Greenslade: Não deixem de escutar esta relíquia do progressivo
Resenha - Spyglass Guest - Greenslade
Por Richely Campos
Postado em 21 de fevereiro de 2016
O que é música? O que ela expressa? A quem está destinada? Em que lugar ela vive? Quais são seus desejos, paixões, segredos? Como é seu caráter? Posso vê-la, tocá-la e amá-la? Respondendo essas indagações convoco alguns personagens ilustres da humanidade para explanar esses inquéritos. O escritor Aldous Huxley disse "depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música"; o romancista Miguel de Cervantes cita que "onde há música não pode haver coisa má" e o compositor Ludwig Van Beethoven expõe "a música é capaz de reproduzir, em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que inebria". A música é capaz de erguer uma tonelada apenas pelo toque de um acorde.
Convido a todos a escutar a virtuosa banda de rock progressivo chamada GREENSLADE e deliciar-se com as músicas compostas em seu terceiro álbum lançado em 1974, o grande "SPYGLASS GUEST".
O álbum abre com a estapafúrdia "SPIRIT OF THE DANCE" canção instrumental que em seu início ousa da pureza sonora dos teclados para que os ânimos sejam exaltados, a linha de baixo é simplesmente fenomenal e a bateria manipula o ritmo filosoficamente. Os teclados de DAVE GREENSLADE é o relato puro e simples citado por Aldous Huxley no preâmbulo desta resenha.
"LITTLE RED FRY UP" os teclados de DAVE LAWSON propõe ao ouvinte a devassidão musical, seguindo por uma bateria de respeito manejada por ANDREW MCCULLOCH. O vocal peculiar e maravilhoso de DAVE LAWSON, a entrada da guitarra do músico convidado CLEM CLEMPSON sinaliza a completa harmonia e novamente o baixo de TONY REEVES é admirável.
"RAINBOW" em seu início os efeitos dos teclados e bateria expressam uma explosão atmosférica em seguida esse clima se porta de maneira desigual revelando serenamente os vocais harmoniosos.
"SIAM SEASAW" faixa instrumental comandada pelo violão inebriante do músico convidado ANDY ROBERT com suporte melódico dos teclados de DAVE GREENSLADE que a transforma em algo divino juntamente quando a guitarra de CLEMPSON figura na canção.
"JOIE DE VIVRE" o som do órgão de tubos de GREG JACKMAN abre esse espetáculo teatral musicalmente elaborado, neste cenário também apresenta o violino relaxante de GRAHAM SMITH e as notas dos teclados de DAVE GREENSLADE têm a mágica de remover nossos pés do chão levitando o corpo aos céus, dançando e acariciando a melodia com uma alegria de viver estonteante.
"RED LIGHT" esta agradável canção é uma mistura sincera de Prog Rock com elementos influenciados pelo blues.
"MELANCHOLIC RACE" inicia flertando com o jazz e a música clássica seguindo em uma passagem melancólica em curto período, sobrepondo na corrida desenfreada do baixo eminente e os teclados animando as arquibancadas.
"THEME FOR AN IMAGINARY WESTERN" a banda homenageia o lendário JACK BRUCE fazendo um cover de sua canção do álbum "SONG FOR A TAILOR", de forma extraordinária dando a ela uma sofisticação própria. GREENSLADE, não deixem de escutar esta relíquia do rock progressivo.
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