Carach Angren: "Teatro Trágico de Horror"

Resenha - This Is No Fairytale - Carach Angren

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Por Lucimarck Junior
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Após dois anos do último lançamento da banda, CARACH ANGREN se renova apresentando um novo material de alta qualidade para o mercado da música. Composta por Seregor (Guitarra e Vocais), Ardek (Orquestrações e Teclados) e Namtar (Bateria), a banda lançou em 23 de fevereiro de 2015 o mais recente trabalho intitulado de “This Is No Fairytale”.

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Assim como nos álbuns antecessores, “This Is No Fairytale” também conta com a marca registrada da banda: o lirismo em suas músicas. Entretanto, diferente dos outros, este álbum não focou em narrar histórias de seres sobrenaturais e sim de um contexto mais brutal e insano protagonizado por serial killers.

Como título do álbum sugere, a narrativa por trás das músicas é uma reformulação de um dos contos de fadas mais conhecido no mundo. Intitulado como o conto de Hansell e Gretell em outros países, aqui no Brasil ele é conhecido popularmente como o conto de João e Maria.

Como já avisado nos álbuns anteriores, “This Is No Fairytale” é um tipo de material que não se deve apreciar em partes pois todas as músicas estão intercaladas, sendo cada uma delas responsáveis por completar a história e responder de forma passiva todas as perguntas de seus apreciadores.

O álbum inicia com a música instrumental “Once Upon a Time” com a execução atmosférica da orquestra acompanhada com um coral que “aparenta” ser composta de crianças o que particularmente me fez lembrar das cenas iniciais do filme “A Colheita Maldita” – a adaptação de um dos livros do “mestre do terror”, Stephen King.

Já a segunda faixa, nomeada de “There’s No Place Like Home” demonstra os primórdios da história nas vozes de Seregor acompanhada pela maestria da execução dos instrumentos. Nesta música a parte que eu considero como minha favorita e próxima do final onde na letra diz: “...One night, father became completely insane...” neste momento os instrumentos abandonam a atmosfera de brutalidade transitando para uma mais melancólica que pode ser percebida na letra pelo desespero das crianças ao verem o pai naquele estado.

“When Crows Tick on Windows” é a terceira faixa que se inicia com uma introdução surpreendente marcada pela performance impecável do Namtar na bateria. Em seguida, a brutalidade da bateria é substituída pela presença mais forte da orquestra que simula muito bem a atmosfera que podemos encontrar em muitos desenhos animados lembrando é claro de uma maneira diferente devido à presença da voz e dos riffs do Seregor e pelo desempenho do talentoso Namtar. Nesta faixa o que destacou, como na anterior, foi o final. Seregor e seus companheiros simulam de forma perfeita uma das situações mais tristes que podem acontecer com a criança.

O destaque do álbum, na minha opinião, é quarta faixa. Titulada como “Two Flies Flew Into a Black Sugar Cobweb” ela logo inicia na atmosfera consequencial da faixa anterior que pode ser notada tanto na letra quanto na performance instrumental: as crianças procurando um modo de fugir da casa com segurança. A música segue assim com instrumentos e vozes sendo executados de forma rápida até Gretell (Maria) se lembrar da visão horripilante de sua mãe. Nesse momento a música se transforma de forma absurda. Ficando um pouco mais lenta, porém muito mais brutal superando até as que foram apresentadas nas músicas anteriores num curto espaço de tempo. A música segue sem poucas alterações até chegar a parte preferida de muitos fãs: o encontro com o palhaço. A música fica neste momento bem melancólica e lenta com a forte presença da influente atmosfera de um circo – um show de horrores - demostrando o cansaço dos dois irmãos na longa jornada até encontrar a criatura mencionada. Ela se encerra com traços de combinações de todos os elementos durante toda a música terminando com, supostamente, um longo choro de um recém-nascido que ao fundo, pode-se notar, um demônio murmurando vigiando-o.

“Dreaming of a Nightmare In Eden” é a quinta faixa do álbum. Como o título sugere, ela é um concerto breve com os holofotes voltados para a orquestra com a narrativa realizada por Seregor contando o sinistro sonho (pesadelo) de Gretell podendo até prever os acontecimentos futuros da história.

A sexta faixa recebe o nome de “Possessed By a Craft of Witchery” e é marcada pela presença forte e arranjos surpreendentes da guitarra e pelas primeiras aparições do vocal gutural de Seregor. A letra em si é marcada pela grande variedade de personificações e comparações a história original do conto. No final, o destaque fica pelas orquestrações magnificas criada por Ardek que lembra muito bem o funeral de um grande herói.

Ahh finalmente chegamos nela, a sétima faixa nomeada de “Killed and Served By The Devil” é a mais brutal na minha opinião tanto na letra quanto na música em si. Esta música busca representar (e claro que ela consegue) a trilha sonora perfeita para a mutilação de um corpo na visão psicótica de um serial killer. Marcada pelas fortes batidas da bateria, das agonizantes orquestrações e dos rápidos riffs da guitarra além é claro da presença quase despercebida da atmosfera da casa de uma bruxa, essa sem duvidas é uma das melhores músicas do álbum.

A oitava faixa também não fica para traz comparando com a anterior. “The Witch Perished In Flames”, é fortemente marcada pela fusão dos riffs de Seregor e dos Arranjos de Ardek de forma sincronizada. Os vocais guturais diferentes das outras músicas, nesta ele é absurdamente violento combinado com a atmosfera sombria do medo sendo substituído aos poucos pelo ódio. A música segue de acordo com a letra com clareza até no encerramento que traz a sensação de liberdade.

E finalmente a “Tragedy Ever After”, a nona faixa. Esta música é bem complexa devido ao fato dela alternar muito rapidamente de momentos melancólicos, narrativos e agressivos. O problema nesta música é que, sinceramente não consegui entender o desfecho da história. Mesmo ouvindo diversas vezes, ao invés de encontrar minhas respostas, acabo criando cada vez mais perguntas, por exemplo: “Afinal, será o pai disfarçado de palhaço na história? ”, “A história toda na verdade é uma visão de Maria? ” Ou “Será que tudo não passou de um pesadelo? ”.

Enfim, o álbum todo em si, em poucas palavras é um “Teatro Trágico de Horror” o que é excelente na minha opinião, pois fortaleceu ainda mais a identidade da banda. “This Is No Fairytale” é recomendado, na minha opinião, a todos os apreciadores de metal e para aqueles que gostam de histórias de terror. Para aqueles que já ouviram, não deixe de nos contar o que achou nos comentários.

Aos Interessados em adquirir o álbum, ele está disponível em diversos formatos no link a seguir.

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