The Project Black Pantera: Fugindo de padrões pré estabelecidos
Resenha - Project Black Pantera - Project Black Pantera
Por Fabio Reis
Postado em 24 de dezembro de 2015
Na maioria das vezes em que ouço um bom álbum, ele acaba se enquadrando totalmente dentro de um subgênero específico e segue uma mesma linha de construção da primeira até a última faixa. As músicas podem até ser boas e mesmo com variações rítmicas aqui e ali, é um disco reto, onde o que pode ser exaltado é a qualidade das composições. As vezes a técnica dos músicos chama a atenção e vez ou outra, ainda se destaca a produção, arte da capa e etc. É algo normal, padronizado e geralmente não apresenta nenhum fator extra capaz de causar espanto.

Apesar de não ter nada contra este tipo de registro, afinal a grande maioria se enquadra perfeitamente nessa descrição, não posso negar o quanto é gratificante quando escuto um disco que foge totalmente de padrões pré estabelecidos. Se torna desafiador analisar e escrever sobre ele. As influências musicais são distintas e geram um trabalho musicalmente diversificado, onde classificar a sonoridade do grupo é tarefa das mais complicadas.

É exatamente este o caso do Project Black Pantera, que além da musicalidade ímpar, ainda usa temas interessantes na composição de suas letras. Os integrantes são super talentosos e possuem uma história curta, porém rica em detalhes. Daquelas capaz de te fisgar ao ponto de querer saber mais e mais. A banda foi formada em 2014 na cidade de Uberaba, Minas Gerais. O debut auto intitulado é o primeiro da carreira do power trio formado por Charles Gama (Guitarra/Vocal), Chaene da Gama (Baixo/Vocal) e Rodrigo Pancho (Bateria).
https://soundcloud.com/charles-gama/escravos
Após ouvir o CD por algumas vezes, fica claro que rotular ou definir um estilo ao trio mineiro não é tarefa das mais fáceis. Entre as 12 canções que fazem parte do registro, temos uma miscelânea de gêneros que passam pelo Crossover, Thrash, Hardcore, Punk, Groove e mais um leque enorme de ritmos e influências.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Nas primeiras composições do álbum, "Boto pra foder" e "Ratatatá", percebe-se o intuito de criar melodias de fácil aceitação e refrões pegajosos, mas é a partir da instrumental "Godzila" que o disco começa a surpreender de verdade. "Eu sei" possui uma veia punk sensacional, "Rede Social" faz uma crítica as pessoas que usam o mundo virtual de uma forma politicamente incorreta e é carregada de groove. "Abre a Roda e Senta o Pé", é marcada por uma levada Hardcore viciante e passagens que me lembraram nomes como Suicidal Tendencies e Infectious Grooves,
principalmente pelas linhas de baixo de Chaene.

"Execução na Av. 38" e "Manifestação" partem para o Thrash/Crossover e Hardcore. A letra de "Manifestação" é sem dúvidas a melhor do trabalho e reflete a realidade de nosso país em seu conteúdo. "Ressurreição" é dona de uma melodia marcante e se torna uma ponte perfeita para "Escravos", uma porrada certeira, com outra ótima letra. O álbum ainda possui uma versão em inglês para "Manifestação", onde a banda se dá muito bem e mostra ser bem eclética.
Os músicos não se preocupam em esbanjar qualquer tipo de virtuose e toda essa diversificação, ocorre através de arranjos diretos e de uma simplicidade que encanta. Me aprofundando um pouco na trajetória do grupo, me surpreendi ao saber que mesmo cantando em português, a banda tem recebido críticas extremamente favoráveis em países como Estados Unidos e França, tendo inclusive participado de diversas coletâneas gringas e obtendo bastante destaque em cada uma delas.

Acredito que este registro de estréia seja apenas a primeira etapa de uma trajetória de muito sucesso. O grupo tem muito potencial e deve evoluir bastante. Recomendo a audição a todos que possuem uma mente aberta e não se importam com rótulos, mas apreciam a música em suas mais diferentes nuances.
Integrantes:
Charles Gama (Guitarra/Vocal)
Chaene da Gama (Baixo/Vocal)
Rodrigo Pancho (Bateria).
Faixas:
1 - Boto pra fuder
2 - Ratatatá
3 - Godzila
4 - Eu sei
5 - Rede Social
6 - Abre a roda e senta o pé
7 - Execução na Av. 38
8 - Manifestação
9 - Ressurreição
10 - Escravos

Bônus:
Manifastation
Execução na Av. 38 feat. J. Cole (Mix by Afropunk)
Outras resenhas de Project Black Pantera - Project Black Pantera
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O artefato antigo que voltou à moda, enfrenta a IA e convenceu Andreas a lançar um disco
Astros do rock e do metal unem forças em álbum tributo ao Rainbow
Entidade de caridade britânica rompe relações com Sharon Osbourne
O guitarrista vetado na banda de Suzi Quatro que três anos depois vendeu 10 milhões de discos
Com 96 atrações, Sweden Rock Festival fecha cast para edição 2026
A música do Iron Maiden que é a preferida de Mikael Akerfeldt, vocalista do Opeth
O clássico que o Rainbow nunca tocou ao vivo porque Ritchie Blackmore esqueceu o riff
O que Greyson Nekrutman trouxe ao Sepultura que outros bateristas não tinham
Com quase 200 atrações, Summer Breeze fecha cast para edição 2026
A música que deixou seu autor constrangido e se tornou um grande hit dos anos 90
A sincera opinião de Ozzy sobre George Harrison e Ringo Starr: "Vamos ser honestos?"
Os músicos que, segundo Mick Jagger, sempre odiaram o rock dos Rolling Stones
7 músicas de metal lançadas em 2000 que estavam à frente do seu tempo, segundo a Louder
Festival Somos Rock é adiado uma semana antes da realização
Ex-vocalista gostaria de participar da turnê que celebra 50 anos do Accept
A música do Led Zeppelin que Jimmy Page afirma ser impossível de reproduzir
O guitarrista que irritou Malcolm Young; "o cara mais chato que tive o desprazer de conhecer"
O impacto da melancólica saída de Steve Morse do Deep Purple, segundo Don Airey

"Eagles Over Hellfest" é um bom esquenta para o vindouro novo disco do colosso britânico Saxon
Ju Kosso renasce em "Sofisalma" e transforma crise em manifesto rock sobre identidade
Moonspell atinge o ápice no maravilhoso "Opus Diabolicum - The Orchestral Live Show"
Carach Angren - Sangue, mar e condenação no Holandês Voador
Testament - A maestria bélica em "Para Bellum"
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme

