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Testament: Violência e pancadaria dão o tom em um disco sólido

Resenha - Brotherhood of the Snake - Testament

Por
Postado em 11 de outubro de 2016

"Brotherhood of the Snake" é o décimo-primeiro álbum do Testament e traz a banda norte-americana mantendo praticamente a mesma formação de "Dark Roots of Earth" (2012) - a única alteração é a entrada do baixista Steve DiGiorgio no lugar de Greg Christian. E o acerto começa por aí, já que o Testament atual conta com um dos melhores line-ups de sua história. Chuck Billy é um vocalista sensacional. A dupla de guitarristas conta com a técnica acima da média de Alex Skolnick e com a solidez de Eric Peterson, principal compositor do grupo e autor de todas as faixas do novo disco. E a cozinha, além de agora ter DiGiorgio, uma das referências quando pensamos no baixo dentro do universo do heavy metal, conta com o fenômeno que é Gene Hoglan, um baterista para o qual faltam adjetivos para qualificar o monstruoso trabalho realizado.

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Mas tudo isso de nada adiantaria se os cinco não funcionassem como uma banda. Mas eles funcionam, e muito bem. "Dark Roots of Earth" já havia sido um disco muito sólido, e "Brotherhood of the Snake" mantém a qualidade no mesmo patamar. O ataque de Hoglan aproxima algumas músicas do death metal, como fica claro no início da faixa-título, e parece que essa agressividade adicional contagiou os demais integrantes, já que o nível de violência apresentado no disco é um dos mais altos de toda a trajetória do Testament. E aqui entra um ponto bem interessante: equilibrando a pancadaria, doses onipresentes de melodia marcam presença por todas as faixas, resgatando uma das principais tradições e influências do thrash metal: a inspiração na New Wave of British Heavy Metal. Explico: quando surgiram, as bandas pioneiras do thrash norte-americano nunca esconderam que suas principais influências eram nomes como Venom, Motörhead, Sabbath, Iron Maiden e Judas Priest, ingredientes que se uniram na forma de sonoridades cativantes e marcantes através de nomes como Metallica, Slayer, Megadeth e o próprio Testament.

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Produzido novamente por Andy Sneap, "Brotherhoof of the Snake" vem com dez faixas, nenhuma acima de 6 minutos de duração. São canções diretas, com muito peso e riffs fortes, com uma predominância de andamentos rápidos que em alguns momentos levam a banda a flertar com o death e em outros aproximam a sua música do próprio hardcore - "Stronghold" é um bom exemplo.

Há um equilíbrio no protagonismo durante todo o trabalho. Em alguns momentos são os vocais de Chuck Billy que brilham - o cara está cantando muito bem! Em outros, é dupla de guitarras que faz o queixo cair. A entrada de Steve DiGiorgio parece que colocou o baixo alguns degraus acima, com o instrumento bem na cada durante todo o play. E Gene Hoglan é matemática pura, com andamentos criativos que criam ritmos pulsantes e complexos.

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Fazendo um paralelo com "Dark Roots of Earth", há algumas diferenças bastante perceptíveis. O disco de 2012 passava a sensação de ser mais bem acabado, com canções que foram melhores desenvolvidas, como "Native Blood" e a música que deu nome ao álbum. Em "Brotherhood of the Snake" a sensação é de urgência geral, com uma pancada atrás da outra. São propostas diferentes, inegavelmente eficazes nos dois casos, mas que agradarão mais um tipo do público do que outro, tenho a impressão.

Há grandes canções em "Brotherhood of the Snake", e isso fica claro principalmente nas primeiras quatro faixas. Com o desenvolvimento do disco há uma pequena queda, mas nada que comprometa o resultado final.

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No fim das contas, "Brotherhood of the Snake" é mais uma adição contundente no catálogo do Testament. Outro trabalho sólido e pra lá de competente de uma banda dona de uma trajetória com muito mais pontos altos do que baixos, e que, colocando na balança, possui uma discografia tão forte - ou até melhor, você escolhe - que seus conterrâneos do chamado Big 4.

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.
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