Gerry Hundt: A banda de um homem só
Resenha - Legendary One-Man Band - Gerry Hundt
Por André Espínola
Postado em 19 de outubro de 2015
Sem dúvida, há os que nascem dotados de talentos musicais, seja na habilidade de cantar, de tocar algum instrumento; outros, no entanto, não; dentre os que nascem com tais competências, há aqueles que sabem tocar, de um jeito ou de outro, vários instrumentos; outros preferem dedicar-se à sua especialidade; Gerry Hundt, versátil músico do blues de Chicago é um exemplo dos primeiros; dentre esses multi-instrumentistas há aqueles que desenrolam tão bem que simplesmente chegam a dispensar uma banda e pensam: "sabe de uma coisa, vou tocar é tudo"; e tem mais ainda: dentre essas "bandas de um homem só" que, por qualquer motivo que seja, acabam tocando e gravando todos os instrumentos do álbum, há aqueles que fazem tudo isso de uma só vez, ou seja, ao vivo.
Você provavelmente se pergunta se há alguém que passe por tantos filtros? Sim, há. Esse alguém se chama Gerry Hundt e esse feito está documentando no seu novo disco, com o título sugestivo de Gerry Hundt’s Legendary One-Man-Band, álbum fruto de um trabalho de cinco anos em que Hundt trabalhou com sua banda de um homem só. Hundt, que estreou em 2007, com o disco Since Way Back, já chamou atenção pela sua paixão tanto pelo blues quanto pelo bandolim, um instrumento pouco relacionado à história do gênero.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Mas Gerry Hundt’s Legendary One-Man-Band vai além; o som apresentado por Gerry Hundt varia entre especialmente o tradicional blues rural e acústico, um pouco do Delta blues, outro tanto de blues elétrico urbano e vários números instrumentais, representando uma grande variedade dentro do próprio blues. A gravação é ao vivo, realizada entre fevereiro e março de 2015, rústica e sem recursos tecnológicos, prejudicando um pouco a voz de Hundt, mas dando aquele ar antigo e original, o que sem dúvida é como a cereja do bolo para os aficionados em blues. Com certeza, a pouca produção do disco rema contra a maré da moderna indústria fonográfica, mas, na verdade, pouco importa.
O disco, de 15 faixas, conta com mais da metade de músicas originais somadas a clássicos do blues regravados pela legendária banda de um homem só. As instrumentais, que são boa parte das originais, apresentam uma variedade interessante, dentre as quais se destacam a animada "Market Morning Reel", a faixa que abre o disco, a doce, singela e contemplativa "Sunset" e a dançante "Broadway Boogie", com a gaita a bateria de pé ditando o ritmo. A gaita, inclusive, é um dos instrumentos que mais se destaca na música de Hundt, funcionando como uma peça centralizadora, e que se encontra junto com o bandolim entre as suas paixões.
As demais faixas originais, de autoria de Gerry Hundt, estão tão enraizadas na tradição que por vezes é difícil diferenciá-las das que são covers. Em "County Line", com um ritmo irresistível que faz ser impossível impedir as pernas de ficarem balançando, Hundt alterna em solos de gaita e dedilhados no seu violão. "Goin’ Away Baby" e "Broke Down" fecham a conta dos destaques dentre as originais, com a primeira, a gaita como carro chefe, sendo um blues puro e cru, e a segunda, uma das melhores, remetendo um pouco aos moldes do Delta blues.
No grupo de tradicionais do blues, destacam-se primeiramente "Stompin’ & Shoutin’", uma das poucas em que Hundt faz uso da guitarra elétrica, mas cujo papel é secundário, dando espaço para o som da gaita perambular pela música. A voz suja, rústica, que causa uma certa estranheza em um primeiro momento e pode atrapalhar um pouco a compreensão da letra, sem dúvida é um recurso interessante. Uma das melhores covers do disco é "Walkin’ Blues", um dos maiores clássicos da história do blues, cantada e tocada por Son House, Robert Johnson e Muddy Waters, só para citar uns. Com "concorrentes" como esses, pode ser meio arriscado colocá-la no repertório, mas Hundt, tocando a bateria com o pé, ainda nos entrega ótimos slides no violão e faz um ótimo trabalho. "Salt Dog", bem diferente e rápida, mostra ainda um curioso instrumento que remete aos primórdios do blues, o kazoo. Na faixa seguinte, em "Freight Train", mantém-se aquele ritmo constante de um trem, só mudou a intensidade: se antes era um pouco mais frenética e dançante, agora é daquelas que a gente senta na janela e fica olhando o cenário e cantarolando. Uma ótima música de viagem. "freight train, freight train, oh running so fast". Para finalizar o disco, Hundt faz um medly instrumental de gospel, com "I Shall Not Be Moved / I’ll Fly Away".
Gerry Hundt’s Legendary One-Man Band é uma viagem pelo tanto pelo universo quanto pelas habilidades musicais de Gerry Hundt, experimentando ao máximo para levar a si mesmo até o limite. Apenas o fato de uma pessoa só gravar ao vivo um disco já é surpreendente. No entanto, o que é incrível mesmo é que ele consiga fazê-lo tão bom e divertido. Com certeza, Barney Stintson, da série norte-americana How I Met Your Mother, soltaria seu jargão clássico: legen... wait fo it... dary!
1. Market Morning Reel
2. Stompin' & Shoutin'
3. Walkin' Blues
4. County Line
5. Sunset
6. Salty Dog
7. Freight Train
8. Broadway Boogie
9. Goin' Away Baby
10. Coffee Creek
11. Take It Outside
12. Broke Down
13. Kitchen Dance
14. Baby, What's Wrong with You
15. I Shall Not Be Moved / I'll Fly Away
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