Azul Limão: Metal e Progresso
Resenha - Ordem e Progresso - Azul Limão
Por Vitor Sobreira
Postado em 16 de outubro de 2015
Nota: 8 ![]()
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Em tempos difíceis, quase tudo é difícil, porém, sempre há uma uma esperança para melhoras. No Heavy Metal, isso não deixa de ser diferente, e como prova, vemos que nossas bandas favoritas lutaram muito para conseguir o reconhecimento que possuem hoje em dia, sendo que nada caiu do céu. No Brasil, pioneiros como Stress, Karisma, Salário Mínimo e tantos outros, não deixaram a paixão pelo Metal se apagar e virar cinza, mas muito pelo contrário, aumentaram ainda mais o fogo, mesmo que enfrentando os mais incontáveis obstáculos, e como recompensa, seus nomes estão gravados para sempre na história metálica.
Com um nome bem curioso e particular, tirado de uma tira de quadrinhos do personagem Hagar, o Horrível, e um álbum na bagagem (o clássico Vingança, de 1986), os cariocas queriam mais. Após algumas trocas de integrantes, e vários shows feitos, em 1987 a rapaziada resolve lançar este EP (ou álbum, como queira), contando com apenas 6 faixas que totalizam pouco mais de 20 minutos de duração e ainda conta com um cover para os conterrâneos da Dorsal Atlântica com "Princesa Do Prazer" (que fala sobre uma prostituta), muito boa por sinal, e que caiu como uma luva à sonoridade do grupo, devido as suas batidas rápidas e certeiras. Logo de cara, percebemos que a gravação poderia ter sido melhor, para dar as músicas um ar ainda mais superior, sendo que temos de aumentar bem o volume do som para obtermos uma audição mais satisfatória, mas nada que prejudique este discão, visto que para época e os recursos existentes aqui no Brasil para a nossa tão amada música pesada, foi o melhor que conseguiram.
Talvez em relação ao primeiro disco, neste aqui há um direcionamento e uma evolução um pouco mais Heavy, com um peso bem agradável e boas letras, que falam sobre sentimentos, e a vida cotidiana. Todos os músicos merecem os parabéns por suas performances, onde tocaram com garra e ousadia, seja nos solos, nas levadas de bateria e no baixo, e inclusive o vocalista Rodrigo, com uma forte e boa interpretação, sendo que tempos depois, foi para o exterior cantar Óperas profissionalmente.
Como destaques pessoais, posso citar todas as músicas, sendo a fortissimamente ótima "Solidão", que conta com uma linha de baixo bem chamativa e um direcionamento mais direto (não rápido, mas direto) e um refrão que se aloja no cranio, a rápida e empolgante "Rotina", com uma letra que retrata um pouco o que (nós) os trabalhadores passam para ganhar o pão-de-cada-dia, a pesada faixa título, e a poderosa e totalmente Heavy Metal "Brilho". São músicas muito boas mesmo, que merecem a sua atenção, meu caro leitor, pois quando ouvimos um disco como este, é que vemos até onde a vontade e a paixão podem levar pessoas a realizar seus sonhos e superar expectativas.
É Metal feito no Brasil, porra... Vai encarar?
Formação:
Vinícius Mathias - Bass
Ricardo Martins - Drums
Marcos Dantas - Guitars
Rodrigo Esteves - Vocals
Músicas:
1. Tema da Primavera
2. Rotina
3. Ordem & Progresso
4. Solidão
5. Brilho
6. Princesa do Prazer (Dorsal Atlântica cover)
Lançamento: 1987 - Point Rock
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