Steve Hackett: Ainda inspirado para compor sólidos álbuns
Resenha - Wolflight - Steve Hackett
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 15 de julho de 2016
Nota: 9 ![]()
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Ainda antes de deixar o Genesis, em 1977, Steve Hackett estreara sua carreira solo com Voyage Of The Acolyte. O guitarrista que influenciou ases como Eddie Van Halen desde então tem mantido prolífica carreira com álbuns que passam pelo rock progressivo, clássico contemporâneo e até blues, alternando-se entre guitarra e violão. Os atuais 40tões/50tões brasileiros que nunca ouviram prog rock certamente não escaparam da guitarra do inglês, responsável pelo solado de Voo de Coração (1983), do álbum homônimo de seu compatriota Ritchie, aquele da Menina Veneno. A ligação com a Terra Brasilis foi bem estreita, porque durante mais de 20 anos, foi casado com a artista carioca Kim Poor.
Mesmo ocupado com o sucesso de suas releituras do cânone genesiano, que gerou CD, DVD e turnê que teve de ser estendida dada a procura por ingressos, Steve achou tempo, energia e inspiração para lançar o diversificado Wolflight, em março do ano passado. A dezena de canções passeia por estilos e pelo globo, servindo-se de instrumentos como o caucasiano duduk e o australiano didjeridu.
A instrumental Out Of The Body abre com orquestração austera e clima de hard rock/AOR com solado cristalino da guitarra e emenda com um dos pontos altos: a faixa-título. 8 minutos que praticamente sintetizam o espírito do álbum. Guitarra coexistindo com violão, climas que vão do leste europeu ao flamenco, intercalação de orquestra com percussão militar num clima bastante anos 70. É Mestre Hackett combinando elementos do que ouviu e tocou em décadas de carreira, numa canção bem estruturada e cantando sem medo. Ele jamais entrará para a galeria dos grandes vocalistas, mas sua voz casa muito bem com certo clima outonal que sua música possui, basta checar as vocalizações lindas e meio The Moody Blues de Love Song To a Vampire, que em seus mais de 9 minutos lembra desde o Genesis setentista até o violonar de Bay Of Kings. Fãs do baixista Chris Squire, falecido em junho do ano passado, devem atentar para o fato de esta ter sido uma das últimas gravações da lenda do Yes.
Hackett revisita todos os estilos pelos quais já passou, até o blues, como no rock Black Thunder, mas talvez a síntese maior esteja em The Wheel’s Turning, que de começo tchaikovskyano, vai para o circo, popeia em refrão quase impossível de não querer cantar junto, pesa quase ao ponto de prog metalizar e ainda joga blues no caldeirão. E tudo organicamente ligado, sem impressão de Frankenstein mal costurado. Corycian Fire alterna/sobrepõe clima de odalisca noir com coral carminaburânico e orquestração cinematográfica. Earthshine é praticamente aquele violão de melancolia de fim de tarde, que só o Mestre sabe fazer, ao passo que a adorável Loving Sea traz aquele violão dedilhado de folk setentista em roupagem popificada e harmonia vocal meio Crosby, Stills, Nash & Young.
A abundância de referências bem inseridas revela não apenas os anos e horas de estrada, mas também anima, por apontar que o sexagenário Mestre Hackett não está disposto/relegado a viver das glórias de um passado que por si só já lhe garantiu lugar no Hall da Fama. Ele ainda é capaz de produzir material sólido.
Tracklist
1 Out Of The Body 2:29
2 Wolflight 8:00
3 Love Song To A Vampire 9:18
4 The Wheel’s Turning 7:24
5 Corycian Fire 5:47
6 Earthshine 3:20
7 Loving Sea 3:23
8 Black Thunder 7:33
9 Dust And Dreams 5:33
10 Heart Song 2:51
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