Paradise Lost: Vítimas do próprio passado
Resenha - Plague Within - Paradise Lost
Por Diogo Azzevedo
Postado em 03 de dezembro de 2015
Nota: 5 ![]()
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Numa entrevista à revista Roadie Crew, em 2002, Nick Holmes, frontman do Paradise Lost, deu a seguinte declaração ao ser questionado sobre a possibilidade da banda voltar a fazer um álbum nos moldes dos dois primeiros trabalhos ("Lost Paradise" e "Gothic"), quando o conjunto inglês ainda flertava com o death metal: "Não, porque se o fizéssemos não seria verdadeiro. (…) Eu não gostaria de ver o Paradise Lost voltando no tempo e não gosto de bandas que agem desta forma. Quem faz isso, faz por dinheiro e não com o coração. Nós iremos sempre olhar para frente!"
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Aparentemente, Holmes e cia deixaram o discurso de lado. Após o guitarrista Greg Mackintosh criar o projeto Vallenfyre, voltado ao death tradicional, e o próprio vocalista emprestar sua voz ao Bloodbath, e com a boa repercussão de ambas as empreitadas, a dupla resolveu testar novamente a antiga fórmula em sua banda principal, como podemos conferir em "The Plague Within", 14º registro de inéditas do Paradise Lost, lançado no Brasil pela Voice Music. O resultado, porém, é aquém do esperado – e, vide o que foi dito no primeiro parágrafo, não se trata de nenhuma surpresa.
Se a cada lançamento o Paradise Lost se dedicava a explorar uma sonoridade diferente sem jamais perder a identidade - mesmo em sua fase eletrônica –, aqui a banda decidiu atirar para todos os lados – e poucas vezes consegue acertar o alvo. Desde a faixa de abertura, "No Hope In Sight", que traz vocais guturais aliados a vozes limpas que remetem ao álbum "Host"; passando pela clichê "Punishment Through Time" (até quando vão reciclar esse riff da "Pity The Sadness"?) e a desnecessária "Flesh From Bone"; até o desfecho com a burocrática "Return To The Sun", há uma total falta de direcionamento. O PL sempre se notabilizou por ousar e não se preocupar em prestar contas a ninguém; então, por que tanta forçação de barra desta vez? Alguns podem alegar que é exatamente isso o que estão fazendo agora (ousando sem pedir benção a ninguém); porém, este é um disco que já vem "mastigado", calculado para não correr nenhum risco.
Para não dizer que nada é merecedor de destaque, "Beneath Broken Earth", ainda que não prime pela originalidade, é uma bela composição doom; mesmo assim, é muito pouco para um trabalho que carece de unidade, coesão e, principalmente, inspiração. Ninguém esperava que "The Plague Within" soasse como "Lost Paradise" ou "Gothic", afinal, mais de 20 anos separam a mais recente obra dos dois primeiros trabalhos, e os músicos, obviamente, evoluíram. E é por conta dessa evolução que me parece estranho ver a banda dando passos para trás, essa roupagem atual para elementos "primitivos" não soa crível, diferentemente do Vallenfyre, cuja proposta é justamente soar "old school". Tornou-se, exatamente como o título de uma de suas recentes canções, uma vítima do passado.
Por fim, lembrei de uma outra entrevista, desta vez com Greg, para a Rock Brigade, em 1998, em que o guitarrista dizia estar cansado das acusações de que o Paradise Lost havia se vendido, coisa que ele ouvia desde o primeiro álbum. E, claro, com "The Plague Within" os ataques se repetem. A novidade é que, agora, os detratores parecem estar com a razão.
Faixas:
No Hope in Sight
Terminal
An Eternity of Lies
Punishment Through Time
Beneath Broken Earth
Sacrifice the Flame
Victim of the Past
Flesh From Bone
Cry Out
Return to the Sun
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