The Project Black Pantera: Fugindo de padrões pré estabelecidos

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Por Fabio Reis
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Na maioria das vezes em que ouço um bom álbum, ele acaba se enquadrando totalmente dentro de um subgênero específico e segue uma mesma linha de construção da primeira até a última faixa. As músicas podem até ser boas e mesmo com variações rítmicas aqui e ali, é um disco reto, onde o que pode ser exaltado é a qualidade das composições. As vezes a técnica dos músicos chama a atenção e vez ou outra, ainda se destaca a produção, arte da capa e etc. É algo normal, padronizado e geralmente não apresenta nenhum fator extra capaz de causar espanto.

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Apesar de não ter nada contra este tipo de registro, afinal a grande maioria se enquadra perfeitamente nessa descrição, não posso negar o quanto é gratificante quando escuto um disco que foge totalmente de padrões pré estabelecidos. Se torna desafiador analisar e escrever sobre ele. As influências musicais são distintas e geram um trabalho musicalmente diversificado, onde classificar a sonoridade do grupo é tarefa das mais complicadas.

É exatamente este o caso do Project Black Pantera, que além da musicalidade ímpar, ainda usa temas interessantes na composição de suas letras. Os integrantes são super talentosos e possuem uma história curta, porém rica em detalhes. Daquelas capaz de te fisgar ao ponto de querer saber mais e mais. A banda foi formada em 2014 na cidade de Uberaba, Minas Gerais. O debut auto intitulado é o primeiro da carreira do power trio formado por Charles Gama (Guitarra/Vocal), Chaene da Gama (Baixo/Vocal) e Rodrigo Pancho (Bateria).

https://soundcloud.com/charles-gama/escravos

Após ouvir o CD por algumas vezes, fica claro que rotular ou definir um estilo ao trio mineiro não é tarefa das mais fáceis. Entre as 12 canções que fazem parte do registro, temos uma miscelânea de gêneros que passam pelo Crossover, Thrash, Hardcore, Punk, Groove e mais um leque enorme de ritmos e influências.

Nas primeiras composições do álbum, "Boto pra foder" e "Ratatatá", percebe-se o intuito de criar melodias de fácil aceitação e refrões pegajosos, mas é a partir da instrumental "Godzila" que o disco começa a surpreender de verdade. "Eu sei" possui uma veia punk sensacional, "Rede Social" faz uma crítica as pessoas que usam o mundo virtual de uma forma politicamente incorreta e é carregada de groove. "Abre a Roda e Senta o Pé", é marcada por uma levada Hardcore viciante e passagens que me lembraram nomes como Suicidal Tendencies e Infectious Grooves,
principalmente pelas linhas de baixo de Chaene.

"Execução na Av. 38" e "Manifestação" partem para o Thrash/Crossover e Hardcore. A letra de "Manifestação" é sem dúvidas a melhor do trabalho e reflete a realidade de nosso país em seu conteúdo. "Ressurreição" é dona de uma melodia marcante e se torna uma ponte perfeita para "Escravos", uma porrada certeira, com outra ótima letra. O álbum ainda possui uma versão em inglês para "Manifestação", onde a banda se dá muito bem e mostra ser bem eclética.

Os músicos não se preocupam em esbanjar qualquer tipo de virtuose e toda essa diversificação, ocorre através de arranjos diretos e de uma simplicidade que encanta. Me aprofundando um pouco na trajetória do grupo, me surpreendi ao saber que mesmo cantando em português, a banda tem recebido críticas extremamente favoráveis em países como Estados Unidos e França, tendo inclusive participado de diversas coletâneas gringas e obtendo bastante destaque em cada uma delas.

Acredito que este registro de estréia seja apenas a primeira etapa de uma trajetória de muito sucesso. O grupo tem muito potencial e deve evoluir bastante. Recomendo a audição a todos que possuem uma mente aberta e não se importam com rótulos, mas apreciam a música em suas mais diferentes nuances.

Integrantes:

Charles Gama (Guitarra/Vocal)
Chaene da Gama (Baixo/Vocal)
Rodrigo Pancho (Bateria).

Faixas:

1 - Boto pra fuder
2 - Ratatatá
3 - Godzila
4 - Eu sei
5 - Rede Social
6 - Abre a roda e senta o pé
7 - Execução na Av. 38
8 - Manifestação
9 - Ressurreição
10 - Escravos

Bônus:
Manifastation
Execução na Av. 38 feat. J. Cole (Mix by Afropunk)


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Sobre Fabio Reis

Paulista, 32 anos, Editor do Blog Mundo Metal, fã de Rock Clássico e Diversos subgêneros do Metal. Banda favorita: Megadeth. Conheceu o Rock ainda quando criança por intermédio dos pais (amantes de Beatles) e com 11 anos já ia na galeria do Rock comprar seus primeiros LP's, desde sempre fez do Metal seu estilo de vida e até os dias de hoje essa paixão pela música só aumenta.

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