Triumvirat: "Old loves die hard", um álbum da maturidade
Resenha - Old Loves Die Hard - Triumvirat
Por Rafael Lemos
Postado em 15 de março de 2016
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
"Old loves die hard" compõe a última parte do que ficou conhecida como "A trilogia do rato", onde os três álbuns possuem um rato na capa: ""Illusions on a Double dimple" mostra um rato branco saindo de uma casca de ovo (exceto na edição portuguesa que fugiu do tema, que só possui umas fichas desenhadas, sem animal nenhum); Spartacus tem um rato dentro de uma lâmpada" e "Old loves die hard" existe em duas versões. A Alemã, que é a mesma que saiu no Brasil, mostra o nome do grupo e do álbum em letras góticas, ao estilo de um afresco renascentista, sob um plano de fundo branco. Na letra "T" do nome Triumvirat ornamentada por flores, temos um anjo tocando flauta e, abaixo de tudo, um pequeno grupo de crianças tocando. Quase que imperceptível, há um rato na parte inferior, observando a isso tudo. Já a edição norte americana, temos um rato saindo de uma parede, visto por uma lupa.
A "Trilogia do rato", como ficou conhecida popularmente:
Illusions on a Double dimple:
Illusions on a double dimple (Portugal):
Spartacus:
Old loves die hard (Alemanha):
Old loves die hard (EUA):
"Old loves die hard" foi gravado em condições difíceis para a banda. Dois dias antes das gravações iniciarem, o baixista e vocalista Helmut Köllen (que era simplesmente o talento em pessoa) decidiu deixar a banda. Isso causou muita incerteza em quem seria o seu substituto, deixando o restante do grupo (Jürgen Fritz e Hans Bathelt) com dificuldades para achar quem entraria em seu lugar, que acabaram sendo duas pessoas:
Para o baixo, chamaram o membro original do Triumvirat, Dick Frangenberg. Ele havia tocado na banda antes dela gravar o seu primeiro disco, quando era um grupo instrumental que fazia versões de peças clássicas. E pra voz incluíram um vocalista britânico, Barry Palmer. Pela primeira vez, o grupo era um quarteto, gerando incompatibilidade com o nome. Fritz, o "chefão" da banda, resolveu preservar o nome mesmo assim, provavelmente por estes motivos: a fama que eles já possuíam (eram considerados superstars quando este disco saiu às lojas, em 1976) e a referência ao Triumvirato romano (Fritz era fanático por assuntos envolvendo História).
Dick Frangenberg mandou muito bem no baixo, mas Barry Palmer não era um substituto a altura de Helmut Köllen, com quem a banda atingiu o seu apogeu. Não que sua voz fosse feia, mas alguns excessos com ela deixavam a mesma a desejar. Seu ton é baixo e Palmer tentava atingir notas mais altas, as quais não alcançava, desafinando em todos esses momentos.
Por outro lado, "Old loves die hard" é o álbum melhor produzido da banda. As gravações, como de costume, ocorreram nos estúdios da EMI Electrola. A bateria é o destaque na parte da produção, pois ela dá a impressão de ter sido tocada dentro de uma caverna. Seu som ribomba em todas as faixas do disco, dando ecos que tornaram este trabalho especial.
Por se tratar de um disco da maturidade, ele tem composições totalmente coesas e bem estruturadas, em especial nos trechos de piano, que está esmerilhando aqui. Todos os integrantes concordam que foi o disco no qual tomaram mais cuidado com as composições, mostrando uma evolução na banda nesse sentido. Essa evolução foi reconhecida pela Academia Fonográfica Alemã, que concedeu a ele o prêmio de "Melhor orquestração nacional". Sendo assim, vamos às faixas:
"I believe" abre o disco em grande estilo. Se trata do riff mais famoso da banda. O mesmo foi elogiado pela (ótima) banda brasileira Bacamarte que, em 1983, fez referência a ele na música "Último entardecer", do álbum "Depois do fim", onde a canção se inicia com o mesmo riff: uma bonita homenagem. "I believe" traz belas passagens de piano e órgão em um emocionante desfecho. O ponto fraco são os corais femininos que se encontram quase no final da música, um pouco enjoativos.
Em seguida, temos um dos pontos altos, a suíte "A Day in a life", dividida em três partes: a primeira mais contemplativa, em estilo "espacial", a segunda é o auge, toda em piano onde, muitas vezes, o final de uma frase do instrumento é o início da outra, e a terceira já mais agitada e ritmada.
"The history of mystery" é bem interessante. Ela é dividida em duas músicas, semelhantes entre si. Após um inicio lento com piano e a voz de Palmer, inicia uma canção progressiva infantil que se estende até o seu final. Temos nela alguns solos de órgão onde Fritz eleva o valor de seu instrumento às alturas. É, com certeza, outro ponto alto do disco para, em seguida, termos o ponto mais baixo do mesmo:
"A cold old worried lady" é uma música bem chata. Seus pouco mais de cinco minutos, o que é um tempo comum, são intermináveis. Ela é toda executada no piano, com alguns toques de órgão, com a voz acima do instrumental. Barry Palmer, como foi dito, não é um cantor magnífico para se ter uma música onde se destaca a sua voz.
Todavia, outro ponto alto se segue, a destruidora "Panic on 5th Avenue", que faz com que a fraca música anterior jamais seja executada pelo ouvinte. Nela, há uma reprodução do caos da 5ª Avenida, com sirenes e tudo mais, que dá o ritmo da canção. Piano, órgão, baixo e bateria se fundem em uma atmosfera maravilhosa, sendo uma das melhores canções instrumentais que a banda compôs.
A faixa título encerra o álbum em estilo brando. Nessa música regular, temos uma tentativa de composição bem popular e acessível, provavelmente objetivando a execução nas rádios.
A edição em CD de 2002 possui uma música do único single que saiu, "Take a break today". Essa música, na verdade, já existia, chegando a ser gravada com Helmut Köllen anteriormente (nunca lançada em álbum). É uma música bastante acessível também.
Com algumas músicas ruins, outras regulares e a maioria excelentes, "Old loves die hard" fez bastante sucesso e, de uma forma geral, é um disco muito bom, com o qual o Triumvirat continuou a sua marcha triunfal.
Faixas:
01- I believe
02- A Day in a life
A- Uranus dawn
B- Pisces at noon
C- Panorama dusk
03- The history of mystery – part I
04- The history of mystery – part II
05- A cold old worried lady
06- Panic on 5th Avenue
07- Old loves die hard
Bonus:
08- Take a break today
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de Bonnie Tyler que foi "reconstruída" e virou hino do Bon Jovi
O maior guitarrista da história para Eddie Van Halen e Slash; "meu grande herói"
10 músicas do metal brasileiro lançadas após 2000 que já entraram para a história
5 músicas de heavy metal que são maiores que as próprias bandas
A canção dos Ramones que virou um dos maiores hinos do punk
4 clássicos do rock nacional em que a melhor parte não é o refrão
O arrependimento de Tarja Turunen: "Eu deveria tê-los feito passar por um inferno"
O guitarrista que fez Ian Anderson desistir da guitarra e escolher a flauta
O Triunfo do Hard Rock Melódico: Tyketto alcança a excelência com "Closer To The Sun"
Os 20 maiores hinos do heavy metal, em lista do WatchMojo
O riff mais tocado na maior loja de guitarra do mundo: "Antes era Stairway to Heaven"
O hit com introdução mais longa da história da Legião Urbana: "Considerado chato"
A melhor música do Avenged Sevenfold, segundo o WatchMojo
O show que fez a cabeça de Jimmy Page em 1965; "mudou minha forma de enxergar a música"
O grupo feminino que Roger Waters despreza por considerar o fundo do poço do gosto musical

Brasileiro Puukkojunkkari faz ótimo punk/hardcore extremo cantando em finlandês
A Arquitetura da Fé e da Melodia - Michael Sweet Transmite Paz em "The Master Plan"
Headhunter DC - Death Metal como arma, identidade e resistência
Black Swan - Quando a experiência se transforma em poder de fogo
Hellacopters acerta (de novo) com seu rock n' roll visceral em "Cream Of The Crap! - Volume 3"
Yes - Seguindo firme e forte em "Aurora"
"Break The Silence" prova que o mainstream precisa do Beyond The Black
Há 40 anos o Queen lançava "A Kind of Magic", álbum que marcou a despedida de Freddie dos palcos
O melhor disco ao vivo de rock de todos os tempos


