The Mavens Telescope: Excelente estreia do grupo ribeirão-pretano

Resenha - Seed of True Existence - Mavens Telescope

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 10

Depois de escutar este excelente CD de estreia do grupo ribeirão-pretano The Mavens Telescope, lançado em Janeiro de 2015, eu não poderia ficar indiferente e deixar passar a oportunidade de divulgar mais uma razão pela qual eu tenho orgulho de dizer que sou de Ribeirão Preto, terra tão conhecida pelos festivais de blues e jazz que recebe.

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Pesquisando por aí e me informando, eu fiquei sabendo que a banda é um projeto que já vem sendo cultivado por anos a fio. E pela excelência do conteúdo musical, eu acredito que tenha sido mesmo, porque não é fácil, e toda banda independente sabe muito bem disso. Eu, que vivo em meio a esse pessoal, sempre divulgando e engrandecendo o cenário independente, sei o quanto é uma luta para se fazer reconhecer no cenário que se tem hoje em dia.

E é por esta razão que eu tenho um respeito enorme por esses caras, mesmo sem nem tê-los conhecido ainda, pessoalmente. Pude checar, através de um amigo meu e da página do Sesc Ribeirão, o perfil da banda e de cada integrante, individualmente, e notei a paixão pela arte que compartilham comigo. Sendo assim, eu só tenho ainda mais motivos para enaltecer a tremenda qualidade sonora e de produção deste CD de estreia, ao qual fui exposto.

Mas não vamos ficar com rodeios, e vamos falar do CD. Para se dizer o mínimo sobre ele, eu já posso dizer de cara que é um disco muito, muito corajoso. Eu já criei uma enorme curiosidade pelo som deles, apenas de ver o nome do grupo. Enfim, o CD é ótimo. Ele distorce bastante da proposta sonora que vários artistas daqui da região apresentam. Esta proposta segue uma veia a qual eu me apego e aprecio demais, que é uma mistura do experimentalismo, com o peso do Rock, e relances de música pop; pra ser mais preciso, eu posso tentar adivinhar aqui que certas influências como Foo Fighters, U2, Tears For Fears, e vários artistas do cenário independente tiveram contemplação aqui no som.

Destaques mais do que merecidos do álbum, vão para a primeira faixa, "Mind the Gap", que já ilustra uma musicalidade absurda. Outra que eu simplesmente adorei, foi "Beautiful Lie". Em termos de composição de arranjos rítmicos com certos efeitos e cadências, a banda é excelente, e tem uma química muito boa; isso sem falar nos momentos individuais dos integrantes. "The Tie and The Sign" é uma balada linda, muito bem escrita. "Mrs. Internet Old Times" é uma composição claramente inspirada, em partes, no grunge noventista, e me lembrou bastante o som de uma banda chamada Playground, banda que o vocalista Marko Saaresto, do Poets of the Fall, tinha antes de formar o grupo pela qual é famoso hoje.

Uma grande favorita minha, certamente foi "Walk Within", essa música, além de um riff muito bacana e blueseiro, uma levada funkeada, um groove muito bom, e um peso bem bacana, me lembrou tudo aquilo que eu aprecio no Rock dos anos 90, com pitadas também de anos 70. Muito bom mesmo, ótimo trabalho. Agora uma surpresa: quando eu escutei uma faixa curta, bem curta mesmo, de aproximadamente uns 44 segundos, eu não pude deixar de notar influências melódicas de Genesis no som dos caras, mais especificamente do segundo álbum do grupo inglês, Trespass. Não sei se foi a intenção, mas valeu muito a lembrança!

Pra terminar, eu preciso destacar outras duas faixas: a faixa "The Merging Collapse" mostrou como o grupo sabe construir climas; eu simplesmente adoro músicas com melodias climáticas, não é a toa que sou um fã de Rock Progressivo e artistas que fazem o chamado Art Rock. E essa canção realmente impressiona bastante na criação de climas e atmosferas, seja de qualquer um dos integrantes. E por último, a faixa "Moment of Trust", que ilustra perfeitamente a capacidade do grupo de se diversificar musicalmente, trazendo aqui uma levada bluegrass bem contagiante para seu som.

As letras são excelentes, mostrando o potencial internacional da banda, a lírica é muito boa, muito bem encaixada nas melodias, o trabalho instrumental é irrepreensível, e a qualidade de produção de tudo isso é sensacional, muito profissional.

Tudo isso são coisas que nos indicam um grupo maduro, que nos promete trabalhos excelentes em um futuro próximo. Este primeiro disco, que se encontra para download gratuito no site da banda (sim, até nisso os caras são gente fina!) nos foi já uma bela amostra do que a banda é capaz de realizar. Se continuarem a trilhar este caminho, estarão sempre em meu radar, e podem ter certeza, que eu estarei de olho neles, e ansiosíssimo para conhecê-los pessoalmente em um show por aí.

Quero agradecer um grande amigo meu que os apresentou a todos, não só a mim; ah, e quero dizer que estou interessado em uma cópia do CD! Vou terminando aqui, dizendo que, para quem curte música de primeiríssima qualidade, este disco é recomendação máxima!

The Seed of True Existence (2015)
(The Mavens Telescope)

Tracklist:
01. Mind the Gap
02. Elephant
03. Merging
04. Beautiful Lie
05. The Tie and The Sign
06. Mrs. Internet Old Times
07. Walk Within
08. Haiwa Haiwa
09. The Merging Collapse
10. Moment of Trust
11. Child

Selo: independente

Banda:
Jonas Ariel: voz
Thales Posella: guitarra
Flávio Anchieta: baixo
Beto Ferrari: bateria

Site oficial:
http://www.mavenstelescope.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br



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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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