Evil Conduct e Blind Pigs: Celebração streetpunk/oi! em São Paulo
Resenha - Evil Conduct e Blind Pigs (Clash Club, São Paulo, 14/11/15)
Por Jorge A. Silva Junior
Postado em 23 de novembro de 2015
Uma noite inesquecível de celebração. Essa pode ser uma das melhores definições para o show conjunto de EVIL CONDUCT e BLIND PIGS em São Paulo. A primeira, natural da Holanda, tem um dos nomes mais respeitados do street punk (Oi!) mundial. A segunda, brasileira com duas décadas de estrada, já é velha conhecida na cena punk rock nacional. A fusão das duas no palco da Clash Club, além proporcionar apresentações impecáveis, fez algo notável e histórico na noite paulistana: promoveu a união entre punks e skinheads que durante duas horas cantaram, dançaram, pularam e beberam cerveja em paz e harmonia.
Fotos: Villy Ribeiro
Quando foi anunciada a turnê brasileira de EVIL CONDUCT e BLIND PIGS inúmeros comentários surgiram na internet no que diz respeito à segurança de quem pretendia comparecer ao evento. Mas se havia algum receio por parte do público, ele caiu por terra muito antes da abertura da casa, já que do lado de fora punks e skins bebiam e conversam tranquilamente no meio de um belo desfile de suspensórios, camisas Fred Perry, coturnos Dr. Martens e tênis Adidas – o forte calor, superando os 30ºC, fez com que muitos deixassem suas jaquetas Harrington em casa.
Neste clima saudável de união, o BLIND PIGS entrou em cena às 19h30 de maneira avassaladora com "Abutres", música que abre seu mais recente EP, 'Linha de Frente', lançado em julho via Hearts Bleed Blue. Jogo ganho logo de cara devido ao retorno imediato dos fãs que não presenciavam um show da banda em São Paulo desde 2013. Algumas alterações na formação puderam ser conferidas: Henrike (vocal), Gordo (guitarra) e Galindo (baixo) estiveram acompanhados por Mauro na guitarra (antigo baixista que retornou ao grupo após o falecimento de Fabiano "Punk da Pedreira") e Kleber na bateria – substituto de Arnaldo, que não pode tocar por ter machucado a mão após uma briga de rua em Nova York.
Com uma energia digna de lavar a alma, o BLIND PIGS incluiu no repertório petardos recentes, como "Sentinela dos Mares", "Antro de Trastes" e "Cinco Cadeados" – todos do EP 'Capitânia' (2013), eleito o melhor álbum de punk rock no Prêmio Dynamite –, além de clássicos de sua discografia, entre eles "Avenida São João", "Sete de Setembro", "Amanhã Não Vai Mudar" e "O Idiota" – faixas de 'Blind Pigs' (2002).
Dos momentos para literalmente "cantar junto", uma vez que muitos subiam ao palco para dividir o microfone com Henrike, os destaques ficaram por conta de "Heróis Ou Rebeldes", "Para Incomodar" e "União" – esta última resumiu perfeitamente o espírito de celebração e paz que reinou no local. Em um momento emocionante de homenagem ao ex-guitarrista Fabiano, Henrike dedicou ao amigo a ótima música "Sempre Avançar", mais uma faixa do novo EP que já estava na ponta da língua da galera.
Como de costume nas apresentações do BLIND PIGS ao longo da carreira, o encerramento com "Conformismo e Resistência" ('The Punks Are Alright', 2000) fechou com chave de ouro um dos momentos mais marcantes na carreira de um verdadeiro ícone do punk rock nacional. Uma entrada e tanto para a festa Oi! que viria a seguir.
Um trio afiado, coeso e com um senso de melodia que o tornou um dos nomes mais saudados e respeitados do street punk (Oi!) em todo o mundo. Este é o cartão de visita do EVIL CONDUCT, fundado na Holanda em 1984 e que levou alguns anos para consolidar sua formação atual: Han (vocal e guitarra – único do 'line up' original), Joost (baixo) e Phil (bateria). No Brasil pela primeira vez – dias antes tocaram no Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba –, o grupo trouxe na bagagem seu álbum mais recente, 'Today's Rebellion' (2014), que em pouco tempo virou material indispensável para os fãs do gênero.
A banda subiu ao palco por volta das 21h para abrir seu show com a mais que propícia "The Voice Of Oi", seguida de "My Skinhead Girl", ambas contidas em 'Eye For Eye' (2003). Mesmo com a notável recepção de início, a comoção geral surgiu realmente na sequência com "Punk & Proud" e "Home Sweet Home". Naquela altura do campeonato já era possível ver cervejas sendo jogadas para o alto e ouvir gritos ao melhor estilo cânticos de futebol (de antigamente, é claro).
Músicas como "Workingclass Hero", "That Old Tatoo", "Skinhead Till I Die" e "Remember '81" tiveram suas letras cantadas a plenos pulmões pelo público que seguia se divertindo como nunca, mas nenhuma outra foi tão celebrada como "Time Is Running Out", que teve a participação de Henrike (BLIND PIGS) nos backing vocals. Com excelente melodia e um refrão marcante, a composição contida no álbum 'King Of Kings' (2008) foi responsável por fazer muito skinhead marmanjo ficar com os olhos marejados em um daqueles momentos para perdurar por anos.
Após quase uma hora de um repertório direto e sem pausas, o EVIL CONDUCT saiu de cena por alguns minutos para retornar com a trinca "All Around", "One Day Will Come" e "Nowhere To Go", encerrando uma apresentação competente e empolgante, brindada pela união de quem se preocupou apenas em se divertir curtindo boa música ao mesmo tempo em que entornava mais e mais cerveja.
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