Testament: Pancadaria desenfreado com doses cavalares de melodia
Resenha - Brotherhood Of The Snake - Testament
Por Fabio Reis
Postado em 06 de dezembro de 2016
2016 foi um ano em que o Thrash Metal apresentou lançamentos de um nível absurdo, um dos grandes destaques sem dúvidas é a grande fase que as bandas mais antigas e tradicionais vivem. Tivemos Anthrax, Megadeth, Destruction, Sodom, Death Angel e até mesmo o Exumer, apresentando os seus mais novos trabalhos, e que trabalhos! Todos com uma qualidade acima da média e demonstrando que os "velhinhos" ainda tem muita lenha pra queimar, sorte nossa.
Confirmando o bom momento do gênero, o Testament concebeu o conceitual "Brotherhood Of The Snake" e apesar das declarações dos guitarristas Alex Skolnick e Eric Peterson afirmando que o disco seria uma espécie de "Reign In Blood", o trabalho equilibra muito a pancadaria desenfreada com doses cavalares de melodia. Sendo assim, a comparação com o clássico do Slayer não se confirmou, porém isso não é nenhum demérito e o novo disco do quinteto californiano é certamente um dos melhores álbuns de Thrash do ano, o que não é pouco se somarmos a quantidade de ótimos registros lançados.
Todas as faixas foram compostas por Peterson e apesar de Chuck Billy ter mencionado que as gravações foram tensas em diversas entrevistas, o resultado final de "Brotherhood Of The Snake" é surpreendente e mostra o velho Testament em uma forma invejável. A formação atual é praticamente uma seleção de músicos gabaritados e do alto escalão da música pesada, houve apenas uma troca de integrantes com relação ao último trabalho e um dos destaques deste novo petardo é justamente relacionado a essa troca. O baixista Greg Christian deu lugar ao monstruoso Steve DiGiorgio, que repete a cozinha insana do álbum "Individual Though Patterns" do Death, com o relógio humano Gene Hoglan nas baquetas.
Essa parte rítmica é tão fantástica que precisaríamos de uma resenha completa apenas pra analisar com precisão o que esses dois caras são capazes de fazer. Se não bastasse, o Testament ainda conta com o talento inquestionável do virtuoso guitarrista Alex Skolnick e a solidez de Eric Peterson, isso sem mencionar que Chuck Billy talvez viva o melhor momento de sua carreira e consegue alternar com precisão todas as suas técnicas vocais.
É claro que ter músicos tão espetaculares não é garantia de músicas agradáveis, mas aqui os caras desfilam toda a sua técnica de maneira muito natural e nos presenteiam com faixas matadoras. A veia mais agressiva e visceral é predominante no disco e em faixas como "Centuries Of Suffering", "Canna Business" e "The Number Game", o grupo pisa no acelerador sem dó. Na desenfreada "Stronghold", a brutalidade é tanta que em alguns momentos, nota-se até mesmo alguns elementos de Death Metal. Ainda temos "Born In A Rut", "Neptune's Spear" e principalmente "Seven Seals" (o melhor refrão do trabalho), onde a cadência aparece para contrastar com a velocidade, nessas canções a banda se torna mais maleável e a recordação de álbuns como "Practice What You Preach" e "Souls Of Black" é inevitável. Nas faixas "Brotherhood Of The Snake", "The Pale King" e "Black Jack", a banda alterna partes ultra velozes e outras bem melódicas, trazendo ao disco uma variedade de ritmos incrível e enriquecendo demais a audição.
A produção ficou mais uma vez a cargo de Andy Sneap e realmente o cara parece saber como atingir as timbragens exatas e equilibrar de maneira perfeita aquela sonoridade mais suja e característica do Thrash, com a limpidez e clareza das produções mais atuais. O resultado ficou bem satisfatório e é mais um grande trunfo a ser ressaltado no álbum.
A temática de "Brotherhood Of The Snake" faz menção a uma sociedade secreta (A Irmandade da Serpente) que supostamente existiu a mais de seis mil anos atrás e teve como papel renegar todas as religiões existentes, a Irmandade também é ligada a "reptilianos" e teorias da conspiração envolvendo alienígenas. Quase todas as músicas tem o tema ligado a este assunto, porém não contam uma história sequencial. A arte da capa é do artista Eliran Kantor, que também foi o responsável pela capa de "Dark Roots Of Earth" e é conhecido por seus trabalhos com Hatebreed, Soulfly e Kataklysm.
Mesmo com todos os acertos e pontos acima ressaltados, o novo registro não supera o disco anterior, considerado um novo clássico para muitos, em contrapartida, consegue ao menos se equiparar e não soar uma cópia ou uma sequência óbvia. "Brotherhood Of The Snake" é mais Thrash Metal, mais brutal e mesmo com toda a sua complexidade, é um disco mais simples, direto e cru que "Dark Roots Of Earth". O Testament mantém o alto padrão dos seus lançamentos e consegue aqui emplacar uma sequência que impõe respeito, confirmando o momento grandioso da banda e exaltando a capacidade criativa de um estilo que um dia ousaram blasfemar e decretar como morto, mero engano.
Integrantes:
Chuck Billy (vocal)
Eric Peterson (guitarra)
Alex Skolnick (guitarra)
Steve DiGiorgio (baixo)
Gene Hoglan (bateria)
Faixas:
01. Brotherhood of the Snake
02. The Pale King
03. Stronghold
04. Seven Seals
05. Born in a Rut
06. Centuries of Suffering
07. Neptune's Spear
08. Black Jack
09. Canna-Business
10. The Number Game
Outras resenhas de Brotherhood Of The Snake - Testament
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