenho havia aparecido, em uma forma praticamente igual, em um raro dicionário de símbolos do século XIX chamado Le Triple Vocabulaire Infernal Manuel du Demonomane, de Frinellan (um pseudônimo utilizado pelo escritor Simon Blocquel), publicado em 1844. “Meu símbolo é sobre invocação e ser protegido. Isso é tudo o que eu vou falar sobre ele”, declarou Page ao jornalista Mick Wall em 2001.

Produzido por Jimmy Page, "Led Zeppelin IV" teve suas sessões de gravação realizadas em diversos locais. Os novos estúdios da Island na época, localizados na Basing Street, onde o Jethro Tull gravou o clássico "Aqualung" no ano anterior, foram o ponto de partida, mas a coisa não rolou como esperado. Então, seguindo uma dica dos amigos do Fleetwood Mac, a banda foi para Headley Grange, uma mansão da época vitoriana em East Hampshire. Utilizando o estúdio móvel dos Rolling Stones, o Led Zeppelin gravou a maior parte do disco no antigo casarão, longe da agitação dos grandes centros e curtindo a calmaria do ambiente rural. Após a inserção de alguns overdubs nos estúdios londrinos da Island, Jimmy Page embarcou para Los Angeles com as master tapes embaixo do braço, para fazer a mixagem final no Sunset Studios. No entanto, o resultado ficou abaixo do esperado, e todo o trabalho teve que ser refeito novamente na capital inglesa, processo que gerou um atraso de alguns meses no lançamento do disco.

Com um tracklist repleto de clássicos, o disco tem também outra curiosidade rara: a participação especial de alguém de fora da banda. Sandy Denny, vocalista do Fairport Convention, divide os vocais com Robert Plant em “The Battle of Evermore”. Se bem estou lembrado, a única outra vez em que isso ocorreu foi em “Boogie with Stu”, faixa do duplo "Physical Graffiti" (1975) que conta com a participação do pianista Ian Stewart, o sexto Stone.

Para mensurar a importância de "Led Zeppelin IV" na carreira do grupo e na própria história do rock, basta fazer um exercício simples: você consegue imaginar o mundo sem clássicos como “Black Dog”, “Rock and Roll”, “Going to California”, “When the Levee Breaks” e, principalmente, “Stairway to Heaven”? Não dá né, convenhamos …

O disco alcançou a primeira posição na Inglaterra e no Canadá, e o segundo posto nos Estados Unidos, Austrália, Dinamarca, França, Japão e Itália. Só nos Estados Unidos, "Led Zeppelin IV" vendeu mais de 23 milhões de cópias e recebeu 23 Discos de Platina. O álbum é o segundo mais vendido em todos os tempos nos EUA, ficando atrás apenas de "Thriller", de Michael Jackson. Em termos mundiais, estima-se que "Led Zeppelin IV" tenha vendido aproximadamente 40 milhões de cópias.

Falar das faixas é obrigatório. Temos o andamento torto de “Black Dog”, o tributo a Little Richard em “Rock and Roll”, o lirismo inspirado em J.R.R. Tolkien de “The Battle of Evermore”, a imortal “Stairway to Heaven”, o groove de “Misty Mountain Hop”, a percussão explosiva de “Four Sticks”, a redefinição da beleza em “Going to California” e a emblemática “When the Levee Breaks”, com o som de bateria mais imitado do rock.

“Stairway to Heaven” merece um parágrafo à parte. A música foi toda escrita por Jimmy Page, em um arranjo que levou semanas para ser feito. Já a letra é de Robert Plant e veio toda de uma vez, em uma inspiração repentina. O solo da canção é frequentemente citado como melhor de todos os tempos, e um reconhecimento justo ao genial guitarrista que Page sempre foi. “Stairway to Heaven” foi a música mais tocada nas rádios norte-americanas durante toda a década de 1970, apesar de nunca ter sido lançada como single - sua própria duração, beirando os oito minutos, já é totalmente fora do padrão de três e quatro minutos que permeia as músicas de trabalho.

O canal VH1 elegeu “Stairway to Heaven” como a terceira melhor canção da história do rock, colocando-a atrás apenas de “Satisfaction", dos Rolling Stones, e “Respect", de Aretha Franklin. Já a Rolling Stone colocou a música na posição 31 de sua lista The 500 Greatest Songs of All Time.

Conciso e redondo, "Led Zeppelin IV" é o trabalho mais equilibrado do Led Zeppelin. A essência de tudo que a banda significa está em suas oito faixas. Ainda que o título de melhor disco do grupo varie entre ele, "Led Zeppelin II" e "Physical Graffiti", o que ninguém tira de "Led Zeppelin IV" é o seu impacto singular e permanente na carreira da banda e na história do rock.

Perguntado em 1990 se tudo havia mudado com "Led Zeppelin IV", Jimmy Page respondeu: “Ainda tenho tenho grandes lembranças daquele disco, estávamos tomados por um espírito maravilhoso. Todos tinham um grande sorriso no rosto".

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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