Yes: A música da banda vai muito além da soma de seus integrantes
Resenha - Heaven and Earth - Yes
Por Tarcisio Lucas Hernandes Pereira
Postado em 01 de outubro de 2015
O ano de 2015 ficará marcado na história do rock, entre outros fatos, pela morte do grande baixista Chris Squire, membro fundador do YES, e único integrante a participar de todos os álbuns da banda. Um ano antes dessa perda irreparável, a banda lançava o álbum "Heaven and Earth", obra derradeira de Chris. Trata-se de um ótimo disco, que consegue balancear todas as fases distintas do conjunto, ainda que, agora com a morte do músico, seja possível perceber um certo cansaço nas execuções e composições, certamente já um prenuncio do que aconteceria meses depois.
A história da banda inicia-se no final da década de 60, quando a psicodelia ainda reinava e o rock progressivo da forma como o conhecemos hoje começava a ganhar forma.
Ainda que a troca de integrantes tenha sido desde o começo uma constante na vida do YES, um fator nunca foi alterado: todos os músicos que passaram pela banda, tendo permanecidos ou não no line up oficial, eram/são virtuosos dentro de seus instrumentos, e possuíam sólida formação musical.
Assim, ao longo das décadas, vimos os músicos do Yes nos presentearem com uma extensa e diversificada obra, passando pela psicodelia (YES e YES Album), pelo Rock progressivo estritamente virtuoso (Close to the Edge, Relayer, Fragile ), flertando com a música new Age (Tales From Topographic Ocean), pelo pop rock intrincado (90125, Talk, Big Generation),e pela World Music (The Ladder), só para citar alguns.
Dessa forma, o YES contribuiu imensamente para o universo musical que se formou dentro do rock ao longo desses 40 anos de atividade. Bandas como Dream Theater, Pain of Salvation, Marillion e até mesmo o nosso Mutantes possuem influencias confessas da banda.
Em, 2014, um novo petardo ganhou vida: o disco intitulado "Heaven and Earth", cujo grande diferencial é de ter o vocalista "oficial" do Yes, Jon Anderson, sido substituído por Jon Davison.
A semelhança entre os dois cantores não está apenas no nome; o timbre de Jon (Davison) é assustadoramente similar ao timbre vocal do outro Jon (Anderson).
No entanto, se a voz continua a mesma, compete dizer que a abordagem dada as músicas mudou significativamente. Claro, ainda temos tudo que sempre tivemos: Jogo de vozes, backing vocals certeiros, execuções primorosas e um clima alegre e quase espiritual, características presentes em todos os discos da banda.
No entanto, percebe-se claramente o desejo da banda de dar uma "enxugada" em seu som, de forma que nunca antes o YES se aproximou tanto do formato típico de uma canção como aqui.
As passagens complexas, cheias de mudanças de andamentos, escalas exóticas e que duravam várias e vários minutos deram lugar a uma simplicidade e uma calmaria surpreendentes.
E o melhor de tudo, sem perder a marca característica da banda, ou seja, o bom gosto musical.
Como destaque, cito a música To Ascend, que possui um clima que remete a clássica "Wonderous Stories" do álbum Going For the One.
Após a morte de Chris, o Yes anunciou que continuará na ativa, com Billy Sherwood, que já havia gravado com a banda anteriormente, decisão essa que certamente vai de encontro ao pensamento de Chris, que sempre demonstrou, em entrevistas e com seu estilo de vida, que a música do Yes vai muito além que a soma de seus integrantes.
Vida longa ao YES, e um imenso obrigado a tudo que o baixista fez!
TRACKLIST
1- Believe Again
2- The Game
3- Step Beyond
4- To Ascend
5- In a world of our own
6- Light of the Ages
7- It was all we Knew
8- Subway Walls
Apreciem sem moderação!
Outras resenhas de Heaven and Earth - Yes
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O brasileiro que andou várias vezes no avião do Iron Maiden: "Os caras são gente boa"
As Obras Primas do Rock Nacional de acordo com Regis Tadeu
Os 11 melhores álbuns conceituais de metal progressivo, segundo a Loudwire
A sumidade do rock nacional que expulsou Lobão de seu álbum solo
O clássico do rock que mostra por que é importante ler a letra de uma música
31 discos de rock e heavy metal que completam 40 anos em 2026
Morre Bob "Bobby" Weir, cofundador do Grateful Dead, aos 78 anos
Vídeo de 1969 mostra Os Mutantes (com Rita Lee) tocando "A Day in the Life", dos Beatles
O cantor que Bono disse que ninguém conseguiria igualar; "ninguém podia ser como ele"
A sincera opinião de Pitty sobre Guns N' Roses, System of a Down e Evanescence
O disco em que o Dream Theater decidiu escrever músicas curtas
O episódio que marcou o primeiro contato de Bruce Dickinson com "Stargazer", do Rainbow
O conselho do pai de Steve Harris que o baixista preferiu ignorar
O dia em que um futuro guitarrista do Whitesnake testou para o Kiss, mas não foi aprovado
As bandas de heavy metal favoritas de Rob Halford do Judas Priest, segundo o próprio
A curiosa história de "Pet Sematary", clássico dos Ramones que foi escrito em uma noite
A preconceituosa opinião de Brent Hinds, do Mastodon, sobre o Dream Theater
O problema de trabalhar com Yngwie Malmsteen no G3, segundo Joe Satriani

O baterista que Phil Collins disse que "não soava como nenhum outro", e poucos citam hoje
A maior linha de baixo do rock, para Geddy Lee; "tocaria com eles? Nem a pau"
David Gilmour revela quais as quatro bandas de prog rock que ele mais detesta
Rick Wakeman passa por cirurgia para implante de válvula no cérebro
"A maior peça do rock progressivo de todos os tempos", segundo Steve Lukather, do Toto
Metallica: "Load" não é um álbum ruim e crucificável
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



