Senhor X: Som muito versátil e corajoso

Resenha - Qual a Cara de X? - Senhor X

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Falar sobre o Senhor X não só é fácil para mim que vive na mesma cidade que a banda, mas também é um prazer e satisfação. Este pessoal já está na estrada faz muitos, muitos anos. Pra se ter uma ideia de quanto tempo mais ou menos, eu estudava inglês no Senac, estudei lá entre 1992 e 1999, e surpresa... a vocalista da banda, Carla Viana, foi uma de minhas professoras no idioma! Pois é, faz muito tempo! Se não me engano isso foi lá pelos idos de 96, ou 97, não lembro ao certo. Mas lembro muito bem de seu carisma e alegria em suas aulas. Faz pouco tempo atrás que fui assistir a banda duas vezes, e vi que esse carisma ainda continua.

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Pude ter certeza disso ao final do último show tributo ao Pink Floyd, onde vi suas alunas virem correndo para cumprimentá-la. E pude perceber também a grande camaradagem da galera da banda, Beto Leoneti, por exemplo, com quem eu pude conversar de perto antes de o grupo se apresentar no Bronze Night Club, na primeira vez que vi a banda ao vivo por lá, há poucos minutos do bar abrir as portas para podermos entrar. Este show faz mais tempo que fui, então não tenho ele registrado por aqui; mas foi nesse show aí que acabei comprando o disco da banda lá na recepção do bar, este que eu tenho em mãos e que vamos falar sobre, agora.

O álbum, gravado em três estúdios no Brasil, mixado nos EUA em 2011 e lançado em um minishow nas lojas FNAC, nos traz uma banda que se mostra versátil e que apresenta uma grande variedade musical de alta qualidade aqui. Não dá para definir um só estilo no som deles, é Rock, pronto. Tem um pouco de Hard Rock, um pouco de Rock nacional, um pouco de Rock Progressivo, um pouco de instrumental, enfim, é Rock, não dá para definir que tipo de Rock eles fazem, porque o som é muito versátil e muito corajoso. Podem ter certeza que a banda deixa comendo poeira muita bandinha que se encontra na grande mídia sem muitos méritos, fazem um som de primeiríssima qualidade.

E uma das grandes surpresas aqui e que hoje em dia é difícil de se encontrar por aí: Rock de qualidade com letras em português! Isso tem que ser muito valorizado, pessoal! Todo mundo que me conhece sabe da minha preferência pelo Rock em inglês, eu não escondo isso, mas quando aparece uma galera boa assim fazendo ótimas letras em português e músicas fantásticas, isso tem que ser valorizado! Vamos então saber em mais detalhes, qual a cara de X.

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A faixa de abertura, "Mexendo com Fogo", é uma cover da faixa de Kiko Zambianchi do disco de 1987, aqui reinterpretada pelo grupo com esmero, usando de um arranjo mais Rock todo diferenciado e original. Eu sempre achei a faixa de Kiko legal e tudo mais, mas o Senhor X aqui supera e muito a versão do cara, eu simplesmente adorei a nova roupagem que o grupo deu à música. Ela sempre esteve disponível na Internet antes do disco sair, eu já a conhecia pelo próprio site da banda, então fiquei muito contente que a música foi escolhida para compor a abertura do álbum. E a letra de 87 do Kiko ainda continua bastante atual, e na voz enérgica de Carla Viana com o arranjo da banda, ficou ainda mais bacana de se ouvir.

Aliás, temos uma participação super especial aqui no disco: trata-se de Fred Sun Walk, aqui creditado como Fred Rodarte! Eu já falei até bastante sobre o Fred aqui, e sempre com muito entusiasmo, porque ele realmente é um cara muito bacana, carismático, uma excelente pessoa e com um enorme talento. Fred aqui compõe junto com o Senhor X e participa tocando guitarra com a banda na faixa "Sonho de Morfeu". E olha, eu reconheço o estilão do Fred de longe, tanto na melodia quanto no próprio solo de guitarra que ele faz, sempre que ouvia a faixa, eu pensava "velho, isso tem cara de Fred Sun Walk", e eis que ele me aparece no encarte do CD! Fred, valeu por passar por aqui, cara!

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Vamos agora ao material próprio e exclusivo do Senhor X: vamos começar com "Oito", segunda faixa do disco. Aqui a banda se aventura no Rock Progressivo, e puxa vida, que faixa bacana, a melodia é claramente inspirada na banda inglesa Yes, tem todas aquelas quebradeiras de ritmo que Wellington Ruvieri proporciona em seu kit, muito legal ver uma banda nacional fazendo isso! Eu me recordo de conhecer poucas bandas nacionais que apostavam nesse som, uma delas era a banda setentista Terreno Baldio, mas olha, o Senhor X surpreende aqui nesta faixa, especialmente na sessão de bridge instrumental, onde a quebradeira rola solta. A letra da Carla então é muito legal, uma série de jogos de palavras feitos de forma inteligente e sofisticada, digna de aplausos!

E falando em Yes, eu não pude deixar de notar a referência aqui na linda faixa acústica instrumental "Pelos Caminhos de Duo-Howe", escrita pelo Leoneti e que cria melodias clássicas no violão com ritmos quebrados bem ao estilo de Steve Howe, guitarrista do Yes. Acredito que a referência no nome foi intencional, a faixa é muito bonita.

Após ela, vem "Peso Sem Culpa", onde a banda despeja peso mesmo, é um hardão com letras em português descomunal, e com direito até a vocal gutural no refrão, cortesia do co-produtor do disco, Rômulo Ramazini, vocalista da banda Necrofobia. Tem uma bridge bem climática lá pelo meio da música que vai crescendo e explode novamente em peso, a letra é muito boa, agressiva como a melodia e os arranjos muito bem trabalhados.

Outra faixa que se destaca pelo peso, é "Peso Para Um Dia Daqueles", onde Beto Leoneti mostra suas habilidades como compositor e faz um arranjo musical que remete ao Rock Industrial; é um lance legal, mescla guitarra e teclados climáticos e baterias eletrônicas; confesso que não sou fã de Industrial ou som eletrônico, mas gostei do arranjo experimental que ele criou aqui, bastante corajoso ele tentar novos caminhos, ficou parecendo um tema de videogame.

Também achei bastante interessante a letra de "Ilusão De Quem...", que acredito deve contar com visões e experiências pessoais de Beto. A seção instrumental é ótima e o solo intermediário é muito bacana. As variações rítmicas em "Razão" e o ótimo refrão também são pontos altos no disco. Para terminar há duas faixas em inglês no disco. A que eu mais gostei é "Silent Scream", muito pela sua letra, que fala da sensação de grito preso que muitas vezes temos, e variações melódicas. A outra, "Search", tem um trecho bacana que destaca bem o trabalho de baixo de Beto Braz.

Gosto de divulgar artistas independentes e que realizam trabalhos fantásticos e dignos de merecerem divulgação de grande mídia. E o Senhor X se encaixa perfeitamente neste escopo. Se precisamos de mais artistas que façam um som de alta qualidade com letras inteligentes e ótimos arranjos e que demonstrem um enorme respeito pela sua base de fãs ou por todas as pessoas que já tiveram a satisfação de vê-los ao vivo, então precisamos de mais bandas como o Senhor X. É com grande prazer que eu recomendo a todos conferirem o som da banda e visitarem o site deles. E quem for da área de Ribeirão Preto e região, comprem o CD, é ótimo, barato e ajuda na divulgação deste ótimo grupo.

Qual a Cara de X? (2011)
(Senhor X)

Tracklist:
01. Mexendo Com Fogo (cover Kiko Zambianchi)
02. Oito
03. Peso Sem Culpa (com Rômulo Ramazini)
04. Silent Scream
05. Sonho de Morfeu (com Fred Rodarte)
06. Pelos Caminhos de Duo-Howe (instrumental)
07. Ilusão De Quem...
08. Razão
09. Search
10. Peso Para Um Dia Daqueles (instrumental)

Selo: independente

Senhor X é:
Beto Braz - baixo e voz
Carla Viana: voz e FX
Wellington Ruvieri: bateria
Beto Leoneti: guitarra, violão, voz, piano e synth

Discografia:
- Qual a Cara de X? (2011)

Site oficial: www.senhorx.com




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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